06
dez

Reprovação x frequência escolar

por Sônia R. Aranha às 15:45 em: Política Educacional

No final do ano recebo sempre perguntas a respeito da frequência escolar.

Encontrei um Parecer CNE/CBE n.21/2007 que esclarece esta questão para um município de Mato Grosso do Sul que considero importante. Segue abaixo:

 

INTERESSADO: Secretaria Municipal de Educação de Costa Rica UF: MS

ASSUNTO: Solicita esclarecimentos sobre o inciso VI do art. 24, referente à freqüência
escolar, e inciso I do art. 87, referente à matrícula de crianças de seis anos no Ensino
Fundamental, ambos da LDB.

RELATORA: Regina Vinhaes Gracindo
PROCESSO Nº: 23001.000102/2007-03
PARECER CNE/CEB Nº:21/2007
COLEGIADO:CEB
APROVADO EM:8/8/2007

I – RELATÓRIO

A Secretaria Municipal de Educação de Costa Rica, Estado de Mato Grosso do Sul,
encaminhou ao Conselho Nacional de Educação ofício de nº 603/2006, solicitando
esclarecimentos sobre o inciso VI do art. 24 e o inciso I do art. 87, ambos da LDB, que
pudessem auxiliar na compreensão da exigência de freqüência escolar.

A SME pergunta:

Quanto a freqüência exigida será 75%, no cômputo geral para aprovação ou
75% a partir da data do ingresso do aluno na Unidade Escolar, mesmo que este
tenha ingressado no 4º. (quarto) bimestre?

Verifica-se, inicialmente, que a consulta pode ter sido ultrapassada no tempo. Contudo, dada a relevância do tema e as inúmeras dúvidas apresentadas sobre o mesmo, este parecer apresenta-se ainda pertinente.

O tema freqüência escolar encontra-se consignado no inciso VI do art. 24 da LDB
que assim estabelece:

Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de
acordo com as seguintes regras comuns:
I …………………………………..
II …………………………………..
III ………………………………….
IV ………………………………….
V……………………………………

VI – o controle de freqüência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a freqüência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para apCabe destacar que a LDB assinala dois pontos importantes a serem observados pelos sistemas de ensino. Primeiro, que o controle de freqüência deve ficar a cargo da escola. No entanto, esclarece que as normas para tal controle devem estar consignadas no seu regimento escolar, bem como nas do respectivo sistema de ensino. Em segundo lugar, estabelece que a freqüência mínima exigida para a aprovação dos estudantes é de setenta e cinco por cento do total de horas letivas.

O Parecer CNE/CEB nº 5/97, assim comenta o controle de freqüência: O controle da freqüência contabiliza a presença do aluno nas atividades escolares programadas, das quais está obrigado a participar de pelo menos 75% do total da carga horária prevista. Deste modo, a insuficiência relevada na aprendizagem pode ser objeto de correção, pelos processos de recuperação a serem previstos no regimento escolar. As faltas, não. A lei fixa a exigência de um mínimo de 75% (setenta e cinco por cento) de freqüência, considerando o “total de horas letivas para aprovação”. O aluno tem o direito de faltar até o limite de 25% (vinte e cinco por cento) do referido total. Se ultrapassar este limite estará reprovado no período letivo correspondente. A freqüência de que trata a lei passa a ser apurada, agora, sobre o total da carga horária do período letivo. Não mais sobre a carga específica de cada componente curricular, como dispunha a lei anterior. (grifo da relatora)

Com base na LDB, que estabelece que o percentual de freqüência deve incidir sobre o
total de horas letivas e no Parecer CNE/CEB nº 5/97, que indica que esse percentual deve ser
apurado sobre o total da carga horária do período letivo, fica claro que os 75% devem ser
computados sobre a carga mínima anual, estabelecida no inciso I do art. 24 da LDB, que
determina que a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por um
mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar .

Nesse sentido, em resposta à questão colocada pela Secretaria Municipal de Educação
de Costa Rica, os 75% de freqüência escolar devem ser computados sobre o total dos dias e
horas letivas desenvolvidas pela escola, no período letivo anual. Assim, mesmo para aquele
estudante que for matriculado no 4º. Bimestre, sua freqüência será a soma do que obtiver
nesse quarto bimestre na escola, mais a freqüência obtida nos demais bimestres na instituição
de ensino que encaminhou a sua transferência.

O inciso I do art. 87 não é relativo ao objeto da consulta (freqüência na Educação
Básica), no entanto, por ter sido citado no ofício da SME, enseja um esclarecimento. A partir
da implantação da Lei nº 11.114/2005, houve alteração no referido inciso, pois o município
passa a ser responsável pela matrícula de todos os estudantes, a partir dos seis anos de idade,
no Ensino Fundamental. Para melhor compreensão dessa nova sistemática, que inclui os
alunos de seis anos no Ensino Fundamental (Lei nº 11.114/2005) e amplia o Ensino Fundamental para nove anos de duração (Lei nº 11.274/2006), torna-se importante a leitura dos documentos expedidos pela Secretaria de Educação Básica do MEC
(http://portal.mec.gov.br/seb), bem como os Pareceres CNE/CEB nº 15/2006, nº 39/2006, nº 41/2006 e nº 7/2007.

Cabe ressaltar o compromisso da Secretaria Municipal de Educação de Costa Rica, MS, com a qualidade do seu trabalho, evidenciado na consulta original.

II – VOTO DA RELATORA

Responda-se à Secretaria Municipal de Educação de Costa Rica, MS, nos termos deste
Parecer.

Conselheira Regina Vinhaes Gracindo – Relatora
III – DECISÃO DA CÂMARA
A Câmara de Educação Básica aprova por unanimidade o voto do Relator.
Sala das Sessões, em 8 de agosto de 2007.
Conselheira Clélia Brandão Alvarenga Craveiro – Presidente
Conselheira Maria Beatriz Luce – Vice-Presidente

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