Arquivo de Escola Pública

 

A Análise Longitudinal do Número de Matrículas é um instrumento muito importante na tomada de decisão para o planejamento do ano letivo.

Trata-se da comparação do número de matrículas dos últimos cinco anos, visando saber quais são e onde ficam as portas de entrada da escola e as de saída para poder estancar estas últimas e ampliar as primeiras.

O que são portas de entrada? São as portas que o aluno entra naquela instituição escolar. Convencionalmente se uma escola possui o Infantil e o Ensino Fundamental a porta de entrada será o Infantil porque os pais matriculam seus filhos no Infantil e os mantém até o final do Ensino Fundamental.

É o que um Mantenedor de escola espera, porque uma matrícula no Infantil significa aproximadamente 12 anos de mensalidade segura e, consequentemente, a escola aberta e socialmente responsável.

Toda escola possui portas de entrada convencionais, exemplos:

Escolas que oferecem apenas o Infantil: berçário e o Infantil I.

Escolas que oferecem o Infantil e Ensino Fundamental: Infantil, 1º ano e 6º ano.

Escolas que oferecem o Ensino Fundamental e o Ensino Médio: 1º ano, 6º ano e o 1º Médio.

No entanto, pode haver outras portas de entrada menos usuais e mais pontuais de acordo com algum tipo de intervenção de marketing ou um imprevisto qualquer em um determinado ano.

Mas, infelizmente, as escolas possuem as portas de saída. E o que são elas?

As portas de saída são aquelas que se abrem para o aluno seguir seu caminho longe da escola.

Uma que é bem usual é a do 9º ano. Mesmo que a escola tenha atendido as expectativas dos alunos e de seus pais, quando chegam ao final do Ensino Fundamental querem partir para uma nova experiência educacional antes de enfrentarem a universidade. Então, o 9º ano é uma porta de saída. Porém, há outras e todo Mantenedor junto com seus colaboradores deveriam lutar para minimizá-las ao máximo. Por exemplo:

O 5º ano pode se tornar uma porta de saída. Os pais matriculam seu filho no Ensino Fundamental em uma determinada escola e durante cinco anos o nível de satisfação deles fica na ordem do moderado, com picos de decepção. Quando o período de ingresso no 6º ano se aproxima, os pais vão em busca de uma nova escola.

O 1º ano ou 2º ano também podem ser transformados em portas de saída. Os pais matriculam os filhos na Educação Infantil pretendendo mantê-lo na escola por todo o Ensino Fundamental, porque o nível de satisfação com o Infantil foi elevado. Porém, se decepcionam com o 1º ano ou 2º ano e desistem da escola.

A Análise Longitudinal de Número de Alunos além de verificar se a demanda está ou não declinante (exemplo: de 2011 a 2016 a escola perdeu 200 alunos ou ganhou 100 alunos) consegue também detectar quais foram os anos mais críticos e quais turmas se transformaram em portas de saída.

O intuito é conhecer o fluxo de matrículas ao longo dos anos para poder reverter quadros de demanda declinante visando o equilíbrio financeiro e, em alguns casos, salvar a escola da falência. Para isso, a análise indica quais cursos ou séries será preciso investir no pedagógico de modo mais significativo.

Você fornece o número de matrículas destes últimos cinco anos e nós analisamos o movimento de alunos de sua escola propondo ações pedagógicas efetivas.

Entre em contato conosco.

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Se o seu filho ficou retido e você não concorda com a decisão da escola e mora no Estado de São Paulo você deverá seguir a  Deliberação CEE n.127/2014 e da Deliberação CEE-SP n.128/2014 que alteram a Deliberação CEE-SP n.120/2014 e revoga a Deliberação CEE-SP n.11/96.

Então, o que está a valer no Estado de São Paulo é a Deliberação CEE-SP n.127/2014.

Saiba mais aqui

Procedimentos:

a)  Ter ciência da retenção;

b)  A partir da ciência de retenção você terá um prazo de 10 dias corridos (por isso, cuidado com o final de semana, porque não são úteis e sim corridos)  para entrar com Pedido de Reconsideração;

c) O pedido (elaborado em duas vias) é dirigido para a Diretora Pedagógica e protocolado na secretaria da escola;

d) Após o protocolo a escola terá 10 dias corridos para a devolutiva, porém este prazo será suspenso durante os períodos de recesso escolar e férias dos docentes;

e) A Direção da Escola convocará o Conselho de Classe e este analisará novamente o processo de ensino/aprendizagem de seu filho;

f) Se a resposta permanecer a mesma, isto é, o Conselho de Classe mantiver a retenção e , mesmo assim, você não aceitar  poderá entrar com Recurso;

g) O Recurso é protocolado também na escola, porém ele é endereçado ao Dirigente Regional de Ensino que supervisiona a escola de seu filho;

h) A escola encaminhará o pedido de Recurso para o Dirigente Regional com todos os documentos comprobatórios da decisão de retenção: diários de classe, planos de trabalho de cada componente curricular, ficha individual de avaliação periódica (de cada bimestre ou trimestre); avaliações, atas de reuniões com os pais, atas do Conselho de Classe dos bimestres ou trimestres, Regimento Escolar, Projeto Pedagógico. Enfim, todos os documentos que possam comprovar que a escola procedeu de forma correta em suas ações educativas e que a decisão de retenção é apropriada;

i) A Diretoria de Ensino terá um prazo de 15 dias para dar a devolutiva;

j) A decisão da D.E. será informada aos pais pela escola em prazo de 5 dias a partir do recebimento da devolutiva da D.E.

l) Se a decisão da D.E. mantiver a reprovação, os pais poderão entrar com Recurso Especial endereçado ao Conselho Estadual de Educação, mas só se houver um fato novo, discriminação, não cumprimento do Regimento Escolar  ou da legislação vigente. O Recurso Especial será interposto na Diretoria de Ensino após 5 dias da ciência da devolutiva.

m) A Diretoria de Ensino terá um prazo de  5 dias para encaminhar para o CEE.

n) Se houver divergência entre a decisão da escola e da Diretoria de Ensino , prevalecerá a da DE até a manifestação do CEE.

 Agora , atenção, o pedido de reconsideração é DIREITO dos alunos, mas ele deverá ser solicitado 10 dias após a ciência da reprovação . A perda do prazo inviabiliza todo o processo.

Fiquem atentos.

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Prestamos serviço de elaboração de documento de defesa do aluno e o acompanhamento do processo, mas cobramos honorários,ok? Entre em contato: centrodestudos@centrodestudos.com.br  ou sonia@centrodestudos.com.br


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No computador nosso de cada dia há alguns softwares que são preciosas ferramentas para elaboração de uma aula:

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Trata-se aqui de aprender a lidar com eles para enriquecer as atividades escolares dos alunos.

Este workshop é ministrada em laboratório de informática para que os professores possam aprender de forma prática a manipular estes recursos tecnológicos.

Ótima atividade para compor o planejamento  !

Contrate : centrodestudos@centrodestudos.com.br

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Aguardemos para saber se a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo efetivamente cumprirá o que foi pronunciado.


Por: Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

Em 11/11/2013, o governador Geraldo Alckmin e o Secretário da Educação, Herman Voorwald, anunciaram, no Palácio dos Bandeirantes, o aprimoramento da progressão continuada na educação pública paulista.

Em 2014, a rede estadual de São Paulo passará a ter três ciclos no Ensino Fundamental. Com a mudança no sistema de progressão continuada, essa fase da escolaridade passará a ser dividida em três etapas: do 1ª ao 3º ano, do 4º ao 6º ano e do 7º ao 9º ano. A medida mudará a vida escolar de 2,5 milhões de estudantes.A reorganização da progressão continuada foi pensada em conjunto com os servidores da rede estadual de ensino, durante mais de 70 reuniões, iniciadas pelo secretário Herman Voorwald em 2011. As conversas resultaram na elaboração de um documento, que serviu de base para a construção do novo plano de ensino.

“Trata-se de um projeto construído em conjunto com os nossos educadores, a partir da percepção real daqueles que conduzem as ações e a rotina escolar dentro da sala de aula. Ouvir a rede era o principal requisito para a elaboração e implantação de uma nova proposta”, afirma o secretário Herman Voorwald.

Mudanças

Atualmente, o Ensino Fundamental está dividido em duas etapas, os anos iniciais, do 1º ao 5º ano, e os anos finais, do 6º ao 9º ano. Com a nova formatação em três ciclos, os estudantes poderão ficar retidos três vezes ao longo do Ensino Fundamental, ao final de cada uma das etapas. Esses estudantes passarão por uma recuperação intensiva, ao longo de um ano, onde farão a revisão dos conteúdos com estratégias pedagógicas diferenciadas e específicas, de acordo com as suas necessidades.

Conforme o Secretario de Educação do Estado de São Paulo, a nova estrutura permitirá o acompanhamento permanente do aluno ao longo dos ciclos, também, por meio das novas ferramentas de recuperação escolar, como a recuperação contínua, na qual as classes contam com um professor-auxiliar, que dá suporte ao docente titular para o atendimento dos jovens com necessidade de reforço.

Atualmente, mais de 149 mil estudantes da rede estadual passam por alguma modalidade de recuperação. Na “intensiva” são atendidos 22 mil alunos. Já na modalidade “contínua”, 31 mil professores-auxiliares dão suporte para os docentes titulares na recuperação imediata do conteúdo para 127 mil alunos.

Além disso, ainda são realizadas a recuperação nas férias escolares, que atendeu 70 mil estudantes no último mês de julho, e o reforço aos sábados, que somente em outubro foi indicado para 215 mil jovens.

Com os ciclos menores aliados às ferramentas de reforço, o acompanhamento dos estudantes ao longo do Ensino Fundamental será , segundo o Secretario de Educação, ainda mais efetivo. Dessa forma, o aluno que tiver dificuldade durante o processo de aprendizagem terá ainda mais oportunidades para recuperar o conteúdo. “O pressuposto da progressão continuada está mantido e é a nossa diretriz, pois perseguimos a meta de que todos os alunos aprendam, com os recursos necessários para suas especificidades”, explica Maria Elizabete da Costa, coordenadora de Gestão da Educação Básica (CGEB).

Avaliação e notas

A partir de 2014, a Avaliação de Aprendizagem em Processo da rede estadual ocorrerá ao final de cada bimestre. O exame é utilizado pelos educadores para analisar o nível de aprendizado dos estudantes e, com isso, traçar estratégias e metas para garantir o desenvolvimento dos alunos. Saiba mais aqui.

A rede estadual paulista conta ainda com um currículo unificado, que permite que os estudantes em todo o Estado aprendam os mesmos conteúdos, além de avaliações permanentes e Boletim Escolar publicado ao final de cada bimestre. As notas dos estudantes também podem ser consultadas aqui no Portal da Educação. Um levantamento recente aponta que 61% dos pais acompanham o boletim de seus filhos.

Fonte: Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

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No ano em que a Copa do Mundo será no Brasil, as férias escolares serão no mesmo período dos jogos

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No ano em que a Copa do Mundo será no Brasil, as férias ocorrerão entre 12 de junho e 11 de julho, período em que os jogos de futebol acontecerão.

As mais de cinco mil escolas estaduais de São Paulo também anteciparão o início das aulas, que em vez de começar em 1º de fevereiro será feito em 27 de janeiro. Já o término do ano letivo está previsto para a segunda quinzena de dezembro.

O planejamento foi feito pela Coordenadoria de Gestão da Educação Básica (CGEB) para que a presença dos alunos em sala de aula não tivesse nenhuma interferência por causa do evento e, também, para colaborar na organização dos setores públicos e privados na oferta de serviços e diminuição do trânsito, por exemplo.

Também foi definido que os alunos, professores e servidores terão uma semana de recesso entre os dias 13 e 19 de outubro, fazendo com que o segundo semestre letivo não seja tão longo se comparado ao primeiro. A reorganização do calendário mantém a garantia dos 200 dias letivos previstos em lei, sem nenhum prejuízo curricular ou pedagógico aos estudantes.

Todas as 91 diretorias de ensino de São Paulo foram comunicadas para que avisem os pais e as comunidades escolares com antecedência. Também será reforçada a importância da participação dos alunos em todo o período letivo.

Fonte: Secretaria de Educação do Estado de São Paulo

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A avaliação diagnóstica da instituição escolar é um instrumento recomendado pela Resolução CNE/CBE nº 07/2010 que dispõe sobre as novas diretrizes curriculares nacionais do ensino fundamental de 9 anos.

“Art. 35 Os resultados de aprendizagem dos alunos devem ser aliados à avaliação das escolas e de seus professores, tendo em conta os parâmetros de referência dos insumos básicos necessários à educação de qualidade para todos nesta etapa da educação e respectivo custo aluno-qualidade inicial (CAQi), consideradas inclusive as suas modalidades e as formas diferenciadas de atendimento como a Educação do Campo, a Educação Escolar Indígena, a Educação Escolar Quilombola e as escolas de tempo integral”

Entendo que a avaliação nada mais é do que a leitura da realidade daquele momento histórico da escola visando traçar rumos para o planejamento da gestão de um próximo ano letivo, visando a superação dos problemas detectados e o aperfeiçoamento dos processos de ensino/aprendizado.

O grande objetivo da Avaliação da Instituição Escolar Interna e Diagnóstica que propomos diz respeito a  (re)significar o Projeto Político/Pedagógico da escola buscando melhorar a qualidade dos serviços prestados para os alunos , pais e a toda comunidade escolar.

Mas por que é preciso submeter à escola a uma avaliação institucional?

Uma instituição educacional passa por alguns períodos, a saber: a fundação que é um momento de realização de um sonho, a manutenção que diz respeito à sobrevivência do empreendimento educacional , o declínio  que desemboca em dois possíveis caminhos: a (re)significação do projeto escolar, iniciado no momento da fundação, ou o seu fechamento.

O mesmo ocorre com a carreira dos profissionais que atuam na escola. Segundo estudos de Huberman (1992) a carreira dos professores passam pela fase da exploração,   o início da carreira e se neste momento o professor obtiver sucesso entrará na fase da descoberta e logo após a da sobrevivência. Estas duas fases se intercalam em tempos em tempos. Mas se no início do magistério o professor colher decepções será levado a   indiferença e ao distanciamento afetivo  não tendo motivos para investir na melhoria de seu trabalho educativo.

Escola em declínio, em geral, reflete o ceticismo dos profissionais desmotivados. Círculo  vicioso que em caso de escolas particulares desembocam em falência. Nas escolas públicas o prejuízo é muito maior e nefasto porque não havendo o fechamento as crianças e adolescentes continuam a conviver com mortos-vivos que exalam distanciamento afetivo, o que acaba por contaminá-las desviando-as do caminho do conhecimento.

De modo que é imperativo que as escolas incluam em seu planejamento   a avaliação diagnóstica institucional interna que pode ocorrer em um biênio intercalada com a pesquisa de satisfação do cliente.

Momentos da Avaliação Institucional Interna e Diagnóstica :

1) Motivação -  é o momento de reunir professores , equipe pedagógica , gestores e funcionários para participar de reuniões de Desenvolvimento Motivacional –   com intuito de desencadear os sete hábitos: a proatividade, construção de objetivos, saber distinguir o que é mais importante, ganha/ganha, compreender depois ser compreendido, criar sinergia e renovar as dimensões físicas, espirituais, mental e social/emocional.

2) Diagnóstico – levantamento de dados que permitam diagnosticar a instituição escolar e construir critérios e parâmetros para conquistar avanços:

Avaliação Diagnóstica da Documentação Escolar
Avaliação Longitudinal de Matrículas
Avaliação Diagnóstica Horizontal dos Conteúdos
Avaliação Diagnóstica Vertical dos Conteúdos
Avaliação Diagnóstica dos anos (Infantil , Ensino Fundamental e Ensino Médio)
Avaliação Diagnóstica dos Eventos Disciplinares
Avaliação Diagnóstica Desempenho Docente
Avaliação Diagnóstica Desempenho Discente
Avaliação Diagnóstica Equipe Técnica Pedagógica
Avaliação Diagnóstica Infra-Estrutura

3) Análise da Avaliação Externa –   análises dos resultados da participação em avaliações externas , tais como SAEB , ENEM , dentre outros.

3) Indicadores de Mudanças – momento de apresentar os resultados das avaliações indicando mudanças a curto , médio e longo prazo (universo de dois anos)

O CentrodEstudos está preparado para ajudar a sua escola  a continuar a promover um ambiente afetivo, motivado e promissor para todos aqueles que nele convivem. Entre em contato.

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01
set

 

O Prof. Dr. Luis Carlos de Freitas, professor da Faculdade de Educação da Unicamp, analisa a proposta de educação do Governo Haddad para o município de São Paulo em duas partes: a primeira salientando as virtudes da proposta e a segunda diz respeito aos problemas. Vejamos a análise:

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Virtudes

São muitos os aspectos que podem ser considerados na análise de uma proposta ampla como a feita pela Secretaria de Educação da Rede Municipal de São Paulo. Selecionei alguns com os quais tenho mais familiaridade.

Em primeiro lugar é importante assinalar que a proposta procura resgatar a conexão com princípios e conceitos importantes produzidos de longa data no âmbito dos educadores profissionais, entre eles: a discussão e a ampliação progressiva da jornada dos alunos na perspectiva da Educação Integral em tempo integral; a adoção do conceito de qualidade social da educação, tendo por base a formulação do Conselho Nacional de Educação em seu Artigo 9º. da Resolução número 4 de 2010; o envolvimento das famílias no processo educativo que também é um princípio que orienta a reestruturação proposta; o princípio da autonomia das escolas na formulação de seus projetos pedagógicos, disposto na Resolução CNE/CEB número 4 de 2010 e a gestão participativa e democrática da Educação Municipal.

 

Em segundo lugar, só o fato de existir uma proposta articulada e pública do que o governo municipal da capital paulista pretende fazer já é louvável. Isso não é tão frequente. No Brasil, os políticos vão para os cargos e se contentam em repetir os discursos que fizeram durante a campanha, sem detalhar como eles terão concretude durante sua gestão. Hoje temos uma proposta para discutir e para cobrar. Isso não é pouco.

Em terceiro lugar, os problemas que a proposta procura encaminhar não são invenções ou suposições. Eles são reais. Em especial em relação à progressão continuada e suas interpretações, eles existem igualmente na rede estadual de ensino de SP e lá eles estão procurando lidar com estes mesmos limites há décadas. Portanto, temos duas redes de ensino que apresentam problemas semelhantes ao usar a mesma forma de organização do trabalho pedagógico: a progressão continuada.

Esta é a herança que o governo Haddad recebe. No passado poder-se-ia ter seguido por outros caminhos, por exemplo, a adoção dos ciclos de formação e não a progressão continuada (e sua irmã gêmea, a aprovação automática). A progressão continuada apareceu para “abrir a porta de saída” da escola e desafogar as redes na década de 90. A crítica a este sistema está feita na academia há muito tempo. Sua implantação substituiu a reprovação explicita pela reprovação branda, ou seja, imperceptível, que se desenvolve em trilhas de progressão que não conduzem à aprendizagem – uma eliminação adiada da criança que se concretiza ao final do ciclo. Ele não tem nenhuma fundamentação nos estudos do desenvolvimento da criança e do adolescente. Foi pensado apenas para juntar as séries e retirar a reprovação de final de ano. Não propõe nenhuma mudança nos tempos e espaços da escola.

Os ciclos de formação são mais estruturados teórica e praticamente, pois implicam em articular a escola aos tempos da vida – aproximadamente 3 anos da infância, 3 anos da pré-adolescência, e 3 anos da adolescência. Mas a tônica não é a estrutura e sim a reorganização dos tempos e espaços da escola. Penso que, pelo menos em estrutura, a mudança proposta pela Secretaria aproxima-se mais dos ciclos de formação do que da progressão continuada. Eu teria avançado em direção aos ciclos de formação e não para uma recuperação da noção de progressão continuada. Não acho que a progressão continuada seja um sistema defensável. Fico surpreendido com o grau de mobilização em torno de sua defesa, porque ele apenas transforma a reprovação formal em reprovação informal, que ocorre, para muitos, por decurso de prazo. Mas a Secretaria preferiu investir em uma distinção entre progressão continuada e aprovação automática, recuperando a primeira pela negação da segunda, e preservando uma unidade com o que já estava sendo feito. Mas a nova estrutura proposta: Ciclo de alfabetização, Ciclo intermediário e Ciclo autoral, está estruturalmente mais em sintonia com os tempos de desenvolvimento das crianças: infância, pré-adolescência e adolescência. Talvez no futuro se possa dar um salto na direção dos ciclos de formação.

Em quarto lugar, é neste contexto que temos de analisar com cautela a questão da dependência, reprovação, boletins e notas ao invés de conceitos. A primeira reação é sempre contra tais medidas por que sabemos que em especial a reprovação não conduz a mais aprendizagem. Mas não existe só este lado da questão. A questão é como fazer a progressão continuada, que sabemos cria trilhas que acobertam a reprovação, ser de fato um sistema que ensina a todos e a cada um. A opção foi por apertar os sistemas de avaliação combinada por acompanhamento. Ou seja, tentar tornar a promessa da progressão continuada uma realidade.

O conceito de avaliação adotado – diagnóstica e formativa – está coerente. As ações consideradas mais “duras” (reprovação, nota, etc.) têm que ser vistas dentro desta concepção maior. A proposta é ter um sistema que evite chegar até a reprovação, mas que assinala para os pais e para as crianças que ela pode ocorrer. É conhecida a queixa dos professores que operam em sistemas de progressão continuada: “não tenho como exigir que o aluno estude, pois ele sabe que vai passar de qualquer forma”. Isso não é uma invenção, é uma realidade.

Neste sentido, e só neste, é bem vinda a recuperação de um pouco mais de autoridade do professor sobre as exigências que faz aos estudantes.

É importante ressaltar, finalmente, que a concepção de educação infantil está corretamente formulada em minha apreciação, apesar de não ser especialista nesta área. Como está formulada, interpreto que não é objetivo da Secretaria antecipar a escolarização da educação infantil como tem sido proposto por muitos.

Problemas

O principal problema diz respeito à montagem deste sistema de apoio ao professor e ao estudante para que ele possa evitar a reprovação. Isso não está suficientemente claro e terá que ser discutido com a rede municipal em duas direções, a meu ver: primeiro é preciso um grande diagnóstico da rede– e aí está uma falha da proposta, a proposta não parte de um diagnóstico explícito reduzindo-se a pontuações dos alunos na Prova Brasil – que rastreie as condições de funcionamento da rede.

Em segundo lugar, aprendemos de estudos no passado que o problema não está na formulação das soluções, mas em como elas ganham ou não concretude na materialidade da escola. E aqui cabe um alerta: boa parte das soluções propostas já foram tentadas sem sucesso em outras redes. Infelizmente os autores não rastrearam estudos e pesquisas no campo e ficaram apenas nos documentos legais. Há que se aprender com as experiências dos outros. Torna-se fundamental, portanto, que cada escola tenha uma estratégia concreta para atuar na diversificação dos tempos de aprendizagem dos estudantes, segundo suas dificuldades, que seja viável na materialidade da escola. Questões como: quem atuará na recuperação das crianças? O próprio professor dela ou um desconhecido que não sabe das dificuldades da criança? Em que momento? No contra turno ou na própria sala de aula? Com que metodologia se tratará com as dificuldades da criança? Mais do mesmo que já não funcionou antes não resolverá. São questões práticas e não teóricas as que impedem o acompanhamento. Não adianta confiar em lição de casa. Isso é mais mito que realidade. Enfim, falta levar em conta a evidência empírica disponível e olhar concretamente para a materialidade das escolas.

Uma preocupação ligada a isso se deve a que se detalha como será a formação continuada dos professores, mas não se detalha como será o sistema concreto de apoio ao aluno. Isso sugere que se pense que dar condições aos professores para atuarem se limita a cuidar de sua formação continuada. No entanto, isso aponta para a culpabilização do professor. Não que ele não seja importante, mas sabemos que as variáveis externas à escola que operam sobre a aprendizagem dos alunos são mais incisivas (60%) do que as internas à escola, incluindo o professor (20%) – a literatura é clara a este respeito.

Em terceiro lugar, há um preocupante elemento introduzido na proposta que são os projetos integradores, em especial, no meu entender, no ciclo intermediário. Como já alertaram vários pesquisadores, a utilização de “projetos” como âncora de aprendizagem tende a deixar as crianças mais necessitadas sem efetivo apoio para aprender. Dilui-se o conteúdo e o efeito poderá ser contrário ao esperado.

Em quarto lugar, há uma diminuição da importância de alguns conceitos e princípios muito bons, elencados no início da proposta, mas que não são considerados no momento de se discutir os indicadores de qualidade de ensino, ficando-se somente no indicador do IDEB, o qual é uma medida falha. Seria necessário ampliar a “cesta de indicadores” para poder falar da qualidade social que a proposta incorpora em seus fundamentos. Isso ainda pode ser feito. Mesmo assim, diminuir o número de provas e concentrar no IDEB faz sentido por ser uma prova nacional, desde que se criem novos indicadores para outras dimensões da formação das crianças o que é diferente de agregar mais provas como alguns sugerem. Não tenho saudade da Prova São Paulo. Prefiro adicionar a provinha Brasil para posicionamento da criança e do professor ao longo do ano.

Em quinto lugar, de forma bastante disfarçada, introduz-se consequências para o avanço das escolas no IDEB ao se vincular este ao Prêmio de Desenvolvimento Educacional. Não está explicitado como isso será feito e isso é motivo de preocupação, pois há suficiente evidência empírica sobre a inadequação destas associações.

Em sexto lugar, a disponibilização de um banco de itens do IDEB para os professores, mesmo na forma optativa, irá desenvolver uma cultura de preparação para os testes do IDEB. Se há premiação, como sugere a vinculação já mencionada com o Prêmio de Desenvolvimento Educacional, a relação vai ser estabelecida e poderá haver, é claro, uma corrida à preparação para o teste, tirando tempo de aprendizagem da criança e promovendo estreitamento curricular.

Em sétimo lugar, o novo formato sugerido pela proposta enfatiza Língua Portuguesa e Matemática – em que pese apontar para uma matriz formativa mais ampla como princípio. Novamente, ao se converter em ações, o princípio se perde e só se salvam Língua Portuguesa e Matemática e com elas História, Geografia e Ciências. As demais viram projetos integrados o que sugere que há uma ênfase naquilo que cai no IDEB/ENEM – Leitura, Matemática, Ciências, História e Geografia. O risco de secundarização do conteúdo de importantes disciplinas na formação da criança é grande (p. ex. Artes e Educação Física). Há evidência empírica sugerindo que estas disciplinas são fundamentais para o desenvolvimento dos processos de criação e inovação e, portanto para a competividade internacional dos países.

Finalmente, sempre defendi que mudanças em grandes redes se façam por partes e nunca para todo o conjunto das redes. Teria sido melhor concentrar a implementação das mudanças por Ciclos e avançar progressivamente com uma nova geração de estudantes. As propostas poderiam ter sido otimizadas e testadas com um menor número de alunos, facilitando a montagem das soluções. Mas, a pressão por resultados é grande na política e acaba atropelando a cautela.

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Nesta quinta-feira  (15/08/2013)  a Prefeitura de São Paulo anunciou uma proposta de reorganização de sua rede de ensino por intermédio do programa Mais Educação.

No site do Mais Educação a população em geral , além dos profissionais da área educacional,  poderão opinar e debater cada ponto da proposta.

Abaixo segue o que está sendo proposto :

1) Autonomia das unidades escolares = fortalecimento da gestão escolar com descentralização dos recursos financeiros, técnicos e administrativos. E cada unidade escolar elaborará a parte específica de seu Regimento Escolar, também composto por uma parte comum para  todas as unidades.

2) Qualificação para o magistério = vários recursos estarão disponibilizados para o profissional da educação seguir sua formação continuada e serão organizados pelo Sistema de Formação de Educadores por intermédio de projetos, estudos, pesquisas criando 31 polos da Universidade Aberta instalados em CEUS., sendo que 18 deles serão instalados em 2013.

3) Qualidade do ensino com avaliação externa =  um novo sistema de avaliação será criado para o EJA – Educação de Jovens e Adultos e será desenvolvido um sistema de avaliação com bases nos Indicadores de Qualidade da Educação Infantil do MEC para avaliação da qualidade da Ed.Infantil aliados aos já existentes do SME. Para o Ensino Fundamental e Médio será dado continuidade ao sistema de avaliação nacional ( IDEB).

4) Avaliação para Aprendizagem e Acompanhamento = valorização do trabalho educativo, ato de cuidade , de respeito e de atenção, acompanhamento do aluno , do professor, da escola e do currículo feitos em profunda parceria com a comunidade.

5) Fim da Avaliação Automática = haverá a possibilidade de retenção no final de cada ciclo -

1º ciclo alfabetização = 1º, 2º e 3º anos , no final do 3º poderá ou não ocorrer retenção

2º ciclo interdisciplinar = 4º, 5º e 6º anos , no final do 6º ano poderá ou não ocorrer retenção.

3º ciclo autoral = 7º, 8º e 9º anos , no final do 9º poderá ou não ocorrer retenção.

6) Novo Currículo para o Ensino Básico = estruturação em 3 ciclos

1º ciclo alfabetização =(1º, 2º e 3º anos) objetiva garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até o final do Ciclo, no máximo, aos 8 (oito) anos de idade. Está centrado nos Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento, descritos no documento Elementos Conceituais e Metodológicos para Definição dos Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento do Ciclo de Alfabetização (1º, 2º e 3º anos) do Ensino Fundamental, do Ministério da Educação. A implementação das ações que visam à garantia desses direitos de aprendizagem será realizada de forma articulada ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

2. No Ciclo Interdisciplinar (4º, 5º, e 6º anos), a articulação entre as disciplinas será garantida pela presença de professores generalistas que acompanharão as turmas até o 6º ano e professores integradores em atividades de orientação aos alunos para desenvolvimento de projetos.

3. No Ciclo Autoral (7º, 8º e 9º anos), o trabalho com leitura, escrita e solução de problemas matemáticos, com pesquisa em todas as áreas do conhecimento, estimula os alunos à autoria. Este Ciclo é também momento privilegiado de autoria para os professores, que têm no espaço da aula local privilegiado para o desenvolvimento de metodologias de pesquisa na constituição de projetos junto a seus alunos.

Articulando seus nove anos de trabalhos com projetos interdisciplinares, o aluno produzirá Trabalho de Conclusão dos Ciclos – TCC – com compromisso de intervenção social.

 7) Mais vagas na rede = serão construídas 234 creches, 66 escolas de Ed.Infantil e Centros Municipais de Ed.Infantil e 20 CEUs.

Para conhecer o Mais Educação da Secretaria de Educação de São Paulo clique aqui

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Fonte: SEPE – Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro

Em assembleia realizada em 8 de agosto, na ACM, os profissionais de educação da rede estadual decidiram entrar em greve. A decisão da categoria foi tomada em virtude da continuação dos ataques do governo Cabral à educação e ao não atendimento das reivindicações da categoria.

Mobilizada desde o início da campanha salarial, em fevereiro, a rede se uniu à luta da população nos protestos realizados em junho, exigindo o fim da corrupção, dos gastos com os megaeventos e mais verbas para a Educação e Saúde.

Em junho, o governador Cabral vetou a emenda do Sepe incluída no Decreto 2.200 (do reajuste salarial de 8% aprovado pela Alerj), que determinava uma escola para cada matrícula dos professores das escolas estaduais. No final de julho, em mais uma demonstração de arrogância e desrespeito ao clamor das ruas, o secretário de educação Wilson Risolia enviou para o Conselho Estadual de Educação (CEE) uma proposta de resolução que visava reduzir em 20% as aulas presenciais para os alunos. O Sepe e a categoria se mobilizaram e pressionaram o CEE,obrigando Cabral e Risolia a recuarem.

Em agosto, os profissionais retornaram do recesso com desconto nos contracheques, em uma retaliação à nossa campanha salarial, comprovando a intransigência da Secretaria. Além disso, não houve a audiência com o secretário Risolia, em julho, como estava acordado na mesa de mediação instalada no Tribunal de Justiça do Rio.

Por isso, chegou a hora de dar um basta a tanto descaso e tantas provocações. A greve e a campanha Fora Cabral,aprovada pela assembleia da rede estadual, são uma resposta dos profissionais da rede estadual. A próxima assembleia da rede estadual, que discutirá os rumos da greve, está marcada para a quarta-feira (14/08),às 14h (local a confirmar).

O QUE A REDE ESTADUAL REIVINDICA:

1) Reajuste de 28%;
2) Derrubada do veto ao Projeto de Lei que garante uma matrícula de professor em apenas uma escola;
3) 30 horas semanais para funcionários;
4) Eleição para diretor;
5) Fim do plano de metas e
do Programa de Certificação;
6) Regularização dos animadores culturais;
7) Fora Cabral, fora Risolia.

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Fonte: Sepe – Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro

Mobilizada como há anos não se via e em luta contra a política salarial e pedagógica do prefeito Eduardo Paes e da secretária de Educação, Cláudia Costin, os profissionais das escolas municipais do Rio decidiram entrar em greve no dia 8 de agosto. Cansada de ver a farra da verba pública que o prefeito Paes promove através dos contratos e parcerias com as fundações privadas, desviando mais de 1 bilhão da verba do FUNDEB.

 

 

Com profissionais merendeiras e AAC recebendo piso abaixo do salário mínimo e professores com salários defasados; vivenciando agruras decorrentes do ataque a autonomia pedagógica, das péssimas condições de trabalho, da perda da lotação, de uma aprovação automática disfarçada, do assédio moral e da política meritocrática implementada pelo governo Paes nos últimos anos. A resposta dos profissionais é GREVE! Através da greve e da mobilização a categoria luta para conquistar mais respeito e valorização!

VEJA O QUE A REDE MUNICIPAL DO RIO ESTÁ REIVINDICANDO:

1 – REAJUSTE DE 19%;
2 – PLANO DE CARREIRA UNIFICADO;
3 – 1/3 DA CARGA HORÁRIA PARA PLANEJAMENTO;
4 – FIM DA MERITOCRACIA;
5 – FORA PAES E COSTIN

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