Arquivo de Educação

 
 

A avaliação diagnóstica da instituição escolar é um instrumento recomendado pela Resolução CNE/CBE nº 07/2010 que dispõe sobre as novas diretrizes curriculares nacionais do ensino fundamental de 9 anos.

“Art. 35 Os resultados de aprendizagem dos alunos devem ser aliados à avaliação das escolas e de seus professores, tendo em conta os parâmetros de referência dos insumos básicos necessários à educação de qualidade para todos nesta etapa da educação e respectivo custo aluno-qualidade inicial (CAQi), consideradas inclusive as suas modalidades e as formas diferenciadas de atendimento como a Educação do Campo, a Educação Escolar Indígena, a Educação Escolar Quilombola e as escolas de tempo integral”

Entendo que a avaliação nada mais é do que a leitura da realidade daquele momento histórico da escola visando traçar rumos para o planejamento da gestão de um próximo ano letivo, visando a superação dos problemas detectados e o aperfeiçoamento dos processos de ensino/aprendizado.

O grande objetivo da Avaliação da Instituição Escolar Interna e Diagnóstica que propomos diz respeito a  (re)significar o Projeto Político/Pedagógico da escola buscando melhorar a qualidade dos serviços prestados para os alunos , pais e a toda comunidade escolar.

Mas por que é preciso submeter à escola a uma avaliação institucional?

Uma instituição educacional passa por alguns períodos, a saber: a fundação que é um momento de realização de um sonho, a manutenção que diz respeito à sobrevivência do empreendimento educacional , o declínio  que desemboca em dois possíveis caminhos: a (re)significação do projeto escolar, iniciado no momento da fundação, ou o seu fechamento.

O mesmo ocorre com a carreira dos profissionais que atuam na escola. Segundo estudos de Huberman (1992) a carreira dos professores passam pela fase da exploração,   o início da carreira e se neste momento o professor obtiver sucesso entrará na fase da descoberta e logo após a da sobrevivência. Estas duas fases se intercalam em tempos em tempos. Mas se no início do magistério o professor colher decepções será levado a   indiferença e ao distanciamento afetivo  não tendo motivos para investir na melhoria de seu trabalho educativo.

Escola em declínio, em geral, reflete o ceticismo dos profissionais desmotivados. Círculo  vicioso que em caso de escolas particulares desembocam em falência. Nas escolas públicas o prejuízo é muito maior e nefasto porque não havendo o fechamento as crianças e adolescentes continuam a conviver com mortos-vivos que exalam distanciamento afetivo, o que acaba por contaminá-las desviando-as do caminho do conhecimento.

De modo que é imperativo que as escolas incluam em seu planejamento   a avaliação diagnóstica institucional interna que pode ocorrer em um biênio intercalada com a pesquisa de satisfação do cliente.

Momentos da Avaliação Institucional Interna e Diagnóstica :

1) Motivação –  é o momento de reunir professores , equipe pedagógica , gestores e funcionários para participar de reuniões de Desenvolvimento Motivacional –   com intuito de desencadear os sete hábitos: a proatividade, construção de objetivos, saber distinguir o que é mais importante, ganha/ganha, compreender depois ser compreendido, criar sinergia e renovar as dimensões físicas, espirituais, mental e social/emocional.

2) Diagnóstico – levantamento de dados que permitam diagnosticar a instituição escolar e construir critérios e parâmetros para conquistar avanços:

Avaliação Diagnóstica da Documentação Escolar
Avaliação Longitudinal de Matrículas
Avaliação Diagnóstica Horizontal dos Conteúdos
Avaliação Diagnóstica Vertical dos Conteúdos
Avaliação Diagnóstica dos anos (Infantil , Ensino Fundamental e Ensino Médio)
Avaliação Diagnóstica dos Eventos Disciplinares
Avaliação Diagnóstica Desempenho Docente
Avaliação Diagnóstica Desempenho Discente
Avaliação Diagnóstica Equipe Técnica Pedagógica
Avaliação Diagnóstica Infra-Estrutura

3) Análise da Avaliação Externa –   análises dos resultados da participação em avaliações externas , tais como SAEB , ENEM , dentre outros.

3) Indicadores de Mudanças – momento de apresentar os resultados das avaliações indicando mudanças a curto , médio e longo prazo (universo de dois anos)

O CentrodEstudos está preparado para ajudar a sua escola  a continuar a promover um ambiente afetivo, motivado e promissor para todos aqueles que nele convivem. Entre em contato.

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Mariana Tokarnia
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Escolas particulares do Distrito Federal conseguiram na Justiça o direito de escolher a duração das férias do meio do ano em 2014. O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinepe-DF) entrou com ação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) para que não precisasse cumprir os 30 dias de férias escolares estabelecidos na Lei Geral da Copa (12.663/2012). Segundo o sindicato, o longo recesso prejudicaria o ensino.ball

A decisão judicial confirma o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE), homologado pelo Ministério da Educação (MEC) no início deste ano. O MEC entendeu que a Lei Geral da Copa (12.663/2012) não pode se sobrepor à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/1996). A Lei Geral da Copa estabelece que os sistemas de ensino ajustem os calendários escolares de forma que as férias escolares das redes pública e privada abranjam todo o período da Copa, de 12 de junho a 13 de julho do próximo ano. Já a LDB define que o calendário escolar seja adequado às peculiaridades locais e que devem ser cumpridos, no mínimo, 200 dias letivos.

O MEC recomenda que os sistemas do país ajustem o calendário de aula durante o período do evento, especialmente nos locais que vão sediar os jogos. A decisão nacional foi confirmada à nível local. No DF, as escolas devem enviar o calendário escolar para a Secretaria de Educação em outubro. A decisão confere maior segurança aos centros de ensino.

Segundo a presidenta do Sinepe, Fátima de Mello Franco, no meio do ano as férias têm duração de duas semanas. O recesso prolongado prejudicaria os estudantes do ensino médio, que, em outubro, fazem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Nos anos iniciais, os pais ficariam sem ter com quem deixar os filhos, uma vez que eles mesmos não teriam um mês de férias.

“Somos favoráveis e estamos orgulhosos de sediar a Copa do Mundo, mas não queremos prejudicar o aprendizado dos estudantes”. O sindicato recomenda que as escolas liberem os alunos nos dias de jogos no DF, sejam ou não do Brasil, e nos dias em que o Brasil jogar, independente de ser no DF.

A presidenta da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pacios, diz que para todo o país, vale a recomendação do MEC. Os centros de ensino devem se programar para os dias de jogos do Brasil e as cidades-sede para os dias de jogo nas cidades.

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Por Tadeu Rover da Revista Consultor Jurídico

A Vara do Juizado Especial Cível de Bragança Paulista condenou um aluno — maior de idade — a pagar indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil a uma professora, por ter jogado uma casca de banana nela. Além do dano moral, o aluno foi condenado por apresentar testemunhas que mentiram em juízo, caracterizando ligitância de má-fé.

justiça

Após ouvir diversas testemunhas, o juiz Juan Paulo Haye Biazevic afirmou que a conduta atingiu a autora em seus atributos mais importantes da personalidade, expondo-a ao ridículo em um ambiente no qual ela deve deter a autoridade necessária e suficiente para ensinar e educar.

“Em um momento histórico onde as ruas do país são tomadas por pessoas exigindo melhorias na educação, jovens esquecem que, além de direitos, eles também têm deveres. Não basta bradar por investimentos em educação se, na sala de aula, quem se dedica à tarefa de ensinar não é respeitado. Qualquer esforço do poder público para melhorar a educação do país cairá por terra se os alunos não estiverem dispostos a aprender. Grande parte da desmotivação dos professores, e isso, é óbvio, também deve ser atribuída à postura dos nossos jovens. Lamentavelmente prolifera no país uma cultura de que ser estudioso e esforçado não é digno de admiração, o que se admira é ser malandro e insolente”, complementa Biazevic.

Litigância de má-fé


O aluno havia alegado não ter tido a intenção de acertar a professora. Afirmou que brincava com um colega de jogar a casca no cesto de lixo, quando, acidentalmente, o material bateu no ventilador e se despedaçou. A tese foi reforçada por duas testemunhas.

Porém, a argumentação não foi aceita. “Não sei o que é mais risível. A conduta do réu de arremessar a casca na professora ou a conduta de suas testemunhas de tentar convencer um juiz de Direito de que pessoas, quando querem jogar cascas de banana em um cesto de lixo, arremessam-nas, antes, dois metros para o alto”, disse o juiz na sentença.

Além da indenização, o juiz condenou o aluno por litigância de má-fé por apresentar testemunhas que mentiram. Segundo o juiz, a conduta de levar pessoas a juízo para mentir caracteriza litigância de má-fé. Por isso, condenou o aluno ao pagamento de multa de 1% sobre o valor da causa e ao pagamento das custas, despesas e honorários, arbitrados em 20% do valor da condenação.

Juan Paulo Haye Biazevic determinou também a instauração de inquérito policial contra duas testemunhas apresentadas pelo aluno condenado por mentirem. “Ambas as testemunhas vieram a juízo para mentir e receberão as consequências previstas na legislação para essa conduta. Houve ato ilícito”, afirmou o juiz.

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Nesta quinta-feira  (15/08/2013)  a Prefeitura de São Paulo anunciou uma proposta de reorganização de sua rede de ensino por intermédio do programa Mais Educação.

No site do Mais Educação a população em geral , além dos profissionais da área educacional,  poderão opinar e debater cada ponto da proposta.

Abaixo segue o que está sendo proposto :

1) Autonomia das unidades escolares = fortalecimento da gestão escolar com descentralização dos recursos financeiros, técnicos e administrativos. E cada unidade escolar elaborará a parte específica de seu Regimento Escolar, também composto por uma parte comum para  todas as unidades.

2) Qualificação para o magistério = vários recursos estarão disponibilizados para o profissional da educação seguir sua formação continuada e serão organizados pelo Sistema de Formação de Educadores por intermédio de projetos, estudos, pesquisas criando 31 polos da Universidade Aberta instalados em CEUS., sendo que 18 deles serão instalados em 2013.

3) Qualidade do ensino com avaliação externa =  um novo sistema de avaliação será criado para o EJA – Educação de Jovens e Adultos e será desenvolvido um sistema de avaliação com bases nos Indicadores de Qualidade da Educação Infantil do MEC para avaliação da qualidade da Ed.Infantil aliados aos já existentes do SME. Para o Ensino Fundamental e Médio será dado continuidade ao sistema de avaliação nacional ( IDEB).

4) Avaliação para Aprendizagem e Acompanhamento = valorização do trabalho educativo, ato de cuidade , de respeito e de atenção, acompanhamento do aluno , do professor, da escola e do currículo feitos em profunda parceria com a comunidade.

5) Fim da Avaliação Automática = haverá a possibilidade de retenção no final de cada ciclo –

1º ciclo alfabetização = 1º, 2º e 3º anos , no final do 3º poderá ou não ocorrer retenção

2º ciclo interdisciplinar = 4º, 5º e 6º anos , no final do 6º ano poderá ou não ocorrer retenção.

3º ciclo autoral = 7º, 8º e 9º anos , no final do 9º poderá ou não ocorrer retenção.

6) Novo Currículo para o Ensino Básico = estruturação em 3 ciclos

1º ciclo alfabetização =(1º, 2º e 3º anos) objetiva garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até o final do Ciclo, no máximo, aos 8 (oito) anos de idade. Está centrado nos Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento, descritos no documento Elementos Conceituais e Metodológicos para Definição dos Direitos de Aprendizagem e Desenvolvimento do Ciclo de Alfabetização (1º, 2º e 3º anos) do Ensino Fundamental, do Ministério da Educação. A implementação das ações que visam à garantia desses direitos de aprendizagem será realizada de forma articulada ao Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa.

2. No Ciclo Interdisciplinar (4º, 5º, e 6º anos), a articulação entre as disciplinas será garantida pela presença de professores generalistas que acompanharão as turmas até o 6º ano e professores integradores em atividades de orientação aos alunos para desenvolvimento de projetos.

3. No Ciclo Autoral (7º, 8º e 9º anos), o trabalho com leitura, escrita e solução de problemas matemáticos, com pesquisa em todas as áreas do conhecimento, estimula os alunos à autoria. Este Ciclo é também momento privilegiado de autoria para os professores, que têm no espaço da aula local privilegiado para o desenvolvimento de metodologias de pesquisa na constituição de projetos junto a seus alunos.

Articulando seus nove anos de trabalhos com projetos interdisciplinares, o aluno produzirá Trabalho de Conclusão dos Ciclos – TCC – com compromisso de intervenção social.

 7) Mais vagas na rede = serão construídas 234 creches, 66 escolas de Ed.Infantil e Centros Municipais de Ed.Infantil e 20 CEUs.

Para conhecer o Mais Educação da Secretaria de Educação de São Paulo clique aqui

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 Vale a pena ver de novo este post que foi publicado aqui no blog em julho de 2011 e teve 85 comentários!

Dados da educação básica no Brasil de 2010, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), mostram que 5,20% das crianças foram reprovadas em   2009, no seu primeiro ano na escola. Embora as escolas públicas tenham autonomia em relação à proposta pedagógica, o Ministério da Educação (MEC) recomenda que não haja interrupção escolar durante o ciclo de alfabetização, do 1º ao 3º ano do ensino fundamental.

De acordo com as novas diretrizes curriculares nacionais, os três anos iniciais do ensino fundamental constituem um ciclo sequencial, em que os alunos têm oportunidade de sistematizar e aprofundar as aprendizagens básicas. Pesquisas mostram que a repetência durante esse período escolar não garante a alfabetização e pode prejudicar o rendimento escolar da criança ao longo do ensino fundamental. Somente no final do ciclo, a criança deve estar alfabetizada.

“A gente não espera nenhuma reprovação aos 6 e 7 anos. As crianças têm ritmos diferentes de aprendizagem e uma reprovação nessa faixa etária é danosa”, comenta a secretária de educação básica, Maria do Pilar Lacerda. Para medir o desenvolvimento das crianças na fase de alfabetização, há a Provinha Brasil, que é aplicada no início e no final do 2º ano.

A aula de reforço e de recuperação podem ser uma opção para o segundo turno nas escolas que adotam o sistema de educação integral. “Queremos garantir a aprendizagem sem cair na forma mais cômoda que é a de reprovar”, dia a secretária. Para isso, as salas de aula não devem estar lotadas de alunos, a escola deve cumprir 200 anos letivos e os professores devem ser experientes e com formação adequada.

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Dispõe sobre a idade de ingresso no primeiro ano do ensino fundamental.

O GOVERNADOR DO ESTADO DE MINAS GERAIS,

O Povo do Estado de Minas Gerais, por seus representantes, decretou e eu, em seu nome, promulgo a seguinte Lei:

Art. 1º Para o ingresso no primeiro ano do ensino fundamental no Estado, a criança deverá ter seis anos de idade completos até o dia 30 de junho do ano em que ocorrer a matrícula.

 (Vide item 2 do Anexo I da Lei nº 19.491, de 12/1/2011.)

Art. 2º A criança que completar seis anos de idade após a data definida no art. 1º será matriculada na pré-escola.

Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, aos 29 de julho de 2013; 225° da Inconfidência Mineira e 192º da Independência do Brasil.

ANTONIO AUGUSTO JUNHO ANASTASIA

Danilo de Castro

Maria Coeli Simões Pires

Renata Maria Paes de Vilhena

Ana Lúcia Almeida Gazzola

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Fonte: SEPE – Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro

Em assembleia realizada em 8 de agosto, na ACM, os profissionais de educação da rede estadual decidiram entrar em greve. A decisão da categoria foi tomada em virtude da continuação dos ataques do governo Cabral à educação e ao não atendimento das reivindicações da categoria.

Mobilizada desde o início da campanha salarial, em fevereiro, a rede se uniu à luta da população nos protestos realizados em junho, exigindo o fim da corrupção, dos gastos com os megaeventos e mais verbas para a Educação e Saúde.

Em junho, o governador Cabral vetou a emenda do Sepe incluída no Decreto 2.200 (do reajuste salarial de 8% aprovado pela Alerj), que determinava uma escola para cada matrícula dos professores das escolas estaduais. No final de julho, em mais uma demonstração de arrogância e desrespeito ao clamor das ruas, o secretário de educação Wilson Risolia enviou para o Conselho Estadual de Educação (CEE) uma proposta de resolução que visava reduzir em 20% as aulas presenciais para os alunos. O Sepe e a categoria se mobilizaram e pressionaram o CEE,obrigando Cabral e Risolia a recuarem.

Em agosto, os profissionais retornaram do recesso com desconto nos contracheques, em uma retaliação à nossa campanha salarial, comprovando a intransigência da Secretaria. Além disso, não houve a audiência com o secretário Risolia, em julho, como estava acordado na mesa de mediação instalada no Tribunal de Justiça do Rio.

Por isso, chegou a hora de dar um basta a tanto descaso e tantas provocações. A greve e a campanha Fora Cabral,aprovada pela assembleia da rede estadual, são uma resposta dos profissionais da rede estadual. A próxima assembleia da rede estadual, que discutirá os rumos da greve, está marcada para a quarta-feira (14/08),às 14h (local a confirmar).

O QUE A REDE ESTADUAL REIVINDICA:

1) Reajuste de 28%;
2) Derrubada do veto ao Projeto de Lei que garante uma matrícula de professor em apenas uma escola;
3) 30 horas semanais para funcionários;
4) Eleição para diretor;
5) Fim do plano de metas e
do Programa de Certificação;
6) Regularização dos animadores culturais;
7) Fora Cabral, fora Risolia.

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Fonte: Sepe – Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro

Mobilizada como há anos não se via e em luta contra a política salarial e pedagógica do prefeito Eduardo Paes e da secretária de Educação, Cláudia Costin, os profissionais das escolas municipais do Rio decidiram entrar em greve no dia 8 de agosto. Cansada de ver a farra da verba pública que o prefeito Paes promove através dos contratos e parcerias com as fundações privadas, desviando mais de 1 bilhão da verba do FUNDEB.

 

 

Com profissionais merendeiras e AAC recebendo piso abaixo do salário mínimo e professores com salários defasados; vivenciando agruras decorrentes do ataque a autonomia pedagógica, das péssimas condições de trabalho, da perda da lotação, de uma aprovação automática disfarçada, do assédio moral e da política meritocrática implementada pelo governo Paes nos últimos anos. A resposta dos profissionais é GREVE! Através da greve e da mobilização a categoria luta para conquistar mais respeito e valorização!

VEJA O QUE A REDE MUNICIPAL DO RIO ESTÁ REIVINDICANDO:

1 – REAJUSTE DE 19%;
2 – PLANO DE CARREIRA UNIFICADO;
3 – 1/3 DA CARGA HORÁRIA PARA PLANEJAMENTO;
4 – FIM DA MERITOCRACIA;
5 – FORA PAES E COSTIN

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Todo professor deveria ser como Rita Pierson.

Toda escola deveria contar com inúmeras Ritas Piersons em seu quadro docente.

Rita Pierson é o que minha mãe foi um dia: uma professora apaixonada pelo  ofício do magistério!

Rita Pierson sabe que o ensino/aprendizagem só podem ocorrer dentro de um relacionamento e de conexões de afeto  e de incentivo.

Não há como ensinar e aprender se falta empatia.

Um professor apaixonado que se torna um campeão para seu aluno é mais importante  do que qualquer método pedagógico porque fará a diferença.

Leiam a transcrição e assistam a palestra da professora Rita Pierson no TED.

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Por: Rita Pierson – Toda criança precisa de um campeão

Eu passei a minha vida toda na Escola,ou no caminho para a Escola, ou a falar do que acontece na Escola. Os meus pais eram ambos professores, os meus avós maternos eram professores, e nos últimos 40 anos, eu tenho feito o mesmo. E assim, é desnecessário dizer que ao longo destes anos tive a oportunidade de olhar para as reformas educativas de várias perspetivas. Algumas dessas reformas foram boas. Algumas delas não foram tão boas. E nós sabemos porque é que as crianças desistem da escola. Sabemos porque é que as crianças não aprendem. Ou é pobreza, falta de assiduidade, ou influências negativas. Nós sabemos porquê. Mas uma das coisas que nunca discutimos ou raramente discutimos é o valor e a importância da ligação humana, de relacionamentos.

James Comer diz que nenhuma aprendizagem significante pode ocorrer sem existir um forte relacionamento. George Washington Carver diz que toda a aprendizagem passa por entender os relacionamentos. Toda a gente nesta sala foi influenciado por um professor ou um adulto. Durante anos, tenho observado pessoas a ensinar. Assisti aos melhores e também a alguns dos piores.

Um dia, uma colega disse-me: “Não me pagam para eu gostar das crianças. “Pagam-me para ensinar uma lição. “As crianças devem aprendê-la. “Eu devo ensinar. Eles devem aprender. Caso encerrado.”

Bem, disse-lhe: “Sabes, as crianças não aprendem com pessoas de quem não gostam.”

(Risos) (Aplausos)

Ao que ela respondeu: “Isso é um disparate.”

E eu respondi-lhe: “Bem, querida, o teu ano letivo vai ser longo “e árduo.”

Desnecessário será dizer que foi. Algumas pessoas pensam que ou se é capaz de construir um relacionamento ou não. Eu penso que Stephen Covey tinha razão. Ele disse que se deve juntar algumas coisas simples, como, primeiro procurar compreender em vez de ser compreendido, coisas simples como pedir desculpa. Já pensaram sobre isto? Peçam desculpa a uma criança, elas entram em choque.

Uma vez dei uma lição sobre rácios. Eu não sou muito boa a Matemática, mas estava a trabalhar nisso. Voltei e consultei o Livro do Professor. E tinha ensinado mal a lição toda. (Risos)

Quando voltei à aula no dia seguinte, disse: “Olhem meninos, tenho que vos pedir desculpa. “Ensinei-vos mal a lição toda. “Sinto muito.”

Eles responderam:”Não há problema, Prof.ª Pierson. “A professora estava tão animada que a deixámos continuar.” (Risos) (Aplausos)

Eu tive turmas com um nível tão baixo, tão academicamente deficientes que chorei. Perguntava-me: “Como vou levar este grupo “em nove meses “de onde estão até onde precisam de estar?” E foi difícil. Foi terrivelmente duro. Como é que elevo a autoestima duma criança e o seu desempenho académico ao mesmo tempo?

Um ano ocorreu-me uma ideia brilhante. Disse a todos os meus alunos, “Vocês foram escolhidos para estar na minha turma “porque eu sou a melhor professora “e vocês os melhores alunos. “Eles juntaram-nos “para podermos mostrar a toda a gente como se faz.”

Um dos alunos disse: “A sério?” (Risos)

Eu respondi: “A sério. Temos que mostrar às outras turmas “como se faz, por isso, quando andarmos pelos corredores, “as pessoas vão reparar em nós, vocês não podem fazer barulho. “Devem apenas mostrar-se.” E disse-lhes para dizerem: “Eu sou alguém. “Eu era alguém quando entrei. “Serei uma pessoa melhor quando sair. “Eu sou poderoso e eu sou forte. “Eu mereço a educação que recebo. “Eu tenho coisas para fazer, “pessoas para impressionar, “e lugares a visitar.”

E eles disseram: “Sim!”

Se o disserem durante tempo suficiente começa a tornar-se parte de vocês.

E assim — (Aplausos) Dei-lhes um questionário com 20 perguntas, Um aluno falhou 18. Eu coloquei “+2” no teste dele e desenhei um grande sorriso.

Ele perguntou-me: “Prof.ª. Pierson, isto é um Fraco?”

E eu respondi: “Sim.”

E ele disse: “Então porque pôs um sorriso?”

Eu disse: “Porque estás bem encaminhado. “Tiveste duas certas. Não as falhaste todas.” E disse: “E quando revirmos isto, “não farás melhor?”

E ele respondeu: “Sim, senhora, posso fazer melhor.”

Sabem, “-18” suga-vos a vitalidade toda. “+2” diz: “Não fui mau de todo.” (Risos) (Aplausos)

Durante anos, observei a minha mãe a usar o tempo pessoal para revisões, em visitas ao domicílio à tarde, a comprar pentes, escovas, manteiga de amendoim e biscoitos que punha na gaveta da secretária para crianças que precisavam de comer, e uma toalha, algum sabão para aquelas que não cheirassem tão bem. É difícil ensinar crianças que cheiram mal. E as crianças conseguem ser cruéis. E ela guardava essas coisas na secretária, e anos mais tarde, depois de se reformar, vi essas mesmas crianças a virem dizerem-lhe: “Sabe, Prof.ª. Walker, “a senhora fez a diferença na minha vida. “Fez com que as coisas resultassem comigo. “Fez-me sentir que eu era alguém, “quando eu sabia, lá no fundo, que não era. “E eu quero que veja no que me tornei.”

E quando a minha mãe morreu, há dois anos, aos 92, compareceram tantos ex-alunos no seu funeral, que os meus olhos se encheram de lágrimas, não por ela ter partido, mas por ela ter deixado um legado de relacionamentos que nunca poderiam desaparecer.

Podemos dispor-nos a ter mais relacionamentos? Absolutamente. Gostaremos de todas as nossas crianças? Claro que não. E vocês sabem que os miúdos mais difíceis nunca faltam. (Risos) Nunca. Não gostamos deles todos, mas os mais difíceis por alguma razão aparecem. São as ligações. São os relacionamentos. E ainda que não gostemos deles todos, o segredo é que eles nunca o percebam. Os professores tornam-se grandes atores e atrizes e vamos trabalhar quando não nos apetece, e ouvimos as políticas que não fazem sentido, e mesmo assim ensinamos. Mesmo assim ensinamos, porque é isso que fazemos.

Ensinar e aprender deve proporcionar alegria. Quão poderoso seria o nosso mundo se tivéssemos crianças sem medo de correr riscos, sem medo de pensar e que tivessem um herói? Cada criança merece um herói, um adulto que nunca desista deles, que perceba o poder das ligações, e que insista que eles se tornem no melhor que podem ser.

Este trabalho é duro? Acreditem que é. Oh Deus, acreditem que é. Mas não é impossível. Podemos fazê-lo. Somos educadores. Nascemos para fazer a diferença.

Muito obrigada.

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Por Luis Carlos de Freitas

Os BRICs ou seja, os países emergentes (China, Russia, India, Brasil) desaceleraram, ainda que não estejam mortos. Entre eles, a China é a rainha destes detendo reservas de 3.5 trilhões, de um total de 5 trilhões que os BRICs acumulam. Significa que todos os outros têm 1.5 trilhão, contra 3.5 da China. Apesar disso, os PIBs patinam.

A questão é: terá esta desaceleração efeitos sobre as políticas educacionais.

Creio que sim.

E elas podem ser pelo menos de dois tipos: se for um recuo passageiro, voltará a pressão por mão de obra e por mão de obra barata. Não havendo mais bolsões no Brasil a serem explorados, terão que aumentar a produtividade e isso exige mais “qualidade” da educação (leia-se maior número de formandos). Mais gente formada, menor salário médio.

Caso seja um ciclo mais longo de recuo, teremos outros dois possíveis desdobramentos: a) a pressão por mão de obra diminui e desacelera as políticas de reforma empresarial da educação; ou b) culpar-se-á a educação pela desaceleração econômica e a pressão sobre as políticas educacionais será maior ainda (até mesmo com o apoio das manifestações da rua). Creio que será este o caminho que seguirão os reformadores empresariais.

Recentemente o cálculo do IDH abriu esta discussão. O IDH brasileiro passou de 0,52 em 1980 para 0,73 em 2012. Alguns interpretam os resultados do nosso IDH como sendo puxado para baixo pela educação. Mas note, por outro lado, não podem deixar de admitir que historicamente o impacto da educação no IDH é um dos que mais avançou nas ultimas décadas, 128%. Passamos de 2,6 anos de estudo em 1980 para 7,2 anos de estudo em 2012 (ver matéria de Delfim Neto abaixo, no entanto). Se olhamos para o impacto do aumento da renda da população, outro componente do IDH, veremos que avançou bem menos, apenas 14%, ou seja, a renda per capita passou de 7.317 dólares (em 1980) para 10.152 dólares (em 2012) – e veja-se matéria abaixo sobre concentração de renda. Ora, como pode então o ítem que mais avançou ser responsável pela redução do IDH. O terceiro item da cesta é a longevidade, a qual avançou 23% de uma expectativa de  62,5 anos de vida para 73,8 anos.

Parece claro, portanto, que são renda e condições de vida que não avançaram e que estão segurando o IDH. Quem é responsável pela renda? Os empresários que pagam os salários. Mas é mais fácil culpar a educação, ocultando as reais causas.

Como dado complementar sabemos que as pontuações nos exames nacionais refletem nível socioeconômico e quem tem maior renda aprende, em geral, mais do que os que têm menor renda.

E finalmente, como alerta o economista Delfim Neto parece haver problemas com a própria estatística:

“O problema é que o IDH incorpora indicadores defasados para poder comparar a situação dos países (hoje, 187) com a plena disponibilidade dos elementos estatísticos necessários. Isso prejudicaria o Brasil, porque a qualidade e a disponibilidade de nossos dados são melhores. É o caso, por exemplo, dos números da educação: para “uniformizar” os dados dos 187 países, o IDH foi construído com os números de 2005, o que deixa de medir os substanciais progressos que vimos obtendo desde então.”

Estatísticas… cuidado com elas!

O impacto da renda não é desprezível. O IDH do Distrito Federal é o maior do país. Mas note:

“O DF apresentou o melhor índice do país nos dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em conjunto com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro (FJP). O estudo da Codeplan revela que o componente que mais distancia o DF do restante do Brasil é a renda.”

Parece, portanto, que para melhorar o IDH seria de grande ajuda se o salário (e as condições de vida) da população melhorasse. A educação também agradeceria. Não vai bastar, mas os dados mostram que seria muito bem vinda.

Isso pode ser corroborado com o seguinte:

“Ainda que tenha evoluído neste ano, o IDH brasileiro despenca para 0,519 (desvalorização de 27,7%) quando são considerados indicadores que medem a desigualdade social.”

Parece claro que:

 “Alguns dados do IBGE revelam que o Brasil alcançou um aumento razoável nos indicadores sociais, porém não houve progresso na distribuição da renda, pois a minoria dos brasileiros possui altos salários e a maioria ganha pouco ou nada.”

Essa estória de culpar a educação pode se ampliar com a desaceleração agora dos BRICs. Este foi o caminho que os empresários seguiram nos Estados Unidos a partir da década de 80 quando a economia americana começou a desaquecer. Até hoje culpam a qualidade da educação pela queda da competividade americana na produção. Curiosamente, durante este tempo a educação foi posta sob ferrenho controle dos empresários, em especial através da Lei de Responsabilidade Educacional americana.

Portanto, não será estranho se a conversa aparecer por aqui também no momento em que um ciclo maior de desaceleração do Brasil se apresentar. Quando a economia acelera, somos culpados na área educacional por não fornecer mão de obra suficiente; quando ela desacelera somos culpados por ter diminuído a competitividade internacional.

Talvez se os economistas que estão atuando na área da educação voltassem a cuidar do seu pedaço, da economia, poderiam evitar o ciclo de desaceleração. De quebra, deixariam os educadores fazerem seu trabalho adequadamente.

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Prof.Dr.Luis Carlos de Freitas – professor da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, foi diretor da Faculdade de Educação/Unicamp. Blog Avaliação Educacional

 

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