30
dez

Professor sob pressão

por Sônia R. Aranha às 18:26 em: Educação, Escola Particular

Professor sob pressão : prevenção e enfrentamento da violência no ambiente de trabalho é um livro organizado pela professora Cecília Maria Martins Farias, coordenadora do Núcleo de Apoio ao Professor contra a Violência (NAP) e diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Estado (Sinpro/RS).

Lançado no primeiro semestre de 2012  em Porto Alegre e em Caxias do Sul, o livro apresenta como os professores da rede privada do sul do país estão a enfrentar assédio moral, discriminação e ameaças.

Dados publicados pelo livro apontam que 83,2% dos professores que responderam a uma pesquisa espontânea do NAP, em 2007, acreditam que há a chamada “desconstituição” da sua autoridade em sala de aula. A pesquisa também mostra que esta exclusão de autoridade acontece por meio de agressões físicas e até, pela Internet. E para 37% dos docentes que responderam ao estudo, as direções das escolas são omissas e responsabilizam os próprios professores pela violência sofrida.

A obra que começou a ser compilada em 2007, conta com artigos da psicanalista e doutora em Educação Roséli Cabistani; Luciane Toss, advogada do Sinpro/RS; do juiz do Trabalho Rubens Fernando Clamer dos Santos Júnior; de membros da Associação Psicanalista de Porto Alegre (APPOA); da própria Cecília, entre outros.

Fonte: Leouve

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23
jun

Violência nas Escolas

por Sônia R. Aranha às 0:20 em: Educação

Segundo pesquisa de opinião Violência nas Escolas: uma visão dos delegados da Apeoesp realizada pelo Sindicato de Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), com 583 delegados do XIX Congresso da APEOESP em 2006, há algumas perguntas que a escola atual não sabe mais as respostas:

“(…) para que serve a escola, qual é a utilidade destes estudos, quais são as regras, o que você quer de mim, poderei mudar meu destino social aprendendo tudo isso?” Talvez, nas escolas atuais, não se saiba responder sobre as funções da escola e da educação escolar, de integração, distribuição e subjetivação e principalmente, a da importância do conhecimento para uma vida digna. Há uma pergunta que subjaz: “para que serve a escola?” A cultura e a forma escolar, é compreendida, tem algum sentido? Como estabelecer os acordos necessários para uma vida de encontros humanizadores em sala de aula? Como lidar com os evidentes conflitos entre gerações, gênero, raças-etnias-religiões, saberes, próprios da instituição?”(FERRAZ,2007, p. 05)

A pesquisa também concluiu que os conflitos que ocorrem dentro da instituição não são mais tratados no âmbito do pedagógico. Brigas entre alunos geram Boletim de Ocorrência (BO) e encaminhamento ao Conselho Tutelar, portanto, uma grande parte dos conflitos são criminalizados, o que, de certa forma, se justifica diante do elevado grau de agressividade passando pelo bullying, furtos, chegando até a morte, como noticiado em vários meios de comunicação:

2011 – Um aluno de 17 anos atingiu com um tiro a coxa esquerda de um colega de 16 anos dentro da sala de aula da Escola Estadual Santa Isabel de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, na aula de química. (Fonte: Notícias R726/05/2011 )

Gustavo Pacheco da Silva de 16 anos, aluno do 9º ano do Ensino Fundamental, foi morto com cinco tiros dentro da sala de aula da escola pública Prof. Antônio Cesário de Figueiredo Neto em Cuiabá/MT após ter tido um desentendimento com colegas mais velhos.(Fonte:Uol Notícias 22/07/2011)

Um massacre em uma escola municipal Tasso da Silveira no Rio de Janeiro totalizando 12 alunos mortos em salas de aula e 22 feridos praticado por um jovem de 23 anos ex-aluno da mesma escola.(Fonte: Uol Notícias 7/04/2011l)

2010 – O menino Miguel Cestari Ricci dos Santos, de 9 anos, morto com um tiro na barriga, disparado à queima-roupa numa sala de aulas da Escola Adventista de Embu das Artes/SP por outro menino da mesma classe.(Fonte:Gazeta do Povo 30/09/2010)

2009 – Um jovem de 18 anos foi morto a tiros dentro da sala de aula, na noite de segunda-feira (23), em Salvador/BA. Outro rapaz ficou ferido.Segundo a polícia, quatro homens armados entraram na Escola Estadual Filadélfia durante o intervalo entre as aulas.

Eles seguiram para a sala de aula e atiraram no garoto, que morreu no local.Outro estudante também ficou ferido e foi levado ao Hospital Geral do Estado. Ele já recebeu alta. Pelo menos vinte alunos estavam na sala na hora do crime. Os assassinos fugiram a pé. A polícia suspeita que o estudante morto teria envolvimento com o tráfico de drogas.(Fonte:G124/03/2009)

2006 – Morre o estudante Vitor Sampaio Crisóstomo da Silva de 14 anos baleado na testa por um colega de turma na sala de aula da Escola Municipal Belmiro Medeiros na Ilha do Governador/RJ.(Fonte:Terra 29/04/2006)

Não é mais possível aceitarmos isso , de modo que é preciso que a sociedade de modo geral e e o Estado em particular (re)signifiquem  o papel da escola com máxima urgência. Derrubem os muros , façam uma nova proposta de aprendizagem  inovadora e ousada para esta nova geração banindo a violência e garantido a segurança e o bem  viver  tanto para os profissionais que nela trabalham como para os alunos.

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Há tramitando pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei de número 604/11 do Deputado Manoel Junior (PMDB-PB) que cria a política de prevenção à violência contra os profissionais do magistério públicos ou privados.

Abaixo segue um trecho:

“Art. 4º – As medidas preventivas, cautelares e punitivas serão aplicadas pelo Poder Público em suas diferentes esferas de atuação e consistirão em:
I – implantação de campanhas educativas que tenham por objetivo a prevenção e combate à violência física/moral e o constrangimento contra educadores;
II – afastamento temporário ou definitivo de sua unidade de ensino de aluno ou funcionário infrator, dependendo da gravidade do delito cometido;
III – transferência do aluno infrator para outra escola, caso as autoridades educacionais concluam pela impossibilidade de sua permanência na unidade de ensino;
IV – licença temporária do educador que esteja em situação de risco de suas atividades profissionais, enquanto perdurar a potencial ameaça, sem perda dos seus vencimentos;”

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Reproduzo aqui um texto muito oportuno que saiu no Observatório da Violência no site da Apeoesp http://apeoespsub.org.br/observatorio/abertura.html

          Violência, uma realidade da escola que precisamos mudar

Desde a década de 90, os professores têm enfrentado o crescimento da violência dentro das escolas. O que chamávamos de indisciplina passou repentinamente a ter um caráter de agressão.

Em 2006, a APEOESP e o Dieese realizaram uma pesquisa sobre a violência nas escolas, durante a realização do XXI Congresso Estadual do sindicato.  Entre os quase 700 professores que responderam a pesquisa, 96% admitiram que a agressão verbal é o tipo mais comum de violência dentro das escolas, seguido por 88,5% que apontaram os atos de vandalismo e por 82% que responderam ser o tipo mais comum a agressão física.

Nos últimos anos, as escolas ganharam as páginas policiais. Na apresentação do relatório da pesquisa sobre violência, a professora-doutora Flávia Schilling, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, afirma que a violência nas escolas não é uma fatalidade. “Um diagnóstico mais preciso e elaborado, com a participação de todos os envolvidos, certamente mostrará que, em torno dos fatos relatados, há o que fazer: assumir a responsabilidade pela educação das novas gerações é o grande desafio que temos neste país, que universalizou tão tardiamente esse direito.” Para a educadora, ainda, “há responsabilidade dos governantes, que cometem violência contra a escola quando deixam os prédios abandonados, quando mudam incessantemente as orientações de um trabalho gerando cansaço e insegurança, quando aceitam a desvalorização da profissão de professor”.

O objetivo deste trabalho de coleta de dados sobre a violência nas escolas é o de justamente elaboramos um diagnóstico mais preciso para que possamos apontar as causas da violência e tratarmos o problema como uma questão social, propondo soluções, e não como o faz o governo, que trata a questão como caso de polícia.

Como nos ensina a professora Flávia Schiling: “As palavras de ordem poderiam ser: explicite a que viemos, porque estamos trabalhando neste difícil ofício de ensinar, mostre que se trate de se apropriar de uma herança contraditória, porém que pode servir para a mudança das condições de nossas vidas. Estabeleça conexões, entre nós, entre nós e os alunos, entre o saber teórico e a vida prática, entre a escola e os parceiros do entorno. Não tema o debate, a participação, o envolvimento em um projeto comum, os coletivos.”

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