A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, atendendo uma política implementada pelo Governador Geraldo Alckmin (PSDB), está colando em prática o programa de Reorganização do Sistema Ensino Público do Estado de São Paulo.

A ideia é fazer com que cada unidade escolar atenda apenas um ciclo de ensino, por exemplo:

– anos iniciais do ensino fundamental
– anos finais do ensino fundamental
– ensino médio

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo alega que :

– Escolas de ciclo único tem desempenho 10% superior na comparação com aquelas que têm vários ciclos;

– Que o Estado de São Paulo teve uma queda de 1,3% ao ano de pessoas em idade escolar;

– A rede pública estadual perdeu 2 milhões de alunos em 17 anos;

– A remanejamento dos alunos terá como critérios: estudo de geolocalização e um deslocamento de 1,5 km .

– Aproximadamente serão 1 milhão de alunos transferidos.

Os alunos e professores são contrários a esta reorganização e se manifestam nas ruas das cidades porque:

1) Os pais de alunos irmãos terão dois deslocamentos a cumprir se um dos filhos estudar, por exemplo, no 5o ano e o outro no 6o ano , porque um será matriculado em uma unidade escolar e o outro em outra;

2) Não há como escolher a unidade escolar. A responsabilidade pelo critério de mudança , com matrícula automática, está a cargo das Diretorias de Ensino.

3) Um professor que, por exemplo, leciona Matemática de 6o ao Ensino Médio em uma única unidade escolar, terá que se deslocar porque lecionará em duas unidades distantes entre si . Em cidades grandes sabemos o quanto é oneroso em termos financeiros e físicos/emocional o deslocamento.

4) Com a reorganização provavelmente as salas de aulas ficarão mais cheias.

5) E o mais importante, toda esta mudança que mexe com a vida de muitos não foi discutida com a comunidade escolar. As Associações de Pais e Mestres, a Apeoesp , e outras entidades não foram chamadas para discutir este plano de governo estadual. Simplesmente houve um comunicado do que será feito.

O modo autoritário de gestão gera , sem sombra de dúvida, o confronto.

Em um Estado de Direito Democrático o que se espera é o diálogo , com a participação de todos os envolvidos para que soluções sejam encontradas para todos, afinal quem paga os impostos? Quem precisa da educação pública e de qualidade?

Ainda não se sabe ao certo quantas escolas sofrerão com esta reorganização. A Apeoesp lançou uma lista de 116 escolas que serão fechadas , mas as Diretorias de Ensino, responsáveis pelo estudo de deslocamentos da região que supervisionam, ainda não resolveram a questão.

Fechar escolas é um desatino.

O argumento é de que houve um enxugamento no número de matrículas.

Mas será que houve mesmo? Vamos aos números.

Se olharmos os dados do Censo Escolar vamos conferir o número total de alunos matriculados no Estado de São Paulo:

2014 = 10.320.191

2010 = 10.508.042

2000 = 9.693.587

Há um aumento do número de alunos de 2000 para 2014, com ligeira queda de 2010 para 2014.

Mas o curioso é observarmos os dados de responsabilidades pelo atendimento dos alunos.

Quantos alunos deste total de matrículas são de responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo?

Nota-se que do total de matrículas coube para a Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo atender 41% (rede estadual de ensino). Os municípios ficaram com 37% (rede pública municipal) e as instituições de ensino privadas com 22% (rede particular de ensino).

Está incluído nestes 41% educação infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, EJA Fundamental e Médio (presencial e semi-presencial) e Educação Especial (escolas e classes especiais),portanto, tudo.

Somente as etapas do Ensino Fundamental e Ensino Médio o Estado de São Paulo é responsável pelo atendimento de 3,8 milhões.

Mas estou a trabalhar com todas as diferentes etapas da Educação Básica.

Em 2010

A rede pública de ensino estadual atendia 46% do total de matrículas em 2010, 36% ficou sob a responsabilidade dos municípios ( rede de ensino municipal) e 18% para a rede de ensino particular.

Em 2000

Em 2000 a rede pública de ensino estadual se responsabilizava por 59% do total de matrículas do Estado de São Paulo, a rede de ensino municipal ficava com 27% e a rede privada com 14%.

As matrículas de responsabilidade federal (grande parte no ensino médio) não as incluí porque são bem pequenas para efeito de cálculo, não chegam a 1%, em geral do Ensino Médio. Isso se deve porque a responsabilidade da Educação Básica não é federal, esta limita-se ao Educação Superior.

Muito embora tenha ocorrido um aumento no número total de matrículas de 2000 para 2014, com uma ligeira queda entre 2010 para 2014 , a responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação diminuiu:

2000 – 59%

2010 – 46%

2014 – 41%

É interessante notar também que os Municípios aumentaram a sua participação:

2000 -27%

2010 -36%

2014 -37%

Mas quem de fato cresceu em números de matrículas foi o setor privado:

2000 -14%

2010 -18%

2014- 22%

Então, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo efetivamente tem encolhido a sua participação no atendimento de matrículas de alunos no Estado de São Paulo e quem tem sido favorecido com este encolhimento é o setor de ensino privado:

O número de escolas privadas proliferou e a melhoria de renda da população nesses últimos anos aumentou, fatores que fizeram com que houvesse uma transferência significativa de matrículas para as escolas privadas.

Mas temos que ter em mente que nossa Constituição garante a educação pública para todos. O Estado encolher e deixar para o setor privado atender uma boa parcela das matrículas não parece ser uma boa política pública.

Os municípios aumentaram o atendimento de 2000 para 2010 , passou de 27% para 36% , mas nesses últimos anos mantiveram o mesmo patamar.

Quem encolheu foi a rede pública estadual e quem cresceu foi a rede privada de ensino.

Esta é a intenção , portanto, da política de reorganização das escolas públicas estaduais, encolher mais um pouco.

E quem sofre com isso? As crianças e jovens das classes menos favorecidas da população paulista.

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No computador nosso de cada dia há alguns softwares que são preciosas ferramentas para elaboração de uma aula:

internet

Trata-se aqui de aprender a lidar com eles para enriquecer as atividades escolares dos alunos.

Este workshop é ministrada em laboratório de informática para que os professores possam aprender de forma prática a manipular estes recursos tecnológicos.

Ótima atividade para compor o planejamento  !

Contrate : centrodestudos@centrodestudos.com.br

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Você já sonhou em estudar, trabalhar ou mesmo poder matricular o seu filho no Ensino Médio em uma escola que não tem nota, nem disciplinas isoladas, nem exame final e, tampouco, aulas que o professor fica a falar diante dos alunos  perfilados em suas carteiras ?

Uma escola de período integral , cujas manhãs são reservadas para o ensino mais teórico, digamos assim , e à tarde para as oficinas práticas que o próprio aluno escolhe , com no máximo 30 alunos por sala ?

Você já sonhou com uma escola cujo o objetivo maior é o de desenvolver a personalidade do aluno, ajudando-o a descobrir o ramo de atividade para o qual tem vocação, preparando-o para enfrentar um mundo difícil e em constante mutação ?

Uma escola que professores não ficam apavorados com a cola porque as avaliações tem consulta livre: o aluno pode recorrer a anotações, cadernos, mapas e livros porque o importante é o processo de estudo e não o erro e a decoreba?

E você já sonhou em estudar em uma escola que mesmo após 40 anos ela ainda permaneça viva em seu coração e em suas lembranças, de tal forma que você sentiu forte necessidade de  reencontrar com os seus colegas de turma e com seus ex-professores para com eles criar uma associação cuja missão é mantê-la viva na história da educação brasileira?

E você já sonhou com tudo isso ocorrendo em uma escola pública?

Pois não é que tudo isso já existiu?

Nos anos 60, do século XX, foram criados os Ginásios Vocacionais primeiramente em São Paulo, Americana e Batatais e depois em Barretos, Rio Claro e São Caetano do Sul. Leia um trecho de um artigo de José Hamilton Ribeiro que saiu na Revista Realidade em abril de 1967 (o artigo na íntegra você poderá ler aqui)

“Os cinco ginásios vocacionais em funcionamento estão localizados em Batatais, Barretos, Rio Claro, Americana e São Paulo (Brooklin). Cada um tem um programa de estudo adaptado à sua cidade, por exemplo, Americana, fundada por americanos, os alunos de primeira série podem começar o ano estudando a Guerra de Secessão do Estados Unidos. Enquanto isso, no ginásio de Batatais, os mesmos alunos de primeira série estão iniciando as atividades em volta de um quadro de Portinari: o pintor nasceu na região (Brodósqui) e deixou muitas obras espalhadas pela cidade, já em Barretos tudo pode ter seu começo numa fazenda, à beira de um curral de zebus.”

Nos Ginásios Vocacionais estudaram mais de 8 mil alunos entre os filhos da elite paulistana e de operários, mas exatamente em 12 de dezembro de 1969 policiais invadiram as seis escolas prendendo professores e pais de alunos e decretando o fim dos colégios vocacionais.

Toda essa história está contida no documentário Sete Vidas eu Tivesse… dirigido por José Maurício de Oliveira, da turma de 63 do GEVOA, em homenagem a diretora Maria Nilde Mascellani

As instituições de ensino podem pedir uma cópia de outros documentários a respeito , como Vocacional Uma Aventura Humana visando exibí-las para seus professores e alunos por intermédio da GVive -Associação de Ex-alunos, Ex-Colaboradores e Amigos do Sistema de Ensino Vocacional do Estado de São Paulo –  gvive@gvive.org.br

Uma ótima opção para o planejamento do ano letivo de 2014.

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Aguardemos para saber se a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo efetivamente cumprirá o que foi pronunciado.


Por: Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

Em 11/11/2013, o governador Geraldo Alckmin e o Secretário da Educação, Herman Voorwald, anunciaram, no Palácio dos Bandeirantes, o aprimoramento da progressão continuada na educação pública paulista.

Em 2014, a rede estadual de São Paulo passará a ter três ciclos no Ensino Fundamental. Com a mudança no sistema de progressão continuada, essa fase da escolaridade passará a ser dividida em três etapas: do 1ª ao 3º ano, do 4º ao 6º ano e do 7º ao 9º ano. A medida mudará a vida escolar de 2,5 milhões de estudantes.A reorganização da progressão continuada foi pensada em conjunto com os servidores da rede estadual de ensino, durante mais de 70 reuniões, iniciadas pelo secretário Herman Voorwald em 2011. As conversas resultaram na elaboração de um documento, que serviu de base para a construção do novo plano de ensino.

“Trata-se de um projeto construído em conjunto com os nossos educadores, a partir da percepção real daqueles que conduzem as ações e a rotina escolar dentro da sala de aula. Ouvir a rede era o principal requisito para a elaboração e implantação de uma nova proposta”, afirma o secretário Herman Voorwald.

Mudanças

Atualmente, o Ensino Fundamental está dividido em duas etapas, os anos iniciais, do 1º ao 5º ano, e os anos finais, do 6º ao 9º ano. Com a nova formatação em três ciclos, os estudantes poderão ficar retidos três vezes ao longo do Ensino Fundamental, ao final de cada uma das etapas. Esses estudantes passarão por uma recuperação intensiva, ao longo de um ano, onde farão a revisão dos conteúdos com estratégias pedagógicas diferenciadas e específicas, de acordo com as suas necessidades.

Conforme o Secretario de Educação do Estado de São Paulo, a nova estrutura permitirá o acompanhamento permanente do aluno ao longo dos ciclos, também, por meio das novas ferramentas de recuperação escolar, como a recuperação contínua, na qual as classes contam com um professor-auxiliar, que dá suporte ao docente titular para o atendimento dos jovens com necessidade de reforço.

Atualmente, mais de 149 mil estudantes da rede estadual passam por alguma modalidade de recuperação. Na “intensiva” são atendidos 22 mil alunos. Já na modalidade “contínua”, 31 mil professores-auxiliares dão suporte para os docentes titulares na recuperação imediata do conteúdo para 127 mil alunos.

Além disso, ainda são realizadas a recuperação nas férias escolares, que atendeu 70 mil estudantes no último mês de julho, e o reforço aos sábados, que somente em outubro foi indicado para 215 mil jovens.

Com os ciclos menores aliados às ferramentas de reforço, o acompanhamento dos estudantes ao longo do Ensino Fundamental será , segundo o Secretario de Educação, ainda mais efetivo. Dessa forma, o aluno que tiver dificuldade durante o processo de aprendizagem terá ainda mais oportunidades para recuperar o conteúdo. “O pressuposto da progressão continuada está mantido e é a nossa diretriz, pois perseguimos a meta de que todos os alunos aprendam, com os recursos necessários para suas especificidades”, explica Maria Elizabete da Costa, coordenadora de Gestão da Educação Básica (CGEB).

Avaliação e notas

A partir de 2014, a Avaliação de Aprendizagem em Processo da rede estadual ocorrerá ao final de cada bimestre. O exame é utilizado pelos educadores para analisar o nível de aprendizado dos estudantes e, com isso, traçar estratégias e metas para garantir o desenvolvimento dos alunos. Saiba mais aqui.

A rede estadual paulista conta ainda com um currículo unificado, que permite que os estudantes em todo o Estado aprendam os mesmos conteúdos, além de avaliações permanentes e Boletim Escolar publicado ao final de cada bimestre. As notas dos estudantes também podem ser consultadas aqui no Portal da Educação. Um levantamento recente aponta que 61% dos pais acompanham o boletim de seus filhos.

Fonte: Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

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01
set

 

O Prof. Dr. Luis Carlos de Freitas, professor da Faculdade de Educação da Unicamp, analisa a proposta de educação do Governo Haddad para o município de São Paulo em duas partes: a primeira salientando as virtudes da proposta e a segunda diz respeito aos problemas. Vejamos a análise:

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Virtudes

São muitos os aspectos que podem ser considerados na análise de uma proposta ampla como a feita pela Secretaria de Educação da Rede Municipal de São Paulo. Selecionei alguns com os quais tenho mais familiaridade.

Em primeiro lugar é importante assinalar que a proposta procura resgatar a conexão com princípios e conceitos importantes produzidos de longa data no âmbito dos educadores profissionais, entre eles: a discussão e a ampliação progressiva da jornada dos alunos na perspectiva da Educação Integral em tempo integral; a adoção do conceito de qualidade social da educação, tendo por base a formulação do Conselho Nacional de Educação em seu Artigo 9º. da Resolução número 4 de 2010; o envolvimento das famílias no processo educativo que também é um princípio que orienta a reestruturação proposta; o princípio da autonomia das escolas na formulação de seus projetos pedagógicos, disposto na Resolução CNE/CEB número 4 de 2010 e a gestão participativa e democrática da Educação Municipal.

 

Em segundo lugar, só o fato de existir uma proposta articulada e pública do que o governo municipal da capital paulista pretende fazer já é louvável. Isso não é tão frequente. No Brasil, os políticos vão para os cargos e se contentam em repetir os discursos que fizeram durante a campanha, sem detalhar como eles terão concretude durante sua gestão. Hoje temos uma proposta para discutir e para cobrar. Isso não é pouco.

Em terceiro lugar, os problemas que a proposta procura encaminhar não são invenções ou suposições. Eles são reais. Em especial em relação à progressão continuada e suas interpretações, eles existem igualmente na rede estadual de ensino de SP e lá eles estão procurando lidar com estes mesmos limites há décadas. Portanto, temos duas redes de ensino que apresentam problemas semelhantes ao usar a mesma forma de organização do trabalho pedagógico: a progressão continuada.

Esta é a herança que o governo Haddad recebe. No passado poder-se-ia ter seguido por outros caminhos, por exemplo, a adoção dos ciclos de formação e não a progressão continuada (e sua irmã gêmea, a aprovação automática). A progressão continuada apareceu para “abrir a porta de saída” da escola e desafogar as redes na década de 90. A crítica a este sistema está feita na academia há muito tempo. Sua implantação substituiu a reprovação explicita pela reprovação branda, ou seja, imperceptível, que se desenvolve em trilhas de progressão que não conduzem à aprendizagem – uma eliminação adiada da criança que se concretiza ao final do ciclo. Ele não tem nenhuma fundamentação nos estudos do desenvolvimento da criança e do adolescente. Foi pensado apenas para juntar as séries e retirar a reprovação de final de ano. Não propõe nenhuma mudança nos tempos e espaços da escola.

Os ciclos de formação são mais estruturados teórica e praticamente, pois implicam em articular a escola aos tempos da vida – aproximadamente 3 anos da infância, 3 anos da pré-adolescência, e 3 anos da adolescência. Mas a tônica não é a estrutura e sim a reorganização dos tempos e espaços da escola. Penso que, pelo menos em estrutura, a mudança proposta pela Secretaria aproxima-se mais dos ciclos de formação do que da progressão continuada. Eu teria avançado em direção aos ciclos de formação e não para uma recuperação da noção de progressão continuada. Não acho que a progressão continuada seja um sistema defensável. Fico surpreendido com o grau de mobilização em torno de sua defesa, porque ele apenas transforma a reprovação formal em reprovação informal, que ocorre, para muitos, por decurso de prazo. Mas a Secretaria preferiu investir em uma distinção entre progressão continuada e aprovação automática, recuperando a primeira pela negação da segunda, e preservando uma unidade com o que já estava sendo feito. Mas a nova estrutura proposta: Ciclo de alfabetização, Ciclo intermediário e Ciclo autoral, está estruturalmente mais em sintonia com os tempos de desenvolvimento das crianças: infância, pré-adolescência e adolescência. Talvez no futuro se possa dar um salto na direção dos ciclos de formação.

Em quarto lugar, é neste contexto que temos de analisar com cautela a questão da dependência, reprovação, boletins e notas ao invés de conceitos. A primeira reação é sempre contra tais medidas por que sabemos que em especial a reprovação não conduz a mais aprendizagem. Mas não existe só este lado da questão. A questão é como fazer a progressão continuada, que sabemos cria trilhas que acobertam a reprovação, ser de fato um sistema que ensina a todos e a cada um. A opção foi por apertar os sistemas de avaliação combinada por acompanhamento. Ou seja, tentar tornar a promessa da progressão continuada uma realidade.

O conceito de avaliação adotado – diagnóstica e formativa – está coerente. As ações consideradas mais “duras” (reprovação, nota, etc.) têm que ser vistas dentro desta concepção maior. A proposta é ter um sistema que evite chegar até a reprovação, mas que assinala para os pais e para as crianças que ela pode ocorrer. É conhecida a queixa dos professores que operam em sistemas de progressão continuada: “não tenho como exigir que o aluno estude, pois ele sabe que vai passar de qualquer forma”. Isso não é uma invenção, é uma realidade.

Neste sentido, e só neste, é bem vinda a recuperação de um pouco mais de autoridade do professor sobre as exigências que faz aos estudantes.

É importante ressaltar, finalmente, que a concepção de educação infantil está corretamente formulada em minha apreciação, apesar de não ser especialista nesta área. Como está formulada, interpreto que não é objetivo da Secretaria antecipar a escolarização da educação infantil como tem sido proposto por muitos.

Problemas

O principal problema diz respeito à montagem deste sistema de apoio ao professor e ao estudante para que ele possa evitar a reprovação. Isso não está suficientemente claro e terá que ser discutido com a rede municipal em duas direções, a meu ver: primeiro é preciso um grande diagnóstico da rede– e aí está uma falha da proposta, a proposta não parte de um diagnóstico explícito reduzindo-se a pontuações dos alunos na Prova Brasil – que rastreie as condições de funcionamento da rede.

Em segundo lugar, aprendemos de estudos no passado que o problema não está na formulação das soluções, mas em como elas ganham ou não concretude na materialidade da escola. E aqui cabe um alerta: boa parte das soluções propostas já foram tentadas sem sucesso em outras redes. Infelizmente os autores não rastrearam estudos e pesquisas no campo e ficaram apenas nos documentos legais. Há que se aprender com as experiências dos outros. Torna-se fundamental, portanto, que cada escola tenha uma estratégia concreta para atuar na diversificação dos tempos de aprendizagem dos estudantes, segundo suas dificuldades, que seja viável na materialidade da escola. Questões como: quem atuará na recuperação das crianças? O próprio professor dela ou um desconhecido que não sabe das dificuldades da criança? Em que momento? No contra turno ou na própria sala de aula? Com que metodologia se tratará com as dificuldades da criança? Mais do mesmo que já não funcionou antes não resolverá. São questões práticas e não teóricas as que impedem o acompanhamento. Não adianta confiar em lição de casa. Isso é mais mito que realidade. Enfim, falta levar em conta a evidência empírica disponível e olhar concretamente para a materialidade das escolas.

Uma preocupação ligada a isso se deve a que se detalha como será a formação continuada dos professores, mas não se detalha como será o sistema concreto de apoio ao aluno. Isso sugere que se pense que dar condições aos professores para atuarem se limita a cuidar de sua formação continuada. No entanto, isso aponta para a culpabilização do professor. Não que ele não seja importante, mas sabemos que as variáveis externas à escola que operam sobre a aprendizagem dos alunos são mais incisivas (60%) do que as internas à escola, incluindo o professor (20%) – a literatura é clara a este respeito.

Em terceiro lugar, há um preocupante elemento introduzido na proposta que são os projetos integradores, em especial, no meu entender, no ciclo intermediário. Como já alertaram vários pesquisadores, a utilização de “projetos” como âncora de aprendizagem tende a deixar as crianças mais necessitadas sem efetivo apoio para aprender. Dilui-se o conteúdo e o efeito poderá ser contrário ao esperado.

Em quarto lugar, há uma diminuição da importância de alguns conceitos e princípios muito bons, elencados no início da proposta, mas que não são considerados no momento de se discutir os indicadores de qualidade de ensino, ficando-se somente no indicador do IDEB, o qual é uma medida falha. Seria necessário ampliar a “cesta de indicadores” para poder falar da qualidade social que a proposta incorpora em seus fundamentos. Isso ainda pode ser feito. Mesmo assim, diminuir o número de provas e concentrar no IDEB faz sentido por ser uma prova nacional, desde que se criem novos indicadores para outras dimensões da formação das crianças o que é diferente de agregar mais provas como alguns sugerem. Não tenho saudade da Prova São Paulo. Prefiro adicionar a provinha Brasil para posicionamento da criança e do professor ao longo do ano.

Em quinto lugar, de forma bastante disfarçada, introduz-se consequências para o avanço das escolas no IDEB ao se vincular este ao Prêmio de Desenvolvimento Educacional. Não está explicitado como isso será feito e isso é motivo de preocupação, pois há suficiente evidência empírica sobre a inadequação destas associações.

Em sexto lugar, a disponibilização de um banco de itens do IDEB para os professores, mesmo na forma optativa, irá desenvolver uma cultura de preparação para os testes do IDEB. Se há premiação, como sugere a vinculação já mencionada com o Prêmio de Desenvolvimento Educacional, a relação vai ser estabelecida e poderá haver, é claro, uma corrida à preparação para o teste, tirando tempo de aprendizagem da criança e promovendo estreitamento curricular.

Em sétimo lugar, o novo formato sugerido pela proposta enfatiza Língua Portuguesa e Matemática – em que pese apontar para uma matriz formativa mais ampla como princípio. Novamente, ao se converter em ações, o princípio se perde e só se salvam Língua Portuguesa e Matemática e com elas História, Geografia e Ciências. As demais viram projetos integrados o que sugere que há uma ênfase naquilo que cai no IDEB/ENEM – Leitura, Matemática, Ciências, História e Geografia. O risco de secundarização do conteúdo de importantes disciplinas na formação da criança é grande (p. ex. Artes e Educação Física). Há evidência empírica sugerindo que estas disciplinas são fundamentais para o desenvolvimento dos processos de criação e inovação e, portanto para a competividade internacional dos países.

Finalmente, sempre defendi que mudanças em grandes redes se façam por partes e nunca para todo o conjunto das redes. Teria sido melhor concentrar a implementação das mudanças por Ciclos e avançar progressivamente com uma nova geração de estudantes. As propostas poderiam ter sido otimizadas e testadas com um menor número de alunos, facilitando a montagem das soluções. Mas, a pressão por resultados é grande na política e acaba atropelando a cautela.

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A partir do dia 08/04 até o dia 26/06 a Profa Sônia Maria Aranha  ministrará  curso de formação para professores na EMEF Oziel Alves Pereira de Campinas.

O curso Projetos Interdisciplinares na Escola será realizado na modalidade semi-presencial, com uma carga horária de 60 horas, distribuídas em 6 (seis) encontros presenciais e 19 aulas a distância utilizando o ambiente virtual de aprendizagem do CentrodEstudos www.centrodestudos.com.br .

Estarão envolvidos no curso 20 professores de 6° ao 9° ano do ensino fundamental , mais a Orientadora Educacional e a Coordenadora Pedagógica.

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O curso objetiva compreender o modo mais adequado para elaborar um Projeto Interdisciplinar e, sobretudo, reconhecer quais são os desafios que nos deparamos ao optarmos por essa proposta política/pedagógica mais adequada para o momento histórico que estamos a viver.

O curso Projetos Interdisciplinares na escola é dividido nos seguintes módulos de estudo:

Módulo I : O novo modo de produção capitalista
Módulo II: Descartes e Isaac Newton x Teoria do Caos
Módulo III: Conceitos de Multiplicidade e Hipertexto
Módulo IV: Pensamento e Linguagem
Módulo V: Contextualização e Interdisciplinariedade
Módulo VI : Orientação para Elaboração do Projeto Interdisciplinar.

Seria uma contradição discutir  interdisciplinaridade se o curso não buscasse, também ele ser interdisciplinar. Por isso, será percorrido o caminho da física, da matemática, da gestão organizativa, da economia, da psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento, da pedagogia, da legislação do ensino, da Internet, do cinema e da literatura.

Por intermédio da leitura dos diversos tipos de textos oriundos das diferentes áreas do conhecimento, vamos tentar compreender que estamos inseridos no epicentro de uma gigantesca mudança social, a qual deixa de lado, a cada dia que passa, a visão de mundo mecanicista da ciência cartesiana-newtoniana, em busca de novos paradigmas mais apropriados ao mundo globalmente interligado, no qual fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais são todos interdependentes.

Essa nova percepção sobre o mundo é que possibilitará uma prática pedagógica apoiada em Projetos Interdisciplinares, cujos inúmeros desafios vamos tentar descobrir.

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O Ministério da Educação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem liberado recursos para a construção de 6.116 quadras esportivas e cobertura de outras 4 mil em escolas públicas de todo o Brasil. Os gestores da rede estadual de educação têm até 29 de setembro para indicar, pela internet, as escolas públicas de educação básica que terão prioridade no repasse para as obras.

A partir de agora, podem ser indicadas escolas com menor número de alunos — mínimo de 100 matrículas. Até o primeiro semestre deste ano, somente instituições com até 500 alunos atendiam o critério de seleção para o recebimento dos recursos. Dos R$ 4 bilhões a serem investidos até 2014 na construção e cobertura de quadras, o FNDE já liberou R$ 1,14 bilhão.

A meta para este ano é liberar recursos para a construção de 1,5 mil quadras e cobertura de outras mil. O FNDE já aprovou 445 projetos de construção e outros 877 de cobertura.

A indicação das escolas deve ser feita no Sistema de Informações Integradas de Planejamento (Simec) do Ministério da Educação.

O valor médio para construir uma quadra varia de R$ 240 mil a R$ 500 mil; para a cobertura, de R$ 120 mil a R$ 240 mil. Embora o FNDE tenha um projeto-padrão, as escolas podem apresentar projetos próprios, que serão avaliados pela área técnica do órgão. “As quadras passaram a incorporar, em 2011, a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2”, explica Renilda Lima, diretora de gestão, articulação e projetos educacionais do FNDE. “Já temos mais de mil municípios atendidos em todos os estados.”

Os recursos são repassados a prefeituras e a secretarias estaduais de educação por meio do Plano de Ações Articuladas (PAR). “Até hoje, liberamos recursos para a construção e cobertura de 2.862 quadras esportivas”, diz Renilda.

Os alunos da escola pública Vinícius de Morais, no município cearense de Maracanaú, a cerca de 10 quilômetros de Fortaleza, já têm aulas na quadra, inaugurada em 16 de março último. Antes, eles praticavam esportes no espaço de lazer público ao lado da escola. “Muitas vezes, quando chegávamos lá, a quadra de vôlei de areia estava ocupada”, conta Marcos Martins, 32, estudante de letras na Universidade Federal do Ceará. De segunda a sexta-feira, ele trabalha na escola como monitor do programa Mais Educação.

“Essa quadra foi um presente para a escola e para a comunidade”, comemora a diretora Socorro Lima da Silva. Segundo ela, duas vezes por semana alunos da Escola Municipal Walmik Sampaio de Albuquerque utilizam a quadra da escola Vinícius de Morais para as aulas de educação física. “Durante a semana, de 17h às 20h, a quadra é utilizada pela comunidade, em jogos de futsal. E, nos fins de semana, é utilizada em atividades do programa Escola Aberta, como eventos religiosos”, explica.

Além das atividades esportivas, os alunos deixam as salas de aula para usar a quadra coberta em atividades de letramento e de matemática. “Temos um palco, na quadra, usado para representar leituras” diz Marcos. “Nas atividades de matemática, as crianças sentam-se no chão da quadra para aprender multiplicação em jogos de dados.”

O secretário de educação básica do Ministério da Educação, César Callegari, afirma que o MEC vem apoiando a construção de espaços de atividades físicas nas escolas públicas. “É um componente obrigatório para os anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, inclusive com profissionais qualificados”, diz. “Mas, mesmo nos anos iniciais, as vivências esportivas devem ser desenvolvidas pelas escolas para que todos os alunos participem dessas práticas.”

Assessoria de Comunicação Social do MEC

http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=18039

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A internet possui inúmeros recursos que podem e devem ser utilizados em sala de aula:

Trata-se aqui de aprender a lidar com eles para enriquecer as aulas.

Este workshop é ministrado no laboratório de informática para que os professores possam aprender de forma prática a manipular estes recursos tecnológicos.

Ótima atividade para compor o planejamento de janeiro!

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Apesar do advento da cibernética, da automação, das novas tecnologias de informação e telecomunicação ainda é corriqueiro a presença de escolas em nossa sociedade, cuja estrutura e funcionamento está baseada no modelo taloyrista de produção, caracterizado por: divisão do tempo, especialização e distinção estanque das atividades, trabalho regularmente prescrito, hierarquia das funções, das disciplinas, dos trâmites, normas de desempenho, controles padronizados, produção em massa de produtos em série.

Como é possível a escola continuar no século XX e a sociedade, isto é, os alunos em 2012 no século XXI interagindo no Youtube, com games, no Facebook, no Twitter, navegando pela internet, ipad, ao celular?

De que forma a escola deve se transformar em um centro de inovação do pensar, da prática de ensino e da busca do saber de acordo com o século XXI ?

A palestra A Escola como Centro de Inovação vai responder essas questões.

Contrate esta palestra para o seu planejamento escolar: centrodestudos@centrodestudos.com.br

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A palestra Projetos Interdisciplinares: quais os desafios?  visa oferecer elementos para compreender:

– que a interdisciplinariedade é um dos eixos organizadores da doutrina curricular expressa na LDB;

– que a interdisciplinariedade é uma proposta política/pedagógica que promove a integração entre as diferentes áreas do conhecimento, evitando a dicotomia entre: base nacional comum e parte diversificada;

– as exigências teóricas/práticas para um Projeto Interdisciplinar;

– que autonomia intelectual, criatividade, solução de problemas, análise e prospecção são competências desenvolvidas por meio de Projetos Interdisciplinares.

É uma palestra bem aceita pelos professores e tivemos a oportunidade de ministrá-la em diferentes redes de ensino público municipal , Campinas, Caconde, dentre outros e em algumas escolas particulares.

Contrate esta palestra: centrodestudos@centrodestudos.com.br

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