Arquivo de Educação

Dia 27/07/2011 o CentrodEstudos participou do  5o EMESTRE – Encontro Municipal de Estudos e Reflexões em Educação  promovido pela Secretaria de Educação do Município de Caconde.

Eu estive lá coordenando a oficina Projetos Interdisciplinares: quais os desafios? com  a psicóloga Juliana T. Lemos , esta com a oficina Desenvolvimento Motivacional : 8º hábitos.

Foi muito bacana o evento demonstrando a motivação dos professores para iniciar o 2º semestre letivo e o da própria Secretária de Educação Rosana Mara Vasconcelos Remédio Fonseca que participou ativamente das oficinas demonstrando que o secretário de educação deve trabalhar lado a lado com o professorado , aprendendo junto, porque somente um trabalho coletivo pode garantir a conquista diária  da qualidade de ensino.

O Evento ocorreu no antigo Grupo Escolar Dr.Cândido Lobo, hoje EE Dr. Cândido Lobo, construído em 1915. Belíssimo edifício que carrega a história da educação de nosso país.

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30
maio

De Nossa Língua Brasileira (NLB)

Por alguma razão escondida dentro de cada um de nós que escrevemos este texto tivemos como escolha profissional o ensino de língua (materna ou estrangeira). Por algum motivo desconhecido, resolvemos abraçar uma das profissões mais mal pagas do nosso país. Não quisemos nos tornar médicos, advogados ou jornalistas. Quisemos virar professores. E, para fazê-lo, tivemos que estudar.

Estudar, para alguém que quer ensinar, tem uma dimensão profunda. Foi estudando que abandonamos muitas visões simplistas do mundo e muitos dos nossos preconceitos.

Durante anos debatemos a condição da educação no Brasil; cotidianamente nos aprofundamos na realidade do país e em uma das expressões culturais mais íntimas de seus habitantes: a sua língua. Em várias dessas discussões utilizamos reportagens, notícias, ou fatos trazidos pelos jornais.

Crescemos ouvindo que jovem não lê jornal e que a cada dia o brasileiro lê menos. A julgar por nosso cotidiano, isso não é verdade. Tanto é que muitos de nós, já indignados com o tratamento dado pelo Jornal Nacional à questão do material Por uma vida melhor, perdemos o domingo ao, pela manhã, lermos as palavras de um dos mais respeitados jornalistas do país criticando, na Folha de S. Paulo, a valorização dada pelo material ao ensino das diferentes possibilidades do falar brasileiro. E ficamos ainda mais indignados durante a semana com tantas reportagens e artigos de opinião cheios de ideias equivocadas, ofensivas, violentas e irresponsáveis. Lemos textos assim também no Estado de São Paulo e nas revistas semanais Veja e IstoÉ.

Vimos o Jornal Nacional colocar uma das autoras do material na posição humilhante de ter que se justificar por ter conseguido fazer uma transposição didática de um assunto já debatido há tempos pelos grandes nomes da Linguística do país – nossos mestres, aliás. O jornalista Clovis Rossi afirmou que a língua que ele julga correta é uma “evolução para que as pessoas pudessem se comunicar de uma maneira que umas entendam perfeitamente as outras” e que os professores têm o baixo salário justificado por “preguiça de ensinar”. Uma semana depois, vimos Amauri Segalla e Bruna Cavalcanti narrarem um drama em que um aluno teria aprendido uma construção errada de sua língua, e afirmarem que o material “vai condenar esses jovens a uma escuridão cultural sem precedentes“. Também esses dois últimos jornalistas tentam negar a voz contrária aos seus julgamentos, dizendo que pouquíssimos foram os que se manifestaram, e que as ideias expressas no material podem ter sucesso somente entre alguns professores “mais moderninhos”. Já no Estado de São Paulo vimos um economista fazendo represálias brutas a esse material didático. Acreditamos que o senhor Sardenberg entenda muito sobre jornalismo e economia, porém fica nítida a fragilidade de suas concepções sobre ensino da língua. A mesma desinformação e irresponsabilidade revelou o cineasta Arnaldo Jabor, em seu violento comentário na rádio CBN.

Ficamos todos perplexos pela falta de informação desses jornalistas, pela inversão de realidade a que procederam, e, sobretudo, pelo preconceito que despejaram sem pudor sobre seus espectadores, ouvintes e leitores, alimentando uma visão reduzida ao senso comum equivocado quanto ao ensino da língua. A versão trazida pelos jornais sobre a defesa do “erro” em livros didáticos, e mais especificamente no livro Por uma vida melhor, é uma ofensa a todo trabalho desenvolvido pelos linguistas e educadores de nosso país no que diz respeito ao ensino de Língua Portuguesa.

A pergunta inquietante que tivemos foi: será que esses jornalistas ao menos se deram o trabalho de ler ou meramente consultar o referido livro didático antes de tornar públicas tão caluniosas opiniões? Sabemos que não. Pois, se o tivessem feito, veriam que tal livro de forma alguma defende o ato de falar “errado”, mas sim busca desmistificar a noção de erro, substituindo-a pela de adequação/inadequação. Isso porque, a Linguística, bem como qualquer outra ciência humana, não pode admitir a superioridade de uma expressão cultural sobre outra. Ao dizer que a população com baixo grau de escolaridade fala “errado”, o que está-se dizendo é que a expressão cultural da maior parte da população brasileira é errada, ou inferior à das classes dominantes. Isso não pode ser concebido, nem publicado deliberadamente como foi nos meios de comunicação. É esse ensinamento básico que o material propõe, didaticamente, aos alunos que participam da Educação de Jovens e Adultos. Mais apropriado, impossível. Paulo Freire ficaria orgulhoso. Os jornalistas, porém, condenam.

Sabemos que os veículos de comunicação possuem uma influência poderosa sobre a visão de mundo das pessoas, atuam como formadores de opinião, por isso consideramos um retrocesso estigmatizar certos usos da língua e, com isso, o trabalho de profissionais que, todos os dias, estão em sala de aula tentando ir além do que a mera repetição dos exercícios gramaticais mecânicos, chamando atenção para o caráter multifacetado e plural do português brasileiro e sua relação intrínseca com os mais diversos contextos sociais.

A preocupação dos senhores jornalistas, porém, ainda é comum. Na base de suas críticas aparecem, sobretudo, o medo da escola não cumprir com seu papel de ensinar a norma culta aos falantes. Entretanto, se tivessem lido o referido material, esse medo teria facilmente se esvaído. Como todo linguista contemporâneo, os autores deixam claro, na página 12, que “Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário“. Dessa forma, sem deixar de valorizar a norma escrita culta – necessária para atuar nas esferas profissional e cultural, e logo, determinante para a ascensão econômica e social de seus usuários, embora não suficiente – o material consegue promover o debate sobre a diversidade linguística brasileira. Esse feito, do ponto de vista de todos que produzimos e utilizamos materiais didáticos, é fundamental.

Sobre os conteúdos errôneos que foram publicados pelos jornais e revistas, foi possível ver que, após uma semana, as respostas dadas pelos educadores, estudiosos da linguagem e, sobretudo, da variação linguística, já foram bastante elucidativas para informar esses profissionais do jornalismo. Infelizmente alguns jornalistas não os leram. Mas ainda dá tempo de aprender com esses textos. Leiam as respostas de linguistas tais como Luis Carlos Cagliari, Marcos Bagno, Carlos Alberto Faraco, Sírio Possenti, e de educadores tais como Maria Alice Setubal e Maurício Ernica, entre outros, publicadas em diversas fontes, como elucidativas e representativas do que temos a dizer. Aliás, muito nos orgulha a paciência desses autores – foram verdadeiras aulas para alunos que parecem ter que começar do zero. Admirável foram essas respostas calmas, respeitosas e informativas, verdadeiras lições de Linguística, de Educação – e de atitude cidadã, diga-se de passagem – para “formadores de opinião” que, sem o domínio do assunto, resolveram palpitar, julgar e até incriminar práticas e as ideias solidamente construídas em pesquisas científicas sobre a língua ao longo de toda a vida acadêmica de vários intelectuais brasileiros respeitados, ideias essas que começam, aos poucos, a chegar à realidade das escolas.

Ao final de anos de luta para podermos virar professores, ao invés de vermos nossos pensadores, acadêmicos, e professores valorizados, vimos a humilhação violenta que eles sofreram. Vimos, com isso, a humilhação que a academia e que os estudos sérios e profundos podem sofrer pela mídia desavisada (ou maldosa). O poder da mídia foi assustador. Para os alunos mais dispersos, algumas concepções que levaram anos para serem construídas foram quebradas em instantes. Felizmente, esses são poucos. Para grande parte de nossos colegas estudantes de Letras o que aconteceu foi um descontentamento geral e uma descrença coletiva nos meios de comunicação.

A descrença na profissão de professor, que era a mais provável de ocorrer após tamanha violência e irresponsabilidade da mídia, essa não aconteceu – somente por conta daquele nosso motivo interno ao qual nos referimos antes. Nossa crença de que a educação é a solução de muitos problemas – como esse, por exemplo – e que é uma das profissões mais satisfatórias do mundo continua firme. Sabemos que vamos receber baixos salários, que nossa rotina será mais complicada do que a de muitos outros profissionais, e de todas as outras dificuldades que todos sabem que um professor enfrenta. O que não sabíamos é que não tínhamos o apoio da mídia, e que, pior que isso, ela se voltaria contra nós, dizendo que o baixo salário está justificado, e que não podemos reclamar porque não cumprimos nosso dever direito.

Gostaríamos de deixar claro que não, ensinar gramática tradicional não é difícil. Não temos preguiça disso. Facilmente podemos ler a respeito da questão da colocação pronominal, passar na lousa como os pronomes devem ser usados e dizer para o aluno que está errado dizer “me dá uma borracha”. Isso é muito simples de fazer. Tão simples que os senhores jornalistas, que não são professores, já corrigiram o material Por uma vida melhor sobre a questão do plural dos substantivos. Não precisa ser professor para fazer isso. Dizer o que está errado, aliás, é o que muitos fazem de melhor.

Difícil, sabemos, é ter professores formados para conseguir promover, simultaneamente, o debate e o ensino do uso dos diversos recursos linguísticos e expressivos do português brasileiro que sejam adequados às diferentes situações de comunicação e próprios dos inúmeros gêneros do discurso orais e escritos que utilizamos. Esse professor deve ter muito conhecimento sobre a linguagem e sobre a língua, nas suas dimensões linguísticas, textuais e discursivas, sobre o povo que a usa, sobre as diferentes regiões do nosso país, e sobre as relações intrínsecas entre linguagem e cultura.

Esse professor deve ter a cabeça aberta o suficiente para saber que nenhuma forma de usar a língua é “superior” a outra, mas que há situações que exigem uma aproximação maior da norma culta e outras em que isso não é necessário; que o “correto” não é falar apenas como paulistas e cariocas, usando o globês; que nenhum aluno pode sair da escola achando que fala “melhor” que outro, mas sim ciente da necessidade de escolher a forma mais adequada de usar a língua conforme exige a situação e, é claro, com o domínio da norma culta para as ocasiões em que ela é requerida. Esse professor tem que ter noções sobre identidade e alteridade, tem que valorizar o outro, a diferença, e respeitar o que conhece e o que não conhece.

Também esse professor tem que ter muito orgulho de ser brasileiro: é ele que vai dizer ao garoto, ao ensinar o uso adequado da língua nas situações formais e públicas de comunicação, que não é porque a mãe desse garoto não usa esse tipo de variedade lingüística, a norma culta, não conjuga os verbos, nem usa o plural de acordo com uma gramática pautada no português europeu, que ela é ignorante ou não sabe pensar. Ele vai dizer ao garoto que ele não precisa se envergonhar de sua mãe só porque aprendeu outras formas de usar o português na escola, e ela não. Ele vai ensinar o garoto a valorizar os falares regionais, e ser orgulhoso de sua família, de sua cultura, de sua região de origem, de seu país e das diferenças que existem dentro dele e, ao mesmo tempo, a ampliar, pelo domínio da norma culta, as suas possibilidades de participação na sociedade e na cultura letrada. O Brasil precisa justamente desse professor que esses jornalistas tanto incriminaram.

Formar um professor com esse potencial é o que fazem muitos dos intelectuais que foram ofendidos. Para eles, pedimos que esses jornalistas se desculpem. E lhes agradeçam. E, sobretudo, antes de os julgarem novamente, leiam suas publicações. Ironicamente, pedimos para a mídia se informar.

Nós somos a primeira turma a entrar no mercado de trabalho após esse triste ocorrido da imprensa. Somos muito conscientes da luta que temos pela frente e das possibilidades de mudança que nosso trabalho promove. Para isso, estudamos e trabalhamos duro durante anos. A nós, pedimos também que se desculpem. E esperamos que um dia possam nos agradecer.

Reafirmamos a necessidade de os veículos de comunicação respeitarem os nossos objetos de estudo e trabalho — a linguagem e a língua portuguesa usada no Brasil —, pois muitos estudantes e profissionais de outras áreas podem não perceber tamanha desinformação e manipulação irresponsável de informação, e podem vir a reproduzir tais concepções simplistas e equivocadas sobre a realidade da língua em uso, fomentando com isso preconceitos difíceis de serem extintos.

Sabemos que sozinhos os professores não mudam o mundo. Como disse a Professora Amanda Gurgel, em audiência pública no Rio Grande do Norte, não podemos salvar o país apenas com um giz e uma lousa. Precisamos de ajuda. Uma das maiores ajudas com as quais contamos é a dos jornalistas. Pedimos que procurem conhecer as teorias atuais da Educação, do ensino de língua portuguesa e da prática que vem sendo proposta cotidianamente no Brasil. Pedimos que leiam muito, informem-se. Visitem escolas públicas e particulares antes de se proporem a emitir opinião sobre o que deve ser feito lá. Promovam acima de tudo o debate de ideias e não procedam à condenação sumária de autores e obras que mal leram. Critiquem as assessorias internacionais que são contratadas reiteradamente. Incentivem o profissional da educação. E nunca mais tratem os professores como trataram dessa vez. O poder de vocês é muito grande – a responsabilidade para usá-lo deve ser também.

Alecsandro Diniz Garcia, Ana Amália Alves da Silva, Ana Lúcia Ferreira Alves, Anderson Mizael, Jeferson Cipriano de Araújo, Laerte Centini Neto, Larissa Arrais, Larissa C. Martins, Laura Baggio, Lívia Oyagi, Lucas Grosso, Maria Laura Gándara Junqueira Parreira, Maria Vitória Paula Munhoz, Nathalia Melati, Nayara Moreira Santos, Sabrina Alvarenga de Souza e Yuki Agari Jorgensen Ramos – formandos 2011 em Letras da PUC-SP, futuros professores de Língua Portuguesa e Língua Inglesa.

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Assisti no Vi o Mundo. Aplausos à professora Amanda Gurgel.

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Projeto de Lei do Senado – PLS de número 388/2007 (aqui) altera a lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para aumentar a carga horária mínima anual nos Ensinos Fundamental e Médio.

A proposta é passar de 800 horas para 960 horas.

O que isso significa na rotina da escola privada ? Nada.

Por exemplo :

Há matrizes curriculares do Ensino Fundamental de 9 anos que semanalmente contam com 25 horas. Se multiplicarmos por 40 semanas, teremos 1.000 h/ano no ano letivo.

No Ensino Médio , por exemplo, semanalmente a carga horária é de no mínimo 30 horas. Se multiplicarmos por 40 semanas isso resulta em 1.200 h/ano.

Carga horária de 1.000 ou 1.200 h/ano é muito mais do que a PLS está pleiteando (960 horas/ano) e não requer aulas aos sábados, tampouco, período integral. Requer apenas respectivamente 5 a 6 aulas dia, de 50 minutos cada uma, com periodicidade de 2ª à 6ª feira. Isso é o que a maioria das escolas particulares já praticam , portanto, a PLS 388/2007 não interferirá em nada no setor privado de educação básica.

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O  Projeto de Lei do Senado – PLS de número 388/2007  (aqui) altera a lei  nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996,para aumentar a carga horária mínima anual nos Ensinos Fundamental e Médio.

A carga horária mínima de 800 horas passará a ser de 960 horas distribuídas em 200 dias letivos excluídos os exames finais , quando houver.

Atenção escolas!! Será necessário alterar o Regimento Escolar e a Matriz Curricular. As escolas particulares, em geral, possuem uma carga horária bem superior a 960 horas, mas para escolas públicas municipais e estaduais esse aumento será significativo.

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O debate em uma escola pública a respeito do documentário de João Jardim ,Pro Dia Nascer Feliz, revela , de certo modo, o que já sabemos, mas que é difícil de aceitar: João contou aos presentes que a aluna que havia sido presa por ter matado uma colega de escola ao sair da prisão também foi morta e que a aluna do Colégio Santa Cruz atualmente faz engenharia na USP e seguirá para a Europa para um estágio.

Claro que sabemos disso : na escola pública de periferia das grandes cidades os alunos possuem poucas chances e, uma grande maioria, se perde na violência, ao contrário dos alunos das escolas privadas , sobretudo aquelas da elite, que conduzem sua vida para conquistar o sucesso  profissional e pessoal. Há exceções de ambos os lados, mas em geral é isso o que ocorre. Um fosso entre um mundo e o outro.

 

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O diretor e roteirista João Jardim realizou um documentário pra lá de comovente sobre as escolas brasileiras e seus alunos adolescentes. O olho e os dedos de João não usaram de estratagemas para nos fazer sensibilizar , Pro dia nascer feliz simplesmente desnuda o que são nossas escolas públicas e privadas do Ensino Médio. A comoção vem daí, de ver sem enfeites  e de forma totalmente crua a realidade de nosso país.

Algo intrigante é a comparação entre a escola pública da periferia e a privada de bairro nobre paulistano. Esteticamente são completamente diferentes: a escola privada possui jardins e a manutenção é impecável, além dos diferentes espaços confortáveis e prazerosos , já nas públicas a pintura está a cair, o piso é de cimento exposto e falta manutenção. Mas o que intriga mesmo é o aspecto pedagógico por ser igual em ambas redes de ensino: na sala de aula carteiras perfiladas com uma mesa à frente de uma lousa verde , professor explanando o conteúdo. Não há um modo diferenciado de organizar o espaço da classe, não há quaisquer recursos tecnológicos de apoio pedagógico (lousa digital, projetor , telão e computador , etc.) Saliva, giz e lousa , mais livros didáticos compõem a metodologia de ensino. Claro que a escola privada, sobretudo a da elite, dirá, em sua defesa, que há sim momentos no laboratório de informática, dentre outras atividades que ocorrem em outros espaços, porém, a aula em si , segue o mesmo ritual desde a origem da escola.

O abandono e o descaso da escola pública são indignos. Os professores, diretores e demais profissionais da escola são abnegados ou maus profissionais para aguentarem este estado das coisas? Sim, porque trabalhar nestas condições adversas, impostas pelo sistema de ensino público deveria ser por si só um fator de recusa ao trabalho. Nessas condições- deveriam dizer os professores – recuso-me a trabalhar, vendo pipoca que, aliás, dá muito mais dinheiro e dignidade, haja vista o carrinho de pipoca do Seu Zé, da cidade de Araras, formando, todos os dias com ou sem chuva, longas filas na praça da matriz e empregando mais de seis pessoas.

Já imaginaram a seguinte situação: os professores terminam mais um dia de trabalho. Manhã seguinte: onde estão os professores? Nenhum apareceu para dar aula. E isso se prolonga por dias a fio. Ninguém sabe e ninguém viu um sequer professor. Todas de todo o território brasileiro. As escolas estão sem aula, jovens e crianças se amontoam nas ruas nos primeiros dias e depois no isolamento de suas casas. O pai ou a mãe destes alunos pedem demissão do emprego para cuidar dos filhos e ensinar algo na própria casa.

Mas veja por outro ângulo: os professores chegam às escolas e o que aconteceu com os alunos? Sumiram. Nenhum para contar a história. Os professores tentam , em vão, por vários dias e chega uma determinada hora desistem de esperar os alunos e seguem para as suas casas. Primeiro impacto: dois milhões de professores desempregados, além das centenas de diretores, secretários de educação , coordenadores , funcionários de todos os escalões dos governos municipais , estaduais e federais; faculdades de pedagogia param de funcionar porque não é preciso formar pedagogos e tampouco licenciados, não há alunos para aprender.

E o que seria do nosso país  se caso apenas uma dessas  possibilidades não fossem fruto da minha diabólica imaginação ?

Assistam o documentário mais do que bem-vindo no link abaixo. São 9 partes!

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O Parecer CNE/CEB Nº 11/2010 publicado no D.O.U no dia 9/12/2010 e a Resolução CNE/CEB Nº 07/2010 de 14 de dezembro de 2010 recomendam enfaticamente que os três primeiros anos do Ensino Fundamental seja organizado em um único ciclo pedagógico, mesmo para as escolas que praticam o sistema seriado, o que significa dizer que nesses anos iniciais do Ensino Fundamental não haverá retenção dos alunos.

A este respeito diz o Parecer CNE/CEB Nº 11/2010 :

“ … A proposta de organização dos três primeiros anos do Ensino Fundamental em um único ciclo exige mudanças no currículo para melhor trabalhar com a diversidade dos alunos e permitir que eles progridam na aprendizagem. Ela também questiona a concepção linear de aprendizagem que tem levado à fragmentação do currículo e ao estabelecimento de sequências rígidas de conhecimentos, as quais, durante muito tempo, foram evocadas para justificar a reprovação nas diferentes séries. A promoção dos alunos deve vincular-se às suas aprendizagens; não se trata, portanto, de promoção automática. Para garantir a aprendizagem, as escolas deverão construir estratégias pedagógicas para recuperar os alunos que apresentarem dificuldades no seu processo de construção do conhecimento.

Entre as iniciativas de redes que adotaram ciclos, muitas propostas terminaram por incorporar algumas das formulações mais avançadas do ideário contemporâneo da educação, com vistas a garantir o sucesso dos alunos na aprendizagem, combater a exclusão e assegurar que todos tenham, efetivamente, direito a uma educação de qualidade. Movimentos de renovação pedagógica têm-se esforçado por trabalhar com concepções que buscam a integração das abordagens do currículo e uma relação mais dialógica entre as vivências dos alunos e o conhecimento sistematizado.

Os ciclos assim concebidos concorrem, juntamente com outros dispositivos da escola calcados na sua gestão democrática, para superar a concepção de docência solitária do professor que se relaciona exclusivamente com a sua turma, substituindo-a pela docência solidária, que considera o conjunto de professores de um ciclo responsável pelos alunos daquele ciclo, embora não eliminem o professor de referência que mantém um contato mais prolongado com a classe. Aposta-se, assim, que o esforço conjunto dos professores, apoiado por outras instâncias dos sistemas escolares, contribua para criar uma escola menos seletiva e capaz de proporcionar a cada um e a todos o atendimento mais adequado a que têm direito.

Para evitar que as crianças de 6 (seis) anos se tornem reféns prematuros da cultura da repetência e que não seja indevidamente interrompida a continuidade dos processos educativos levando à baixa autoestima do aluno e, sobretudo, para assegurar todas as crianças uma educação de qualidade, recomenda-se enfaticamente que os sistemas de ensino adotem nas suas redes de escolas a organização em ciclo dos três primeiros anos do Ensino Fundamental, abrangendo crianças de 6 (seis), 7 (sete) e 8 (oito) anos de idade e instituindo um bloco destinado à alfabetização.

Mesmo quando o sistema de ensino ou a escola, no uso de sua autonomia, fizerem opção pelo regime seriado, é necessário considerar os três anos iniciais do Ensino Fundamental como um bloco pedagógico ou um ciclo sequencial não passível de interrupção, voltado para ampliar a todos os alunos as oportunidades de sistematização e aprofundamento das aprendizagens básicas, imprescindíveis para o prosseguimento dos estudos.

Os três anos iniciais do Ensino Fundamental devem assegurar:

a) a alfabetização e o letramento;

b) o desenvolvimento das diversas formas de expressão, incluindo o aprendizado da Língua Portuguesa, a Literatura, a Música e demais artes, a Educação Física, assim como o aprendizado da Matemática, de Ciências, de História e de Geografia;

c) a continuidade da aprendizagem, tendo em conta a complexidade do processo de alfabetização e os prejuízos que a repetência pode causar no Ensino Fundamental como um todo, e, particularmente, na passagem do primeiro para o segundo ano de escolaridade e deste para o terceiro.

Ainda que já dito em termos mais gerais, vale enfatizar que no início do Ensino

Fundamental, atendendo às especificidades do desenvolvimento infantil, a avaliação deverá basear-se, sobretudo, em procedimentos de observação e registro das atividades dos alunos e portfólios de seus trabalhos, seguidos de acompanhamento contínuo e de revisão das abordagens adotadas, sempre que necessário…”

De modo que em 2011 as escolas deverão se preparar para :

– rever o Projeto Pedagógico no sentido de adequá-lo as novas exigências legais, isto é, elaborar a proposta de ensino (prevendo os momentos de recuperação contínua e paralela) dos três primeiros anos de tal forma que atendam o princípio da continuidade visando abolir a ruptura que há entre os anos prevista no regime seriado;

– alterar o Regimento Escolar no sentido de abolir a retenção nos 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental;

– pensar em contar com um professor que inicie com os alunos no 1º ano do Ensino Fundamental e os acompanhe até o 3º ano, ao invés de trocar de professor em cada ano. Esse procedimento garantirá melhor a continuidade do trabalho com aquela turma;

– material didático modificado que atenda o ciclo pedagógico e não mais séries estanques.

Os profissionais de educação terão um bom trabalho em 2011 para preparar as escolas para o próximo ano letivo já adequado as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 anos.

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27
mar

A escola não durará para sempre

por Sônia R. Aranha às 17:18 em: Educação

 

Abaixo disponibilizo um vídeo que está circulando no Youtube que diz respeito a uma entrevista com um garoto , parece ser australiano, de quinze anos que ao apanhar na escola revida (depois de anos de resignação) e após o episódio ser disponibilizado no Youtube vira herói para muitos garotos que como ele sofrem de bullying escolar.

A cena deste garoto apanhando sem nenhum motivo seguida de seu revide é impressionante, mas mais ainda é a sua declaração sobre: o sofrimento, o isolamento social, o pensamento de suicídio para sair da situação e , sobretudo, o seu conselho para outros jovens que sofrem bullying “ a escola não durará para sempre”.

Esta frase é de arrepiar aqueles que são educadores como eu, porque a escola , para esse garoto e outros inúmeros espalhados pelo mundo, é um tormento, o pior momento de suas vidas , uma prisão, um filme de terror.

Tudo bem que no início e meados do século XX a escola foi um calvário , mas um menino do século XXI falar isso é demais, não?

O que nós profissionais da educação estamos fazendo nas escolas? Para quê tantas pesquisas educacionais se não são aplicadas no cotidiano escolar ?

Infelizmente esses nossos jovens de todo e qualquer canto de nosso planeta estão acuados, sozinhos , negligenciados , sem apoio.

No Brasil há inúmeros casos de bullying e todos os tipos: se o jovem ou criança são gordos sofrem, se são muito magros sofrem, se a orientação sexual não é a heterossexual sofrem, se são negros sofrem, se são muito pobres sofrem também, se os pais votam em um determinado candidato sofrem… e a escola se esconde como um avestruz … até que pais resolvam tomar uma atitude na justiça ou um caso com final dramático é vazado para a impressa , daí a escola toma uma atitude.

A escola deve, enquanto uma instituição social, ser pro – ativa promovendo campanhas, debates, projetos que dizem respeito a alteridade envolvendo toda a comunidade escolar.

Trata-se da escola não tolerar em nenhuma hipótese qualquer tipo de evento de bullying , como também qualquer comentário preconceituoso (político, raça, gênero, sexual , etc…) por qualquer profissional que nela trabalhe.

É lamentável que em pleno século XXI tenhamos conseguido surpreendentes  avanços tecnológicos sem conseguir , no entanto, evitar declaração tão verdadeira e sofrida deste jovem : ” ainda bem que a escola, não durará para sempre em sua vida.”

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Eu vi no Viomundo (aqui)  uma boa dica de vídeo para discutir com os professores no Planejamento de 2011. Aproveitem.

Caso a legenda não esteja aparecendo, ative-a  na barra do vídeo

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