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ago

Ideb e os Municípios

por Sônia R. Aranha às 4:27 em: Educação, Política Educacional

É muito interessante observar o Ideb  (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2009 dos municípios e encontrar muitos bons exemplos de políticas educacionais que estão atingindo os objetivos de qualidade e aqueles que ainda estão longe disso.  Fiquemos com dois exemplos:

Campinas e Jundiaí

Ao analisar os números de Campinas percebemos que os esforços não estão surtindo o resultado esperado, pelo menos para a minha expectativa enquanto educadora e cidadã. Vejamos:

O total do IDEB das escolas públicas municipais de Campinas:

     Ano de 2007       Ano de 2009
4a série/5o ano          4,7             4,7
8a série/9o ano           4,1            4,5

Em uma escala de 0 a 10, obter 4,7 é de fato inadmissível para um município que é um pólo universitário e científico. Realmente inaceitável. Se analisarmos cada escola é possível notar que apenas uma na 4ª série/5º ano superou a nota 6 que é a meta estabelecida como padrão pelo MEC para ser conquistada até 2020 e nenhuma escola na 8ª série/9º ano atingiu essa meta.

Além disso, não houve nenhuma mudança no índice da 4ª série/5º ano de 2007 para 2009.

O mesmo não se observa em Jundiaí .

          Ano de 2007          Ano de 2009
4a série/5o ano             5,3            5,8
8a série/9o ano             4,1            4,7

 Nas duas finalizações de etapas de ensino observa-se avanço significativo, mesmo quando se trata de um baixo índice como o verificado na 8ª série/9º ano.

O que faz uma rede de ensino municipal sair de sua zona de conforto e reagir aos inevitáveis dados oriundos da pesquisa do Ideb?

Segundo a pesquisa Caminhos do Direito de Aprender , realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) , cujo objetivo foi o de saber quais foram os motivos para que houvesse avanço no Ideb de 2005 para 2007 em 26 municípios. Os fatores do sucesso foram:

 1) Política Educacional: para os municípios pesquisados o fator decisivo foi o compromisso e o envolvimento do prefeito e dos dirigentes educacionais no processo de mudança no Ideb de 2005 para 2007. Nessas redes, as equipes técnicas das secretarias de Educação voltaram suas ações para apoiar as escolas e garantir melhor aprendizagem para todos – e cada um de seus alunos. Esses esforços foram identificados tanto em municípios com mais de 100 mil habitantes quanto nos de menos de 10 mil habitantes.

O caráter catalisador da gestão municipal manifestou-se de três formas:

Pela capacidade do gestor de integrar as práticas e mobilizar os diversos atores comprometidos com a melhoria da aprendizagem.

Pelo foco colocado no planejamento e acompanhamento de tais ações e práticas, de modo a orquestrá-las com um objetivo comum.

Pela gestão democrática, que leva ao envolvimento de todos os segmentos da sociedade nesse processo de planejamento e monitoramento.

 2) Formação de Professores : outro fator de sucesso  foi a promoção de cursos de formação contínua ou inicial. Dos 26 municípios pesquisados, 23 citaram a formação continuada como fator importante para o avanço dos resultados do Ideb. 

3) Práticas Pedagógicas: nos municípios pesquisados, as práticas pedagógicas também apareceram com destaque para explicar os avanços do Ideb. As estratégias que, segundo os entrevistados, mais impactaram nos resultados foram:

  • Atendimento às necessidades específicas dos alunos, com atividades de reforço ou complementares ao turno regular;
  • Priorização de atividades relacionadas à leitura e à escrita;
  • Diversificação das práticas para estimular a aprendizagem;
  • Monitoramento das ações e dos resultados, por meio de um acompanhamento contínuo do desempenho dos alunos.

4) Ambiente de Aprendizagem: a importância de se ter condições de trabalho satisfatórias e um ambiente adequado para viabilizar um projeto de educação de qualidade, embora esse não seja um fator que, isoladamente, garanta isso.

  • Ambiente colaborativo: a existência de troca e apoio mútuo;
  • Perfil dos profissionais: sua motivação, seu compromisso e sua responsabilidade.

Enfim, há exemplos de superação que deverão balizar as políticas educacionais de todos os municípios pelo simples fato de que nossos alunos têm o direito de aprender.

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