A Análise Longitudinal do Número de Matrículas é um instrumento muito importante na tomada de decisão para o planejamento do ano letivo.

Trata-se da comparação do número de matrículas dos últimos cinco anos, visando saber quais são e onde ficam as portas de entrada da escola e as de saída para poder estancar estas últimas e ampliar as primeiras.

O que são portas de entrada? São as portas que o aluno entra naquela instituição escolar. Convencionalmente se uma escola possui o Infantil e o Ensino Fundamental a porta de entrada será o Infantil porque os pais matriculam seus filhos no Infantil e os mantém até o final do Ensino Fundamental.

É o que um Mantenedor de escola espera, porque uma matrícula no Infantil significa aproximadamente 12 anos de mensalidade segura e, consequentemente, a escola aberta e socialmente responsável.

Toda escola possui portas de entrada convencionais, exemplos:

Escolas que oferecem apenas o Infantil: berçário e o Infantil I.

Escolas que oferecem o Infantil e Ensino Fundamental: Infantil, 1º ano e 6º ano.

Escolas que oferecem o Ensino Fundamental e o Ensino Médio: 1º ano, 6º ano e o 1º Médio.

No entanto, pode haver outras portas de entrada menos usuais e mais pontuais de acordo com algum tipo de intervenção de marketing ou um imprevisto qualquer em um determinado ano.

Mas, infelizmente, as escolas possuem as portas de saída. E o que são elas?

As portas de saída são aquelas que se abrem para o aluno seguir seu caminho longe da escola.

Uma que é bem usual é a do 9º ano. Mesmo que a escola tenha atendido as expectativas dos alunos e de seus pais, quando chegam ao final do Ensino Fundamental querem partir para uma nova experiência educacional antes de enfrentarem a universidade. Então, o 9º ano é uma porta de saída. Porém, há outras e todo Mantenedor junto com seus colaboradores deveriam lutar para minimizá-las ao máximo. Por exemplo:

O 5º ano pode se tornar uma porta de saída. Os pais matriculam seu filho no Ensino Fundamental em uma determinada escola e durante cinco anos o nível de satisfação deles fica na ordem do moderado, com picos de decepção. Quando o período de ingresso no 6º ano se aproxima, os pais vão em busca de uma nova escola.

O 1º ano ou 2º ano também podem ser transformados em portas de saída. Os pais matriculam os filhos na Educação Infantil pretendendo mantê-lo na escola por todo o Ensino Fundamental, porque o nível de satisfação com o Infantil foi elevado. Porém, se decepcionam com o 1º ano ou 2º ano e desistem da escola.

A Análise Longitudinal de Número de Alunos além de verificar se a demanda está ou não declinante (exemplo: de 2011 a 2016 a escola perdeu 200 alunos ou ganhou 100 alunos) consegue também detectar quais foram os anos mais críticos e quais turmas se transformaram em portas de saída.

O intuito é conhecer o fluxo de matrículas ao longo dos anos para poder reverter quadros de demanda declinante visando o equilíbrio financeiro e, em alguns casos, salvar a escola da falência. Para isso, a análise indica quais cursos ou séries será preciso investir no pedagógico de modo mais significativo.

Você fornece o número de matrículas destes últimos cinco anos e nós analisamos o movimento de alunos de sua escola propondo ações pedagógicas efetivas.

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A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, atendendo uma política implementada pelo Governador Geraldo Alckmin (PSDB), está colando em prática o programa de Reorganização do Sistema Ensino Público do Estado de São Paulo.

A ideia é fazer com que cada unidade escolar atenda apenas um ciclo de ensino, por exemplo:

– anos iniciais do ensino fundamental
– anos finais do ensino fundamental
– ensino médio

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo alega que :

– Escolas de ciclo único tem desempenho 10% superior na comparação com aquelas que têm vários ciclos;

– Que o Estado de São Paulo teve uma queda de 1,3% ao ano de pessoas em idade escolar;

– A rede pública estadual perdeu 2 milhões de alunos em 17 anos;

– A remanejamento dos alunos terá como critérios: estudo de geolocalização e um deslocamento de 1,5 km .

– Aproximadamente serão 1 milhão de alunos transferidos.

Os alunos e professores são contrários a esta reorganização e se manifestam nas ruas das cidades porque:

1) Os pais de alunos irmãos terão dois deslocamentos a cumprir se um dos filhos estudar, por exemplo, no 5o ano e o outro no 6o ano , porque um será matriculado em uma unidade escolar e o outro em outra;

2) Não há como escolher a unidade escolar. A responsabilidade pelo critério de mudança , com matrícula automática, está a cargo das Diretorias de Ensino.

3) Um professor que, por exemplo, leciona Matemática de 6o ao Ensino Médio em uma única unidade escolar, terá que se deslocar porque lecionará em duas unidades distantes entre si . Em cidades grandes sabemos o quanto é oneroso em termos financeiros e físicos/emocional o deslocamento.

4) Com a reorganização provavelmente as salas de aulas ficarão mais cheias.

5) E o mais importante, toda esta mudança que mexe com a vida de muitos não foi discutida com a comunidade escolar. As Associações de Pais e Mestres, a Apeoesp , e outras entidades não foram chamadas para discutir este plano de governo estadual. Simplesmente houve um comunicado do que será feito.

O modo autoritário de gestão gera , sem sombra de dúvida, o confronto.

Em um Estado de Direito Democrático o que se espera é o diálogo , com a participação de todos os envolvidos para que soluções sejam encontradas para todos, afinal quem paga os impostos? Quem precisa da educação pública e de qualidade?

Ainda não se sabe ao certo quantas escolas sofrerão com esta reorganização. A Apeoesp lançou uma lista de 116 escolas que serão fechadas , mas as Diretorias de Ensino, responsáveis pelo estudo de deslocamentos da região que supervisionam, ainda não resolveram a questão.

Fechar escolas é um desatino.

O argumento é de que houve um enxugamento no número de matrículas.

Mas será que houve mesmo? Vamos aos números.

Se olharmos os dados do Censo Escolar vamos conferir o número total de alunos matriculados no Estado de São Paulo:

2014 = 10.320.191

2010 = 10.508.042

2000 = 9.693.587

Há um aumento do número de alunos de 2000 para 2014, com ligeira queda de 2010 para 2014.

Mas o curioso é observarmos os dados de responsabilidades pelo atendimento dos alunos.

Quantos alunos deste total de matrículas são de responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo?

Nota-se que do total de matrículas coube para a Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo atender 41% (rede estadual de ensino). Os municípios ficaram com 37% (rede pública municipal) e as instituições de ensino privadas com 22% (rede particular de ensino).

Está incluído nestes 41% educação infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, EJA Fundamental e Médio (presencial e semi-presencial) e Educação Especial (escolas e classes especiais),portanto, tudo.

Somente as etapas do Ensino Fundamental e Ensino Médio o Estado de São Paulo é responsável pelo atendimento de 3,8 milhões.

Mas estou a trabalhar com todas as diferentes etapas da Educação Básica.

Em 2010

A rede pública de ensino estadual atendia 46% do total de matrículas em 2010, 36% ficou sob a responsabilidade dos municípios ( rede de ensino municipal) e 18% para a rede de ensino particular.

Em 2000

Em 2000 a rede pública de ensino estadual se responsabilizava por 59% do total de matrículas do Estado de São Paulo, a rede de ensino municipal ficava com 27% e a rede privada com 14%.

As matrículas de responsabilidade federal (grande parte no ensino médio) não as incluí porque são bem pequenas para efeito de cálculo, não chegam a 1%, em geral do Ensino Médio. Isso se deve porque a responsabilidade da Educação Básica não é federal, esta limita-se ao Educação Superior.

Muito embora tenha ocorrido um aumento no número total de matrículas de 2000 para 2014, com uma ligeira queda entre 2010 para 2014 , a responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação diminuiu:

2000 – 59%

2010 – 46%

2014 – 41%

É interessante notar também que os Municípios aumentaram a sua participação:

2000 -27%

2010 -36%

2014 -37%

Mas quem de fato cresceu em números de matrículas foi o setor privado:

2000 -14%

2010 -18%

2014- 22%

Então, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo efetivamente tem encolhido a sua participação no atendimento de matrículas de alunos no Estado de São Paulo e quem tem sido favorecido com este encolhimento é o setor de ensino privado:

O número de escolas privadas proliferou e a melhoria de renda da população nesses últimos anos aumentou, fatores que fizeram com que houvesse uma transferência significativa de matrículas para as escolas privadas.

Mas temos que ter em mente que nossa Constituição garante a educação pública para todos. O Estado encolher e deixar para o setor privado atender uma boa parcela das matrículas não parece ser uma boa política pública.

Os municípios aumentaram o atendimento de 2000 para 2010 , passou de 27% para 36% , mas nesses últimos anos mantiveram o mesmo patamar.

Quem encolheu foi a rede pública estadual e quem cresceu foi a rede privada de ensino.

Esta é a intenção , portanto, da política de reorganização das escolas públicas estaduais, encolher mais um pouco.

E quem sofre com isso? As crianças e jovens das classes menos favorecidas da população paulista.

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