Arquivo de Educação Especial e Inclusiva

Um programa na TVT muito interessante a respeito da obrigação da escola em aceitar a matrícula das crianças com necessidades educacionais especiais.

A obrigatoriedade da inclusão é um dos assuntos que serão abordados sob o prisma jurídico no II Encontro Paulista sobre Judicialização das Relações Escolares.

A lei nº 7.853, de 1999, pela inclusão social e a favor da diversidade passou a obrigar a aceitação de crianças com deficiência em classes regulares. Graças a essa medida o número de crianças e adolescentes matriculados aumentou significativamente. Em 2001 era 81 mil, em 2009 já eram 386 mil. A proporção de pessoas com deficiência é de 8 a 10% do total da população.

Assistam este programa!

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Abaixo segue um recado da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão em 2004.

Aos pais de crianças ou adolescentes sem  deficiência ou qualquer outra necessidade especial  in Acesso aos Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns Regulares  (p.50)

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A proposta educacional inclusiva é aquela que considera TODAS as crianças e TODOS os adolescentes como titulares do direito à educação, sem discriminações.

Ao contrário do que ainda alguns pensam, o fato de educandos com e sem deficiência passarem a frequentar a mesma turma escolar em nada prejudica a qualidade do ensino. As alterações necessárias nas práticas de avaliação e de ensino vão gerar uma escola de melhor qualidade do que a atual.

Vale a pena destacar que crianças com deficiência mental aprendem com mais dificuldade os conteúdos escolares, de acordo com os limites de seu raciocínio abstrato, podendo, no entanto, assimilar conhecimentos mais complexos, quando eles se apresentam a partir de situações e de objetos concretos. Os alunos sem deficiência mental aprendem mais rapidamente esses conteúdos,
pois têm menos limites em seu raciocínio abstrato, mas também têm algumas possibilidades intelectuais limitadas e, sem as situações e exemplos concretos, acabam esquecendo rapidamente o que aprenderam.

Quando o ensino não é compatível com a capacidade que qualquer aluno tem de entender o conteúdo escolar, este perde o sentido e é esquecido rapidamente. Muitos de nós não nos esquecemos dos nomes: tangente, coseno, dígrafos, onomatopéias etc, mas dificilmente nos lembramos para que servem e como são calculados. Se tivéssemos contado com casos concretos para a compreensão dos temas, o esquecimento não teria vindo tão facilmente.

Uma escola que reconhece e valoriza as diferenças presentes em suas salas de aula, trabalha com os conteúdos curriculares de modo que possam ser aprendidos de acordo com a capacidade de cada um. Isso não significa que os professores têm de ensinar individualmente ou adaptar currículos para este ou aquele aluno, afinal, a escola não ensina um por um, mas coletivamente.

O aluno com deficiência mental e/ou dificuldades de aprendizagem aprende quando o professor acata o modo pelo qual ele aborda e responde às atividades que lhe são propostas. O aluno sem deficiência mental, por sua vez, não só vai continuar aprendendo aquilo que aprenderia, mas vai ter melhores ocasiões de apreender, ou seja, de reter aquilo que lhe foi ensinado, ainda mais se puder trabalhar em grupo e compartilhar o aprendizado ensinando os seus colegas de turma.

Uma escola assim pautada e que permita uma convivência com essa consciência da diversidade, possibilitará um preparo para a cidadania e um desenvolvimento humano muito maior para TODOS.

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Queridos leitores,

Escrevi um post intitulado A inclusão dos alunos com necessidades especiais é irreversível.

Este post saiu no Jornal GGN cujo editor é o jornalista Luis Nassif.

Aqui o link para lerem na fonte, caso queiram: http://jornalggn.com.br/noticia/a-inclusao-dos-alunos-com-necessidades-especiais-e-irreversivel

A inclusão dos alunos com necessidades especiais é irreversível

Luis Nassif, que assunto espinhoso é esse!

Mas suas informações e análises são claras e precisas e precisam ser divulgadas.

A inclusão é irreversível, as pesquisas apontam que as crianças são favorecidas quando inseridas em cursos regulares e minha experiência enquanto diretora de escola que fui também diz que sim. Há a plasticidade do cérebro que, na interação com o Outro, levando a mediação dos conhecimentos, provocam o desenvolvimento e os avanços.

É fácil o trabalho pedagógico? É fácil atender a acessibilidade do espaço físico para todos, a convivência com o diferente?

Não. Não é.

Mas estamos na escola para estudar, pesquisar e encontrar soluções para uma aprendizagem personalizada, porque cada criança é uma e possui a sua especificidade.

Conto-lhe, a título de exemplo, que recebi um aluno na escola para matricula, em 2001 com 11 anos, sem nunca ter estudado em escola regular, vindo da Pestalozzi, com diagnóstico de lesão cerebral moderada e segundo a mãe, quando no ato da matrícula, seu comprometimento era restrito a coordenação motora dos membros superiores e inferiores. Dedos com pouca articulação, pernas sem articulação, enfim… Estávamos em 2001 e a questão da inclusão e a questão da acessibilidade ainda estavam engatinhando.

Primeiro movimento que tivemos era o de dar condições para que ele pudesse se deslocar no espaço, pois não dobrava o joelho para subir degraus, quanto mais escadas.

Fizemos rampas, barras de apoio nos banheiros, enfim… adequamos o espaço.

Ele foi matriculado na antiga 1ª série do ensino fundamental de 8 anos. Durante o processo de ensino/aprendizagem percebemos que havia um comprometimento cognitivo. Pouco falava e sua idade mental era de 5 anos, pois não conservava quantidades, volumes , dentre outros.

Um ano ficamos analisando, pesquisando e trocando informações com outros profissionais. Neste primeiro ano ele sequer aprendeu o traçado das letras, porque havia o comprometimento da coordenação fina.. de modo que pegar em um lápis era muito difícil quanto mais escrever com ele. Números nem pensar.

E o que fazer?

Percebemos que ele gostava das aulas de informática e daí veio-me uma luz: a de alfabetizá-lo com o teclado do computador em detrimento do lápis e do caderno. O teclado facilitava e muito porque com apenas um toque ele conseguia escrever de forma legível.

Assim ele seguiu para o 2º ano, laptop não era de uso comum, de modo que tivemos que deslocar um computador para sala de aula para que fosse o seu material didático. E o professor adaptou o Plano de Trabalho do ano para a especificidade dele. Isto significa dizer que os conteúdos programáticos eram dados de forma geral, mas para ele a exigência estava dentro de sua capacidade real.

Então, o ensino é junto com todos os demais, mas sem apagar a diferença, porque ele tinha uma especificidade dada pela lesão cerebral. Por alguns anos foi atendido pela Pestalozzi no contra-turno, mas depois não houve mais necessidade deste atendimento.

Todos os anos ele foi promovido porque avançava dentro dos objetivos que foram traçados de modo específico para ele. E assim ele chegou até a 8a série,concluindo o ensino fundamental com 19 anos e seguindo para o Ensino Médio.

Era irreconhecível após os 9 anos de estudo de forma integrada com os demais alunos, pois o avanço do desenvolvimento intelectual, motor e afetivo eram notórios, propiciados pela aprendizagem. Segundo Vygotsky o aprendizado, mediado pelo Outro, alavanca o desenvolvimento. É um fato.

E ele não foi um caso isolado nesta escola que postulava a inclusão. Uma escola particular, mas com parcos recursos, atendendo pais da classe trabalhadora.

Família, escola e outros profissionais podem promover avanços em escolas regulares, é possível. O que não exclui a participação das outras instituições como APAes que devem e podem orientar as escolas regulares, assumindo o contra-turno, com vistas inclusive ao convívio social , e no atendimento dos casos impossíveis de serem bem assistidos na instituição de ensino regular. Penso que deste modo atingiremos um avanço enorme, assim como reconheceu D. Jô.

De maneira que concordo plenamente com a sua rica explanação.

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09
out

A escola pública inclusiva é uma realidade e promove novos desafios para todos os educadores, isto é, para todos os profissionais que trabalham na escola.

Assista :

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Estamos  em setembro o que nos alerta a respeito do pouco tempo que temos para planejar o ano letivo de 2014 . O ideal é já estar com tudo pronto em agosto para iniciar as matrículas , mas sempre há os retardatários , talvez isso se deva a cultura brasileira de deixar tudo para a última hora ou indica a pouca importância que o planejamento tem para os gestores escolares. De qualquer forma é necessário elaborar uma planilha de custos para poder definir as mensalidades.

escolamaca

Uma questão muito importante a ser levada em conta na hora de projetar custos é a inclusão de alunos com necessidades especiais.

Sabemos que para cada pessoa com deficiência (surda, cega,cadeirante, lesão cerebral, TDHA, dentre outras) é preciso contar com recursos específicos e que são de inteira responsabilidade da escola.

Com toda a legislação disponível não há espaço para as dúvidas: a escola tem, necessariamente, que acolher todos os alunos com necessidade de educação especial que pleitearem vaga . Ponto e acabou, sem desculpas e sem delongas.

Alegar que ” todas as classes da escola já tem um aluno com problema e com dois em sala a professora não consegue trabalhar” (aqui) é atestar incompetência da gestão escolar, porque ignora a legislação da educação especial e , sobretudo, o significado de responsabilidade civil estabelecido pela Constituição Federal.

Incluir significa elevação de custos para a escola particular. Isso é um fato e ninguém o questiona.

De modo que é preciso computá-los na planilha de custos para provar a necessidade de aumento da mensalidade.

Hoje é necessário que as salas de aula tanto da Ed.Infantil, bem como as do 1o ao 5o anos possam contar com auxiliares de classe, além do professor titular. É preciso também de pelo menos dois profissionais de educação especial , se possível um que domine LIBRAS ( Língua Brasileira de Sinais).

Além de profissionais especializados em educação especial , a escola precisa ser acessível, tanto para o cadeirante , como para aqueles com mobilidade comprometida. Rampas, barras de apoio nos banheiros, portas que permitam a passagem da cadeira de rodas, mapas táteis para alunos cegos. São muitos aspectos a serem vistos para que a escola se torne acessível para todos e adaptações, reformas e construções acessíveis geram custos.

A recomendação é que os gestores fiquem afiados quanto a legislação da inclusão, seja aquela específica para a educação de necessidades especiais , como a que diz respeito a acessibilidade.

Para o caso de acessibilidade , sugiro um curso a distância, via internet, Arquitetura Acessível x Barreiras Arquitetônicas e Culturais que embora vise os arquitetos, serve e muito bem para gestores escolares que precisam saber quais são as modificações que necessitam fazer no prédio escolar.

Perguntas e respostas:

1) Minha escola pode praticar mensalidades diferenciadas , isto é, um valor diferente para alunos com necessidades especiais já que os serviços de apoio geram maiores custos?

Não, não pode. Os custos gerados para apoiar alunos com deficiência devem compor a planilha de custos.

2) Minha escola pode cobrar uma taxa extra para contratar profissional para atender aluno com necessidades especiais?

Não, não pode. Os custos para a contratação de interprete de LIBRAS, por exemplo, e/ou outros profissionais com especialização em educação especial devem compor a planilha de custos.

3) Os custos com alunos com necessidades especiais se colocados na planilha de custos serão pagos por todo os pais. Este é um procedimento legal?

Sim, é legal. O custeio de atendimentos especializados para aluno com deficiências não deve ser arcado pelos responsáveis pelo aluno e sim diluído nos custos totais da planilha de preços da escola, ou seja, dentre todos os demais alunos. Os fundamentos legais são:

Artigo 205 da Constituição Federal diz que a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho ;

Artigo 206 , inciso I da Carta Política diz que o ensino será ministrado com base no princípio da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

Artigo 208, inciso III da Constituição Federal determina que a educação deve ser prestada mediante a garantia de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;

Artigo 227, § 1º, II, da Carta Maior estabelece que cabe ao Estado a criação de programas de prevenção e atendimento especializado para os portadores de deficiência física, sensorial ou mental;

– A oferta de educação por instituições particulares possui caráter de prestação de serviço público;

-Decreto Legislativo n.º 186/08 aprovou o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, nos termos do § 3º do art. 5º da Constituição Federal – status de
emenda constitucional –, estabelecendo, em seu artigo 24, item 2, que, para a realização do direito à Educação, os Estados Partes assegurarão que as pessoas com deficiência recebam o apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação;

O Decreto n.º 7.611/11 que dispõe sobre o atendimento especializado aos discentes – estabelece que “a educação especial deve garantir os serviços de apoio especializado voltado a eliminar as barreiras que possam obstruir o processo de escolarização de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação”, compreendendo este atendimento “o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucional e continuamente”, os quais devem constar da proposta pedagógica da escola;

– A Política Nacional de Educação Especial que na Perspectiva da Educação Inclusiva, de janeiro de 2008 que assevera que “cabe aos sistemas de ensino, ao organizar a educação especial na perspectiva da educação inclusiva, disponibilizar as funções de monitor ou cuidador aos alunos com necessidade de apoio nas atividades de higiene, alimentação, locomoção, entre outras que exijam auxílio constante no cotidiano escolar”;

– O Decreto n.º 3.956/01 que reafirma que as pessoas com deficiência tem os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que as demais pessoas;

– O artigo 8º, inciso I da Lei n.º 7.853/89 dispõe que constitui crime, punível com reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno emestabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta;

– A Nota Técnica n.º 02/2012 da Diretoria de Políticas de Educação Especial do MEC estabelece que:

a) “as instituições de ensino privadas, submetidas às normas gerais da educação nacional, deverão efetivar a matrícula no ensino regular de todos os estudantes, independentemente da condição de deficiência física, sensorial ou intelectual, bem como ofertar o atendimento educacional especializado, promovendo sua inclusão escolar”;

b) “assim como os demais custos de manutenção e desenvolvimento do ensino, o financiamento de serviços e recursos da educação especial, contemplando professores e recursos didáticos e pedagógicos para atendimento educacional especializado, bem como tradutores/intérpretes de Libras, guia-interprete e outros profissionais de apoio às atividades de higiene, alimentação e locomoção, devem integrar a planilha de custos da instituição de ensino”;

c) “não encontra abrigo na legislação a inserção de qualquer cláusulacontratual que exima as instituições privadas de ensino, de qualquer nível, etapa ou modalidade, das despesas com a oferta do atendimento educacional especializado e demais recursos e serviços de apoio da educação especial”, caracterizando “descaso deliberado aos direitos dos estudantes o não atendimento de suas necessidades educacionais especiais;

Leia a Recomendação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para as escolas particulares do Distrito Federal que estavam cobrando mensalidades diferenciadas ou taxas extras para efetivarem matrícula para alunos com necessidades especiais. (aqui)

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04
jul

Extraído do site: http://templegrandin.com/

Autismo e problemas sensoriais muitas vezes caminham lado a lado. É comum para as pessoas com autismo ter problemas sensoriais que afetam seu comportamento e suas percepções. No entanto, aqueles com distúrbios do processamento sensorial não são necessariamente afetados pelo autismo.

Entrevista com a Dra. Temple Grandin que é autista:

Por que é importante considerar terapias sensoriais?

Para alguns indivíduos com autismo, terapias sensoriais são muito benéficas. O autismo é altamente variável e uma terapia sensorial que funciona bem para uma criança pode não ter nenhum efeito sobre a outra. Algumas das terapias sensoriais mais comuns são: o uso de pressão profunda para acalmar, balançar, as atividades de trabalho pesado e lentos e o método de escovação. Terapias sensoriais realizadas por um terapeuta ocupacional pode ajudar algumas crianças a se tornarem mais calmas, mais atentas e pode ajudar no desenvolvimento da fala.


Como você avalia qual é a terapia sensorial mais recomendável para uma criança?

Crianças que buscam pressão profunda rolando em cobertores ou que ficam sob os colchões são os mais susceptíveis de beneficiar de pressão profunda. Em crianças pequenas, a pressão profunda pode ser facilmente aplicado rolando uma criança em esteiras pesadas ??ou ficar em cadeiras do saco de feijão. Em muitos indivíduos, a máquina de aperta ou de outros dispositivos que se aplicam pressão são calmantes. Pressão profunda é mais eficaz quando é aplicada por 20 minutos e, em seguida, removido por 20 minutos. Crianças que gostam de balançar pode se beneficiar dele. Algumas crianças podem ser capazes de falar mais facilmente, enquanto eles estão a balançar lentamente ou sentado em equilíbrio em uma esfera de exercício. Coletes Ponderadas ajudam algumas crianças e não funcionam para outras.


O que significa uma dieta sensorial ?

Uma dieta sensorial significa simplesmente que, em determinados intervalos, uma criança pode precisar de uma pausa para acalmar o sistema nervoso . Problemas sensoriais estão em um continuum de leve a grave. As crianças com mais problemas sensoriais graves terão intervalos mais frequentes para acalmar um sistema nervoso mais excitado. Durante estas pausas, a criança pode se envolver em atividades sensoriais que são calmantes. Muitas vezes, é melhor ter as quebras em horários programados para evitar acidentalmente gratificar uma criança por fazer  uma birra. Se a criança fica com paradas sensoriais depois que ele / ela se comporta mal, ele / ela pode se comportar mal para obter mais pausas.



Quais são as terapias sensoriais mais comuns?

  • Pressão profunda como rolar em tapetes, colete ponderada, máquina de aperto ou cobertor ponderada para ajudar a dormir.
  • Lento balançando de 10 a 12 vezes por minuto para acalmar
  • Escovar a pele com escovas macias para acalmar (Método Wilbarger)
  • Lentes Irlen e papel em tons pastel para ajudar com a leitura. Lentes coloridas pálidas ajudar um subconjunto de crianças com autismo ou dislexia com a leitura.  Muitas vezes, rosa pálido, azul claro ou óculos de sol    são úteis  . Tente imprimir material de leitura sobre os diferentes papéis pastéis como verde claro, azul claro, bege cinza, lavanda e amarelo claro. A criança deve escolher o papel que funciona melhor para eles. As crianças que respondem bem a lentes coloridas e papel colorido, muitas vezes não pode tolerar 50 – ou 60-ciclo luzes fluorescentes. Se possível, mantenha a criança longe das luzes fluorescentes. Eles podem ver o brilho das luzes fluorescentes e eles fazem o quarto tremer como uma luz estroboscópica.
  • Atividades de mascar – Algumas crianças respondem bem ao ter coisas para mastigar. Atividades de mastigação irá acalmá-los. Eles precisam de estimulação oral.
  • Bolas e outros itens para segurar em sua mão  . Isso ajuda a algumas crianças se sentar ainda.
  • Treinamento Auditivo – Há uma série de CDs e dispositivos para treinamento auditivo. A criança escuta a música que foi modificada eletronicamente. Para algumas crianças, o treinamento auditivo pode ajudar a reduzir a sensibilidade ao som e melhorar a capacidade de ouvir sons consonantais duros. Alguns programas de treinamento auditivo são muito caros e os resultados são altamente variáveis ??e pode não valer a pena o custo. Tente métodos mais simples primeiro, como falando devagar com a criança para ajudá-lo a ouvir sons consonantais duros. Cantar é útil para algumas crianças e que pode ser capaz de aprender a cantar palavras antes que eles possam aprender a falar deles.

Quais são os objetivos da terapia sensorial?

Para ajudar a reduzir as birras, colapsos e hiperatividade, aumentar a permanência nas  tarefas e reduzir o comportamento auto-prejudicial.


Quanto tempo começa  a melhora?

Muitas vezes, as melhorias ocorrerão dentro de algumas semanas. Quando uma terapia sensorial funciona, haverá menos colapsos, birras e comportamentos mais calmos. A criança será capaz de permanecer na tarefa por longos períodos de tempo.

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A Dra. Temple Grandin ,uma norte-americana de sucesso e professora de zootecnia da Universidade Estadual do Colorado, é autista e sua vida foi retratada recentemente em filme protagonizado pela atriz Claire Danes.

O filme Temple Grandin é muito bacana porque mostra um modo diferente de ver o mundo: por imagens conectadas. Assista o trailler do filme aqui . Vale a pena conferir!

Este modo de ver o mundo fez com que a Dra.Temple Grandin projetasse um equipamento de mobilidade e movimentação do gado utilizado por várias empresas norte-americanas.

Deixo que a própria Dra. Temple Grandin fale sobre o autismo , palestra proferida no TED. Animador e vibrante saber que é possível vencer o autismo.

Temple Grandin:

O mundo necessita de todos os tipos de mentes

Penso que vou começar por falar um pouco sobre o que é autismo, exatamente. Autismo abrange um espectro muito amplo que vai do muito severo, no qual a criança permanece não verbal, até aos mais brilhantes cientistas e engenheiros. Na verdade sinto-me em casa aqui porque há muitos genes do autismo nesta sala.

É um espectro abrangente de características. Quando um “nerd” se revela ser um Asperger, que não é nada mais do que um grau leve de autismo? Quero dizer, o Einstein, o Mozart e o Tesla (Nikola), seriam todos provavelmente diagnosticados como sendo do espectro autista hoje em dia. E uma das coisas que realmente me vai preocupar é tornar estas crianças naqueles que vão inventar as coisas ligadas às energias do futuro.

E agora quero falar com vocês sobre as diferentes formas de pensar. Vocês tem que se afastar da linguagem verbal. Eu penso em imagens. Eu não penso em linguagem. Então, o que acontece numa mente autista é que se foca nos detalhes. Ok, este é um teste no qual vocês têm de descobrir as letras grandes, ou descobrir as letras pequenas. E o pensamento autista descobre as letras pequenas mais rapidamente.

O que acontece é que o cérebro normal ignora os detalhes. Bem, se vocês estiverem a construir uma ponte, os detalhes são muito importantes porque a ponte pode cair se vocês ignorarem os detalhes E uma das minhas maiores preocupações com as práticas estabelecidas hoje em dia é que as coisas estão a ficar demasiado abstratas. As pessoas estão deixando de colocar as mãos à obra. Preocupa-me que muitas escolas tenham retirado as disciplinas práticas porque artes e disciplinas do gênero essas eram as disciplinas em que eu era excelente.

Ok, no meu trabalho com o gado eu reparei em certos pormenores que a maior parte das pessoas não nota e que fazem o gado entrar em pânico. Como, por exemplo, esta bandeira a flutuar ao vento, exatamente em frente às instalações do veterinário. O gado estava no pátio de alimentação quase a destruir as instalações veterinárias por completo e tudo o que eles precisavam de fazer era mudar a bandeira de lugar. Movimentos rápidos, contraste. No início dos anos 70, eu desloquei-me às cabines de contenção ver o que é que o gado via. As pessoas pensavam que era uma loucura. Um casaco pendurado numa cerca assustava-os. Assustavam-se com as sombras, com uma mangueira que estivesse no chão.

Na verdade eu adorei o filme, a maneira como eles duplicaram os meus proje tos todos. É o meu lado “geek”. Os meus desenhos também desempenharam um papel no filme. Já agora, chama-se Temple Grandin, não Pensando em Imagens.

Então, como é pensar em imagens? É literalmente ver filmes na nossa cabeça. O meu cérebro funciona como o Google para Imagens. Bem, quando eu era uma criança não sabia que a minha forma de pensar era diferente. Eu pensava que toda a gente pensava em imagens. E quando escrevi o meu livro, Pensando em Imagens, comecei a perguntar às pessoas como é que elas pensam. E fiquei muito chocada por descobrir que o meu pensamento a minha forma de pensar é muito diferente. Por exemplo, se disser “Pensem numa torre de igreja” a maior parte tem uma imagem mais ou menos generalizadas de uma torre. Bem, se calhar nesta sala isto não se aplica, mas é verdade em muitos outros lugares. Eu só vejo imagens específicas. Elas aparecem na minha memória, como se esta fosse o Google para Imagens. E no filme, fizeram uma cena excelente onde a palavra “sapato” é dita, e um monte de sapatos dos anos 50 e 60 começam a aparecer na minha imaginação.

Ok, esta é a igreja da minha infância. É específico. Aqui estão mais umas, em Fort Collins. Ok, que tal umas igrejas famosas? E elas continuam a aparecer, mais ou menos assim. Muito rapidamente, como o Google para Imagens. E aparecem uma de cada vez E eu fico a pensar, ok, podemos ver se neva ou se vai trovejar e eu posso editar essas imagens e fazer um vídeo delas.

Ora bem, o pensamento visual é um bem essencial no meu trabalho em desenhar instalações para o manejo de gado. E tenho trabalhado arduamente em melhorar a forma como o gado é tratado nos matadouros. Não vos vou mostrar aqui nenhuns slides de matadouros horríveis. Tenho essas coisas no Youtube, se quiserem ver. Mas, uma das coisas que consegui fazer no meu trabalho de design foi a de literalmente fazer um teste de funcionamento a uma peça de equipamento no meu cérebro, como se fosse um sistema computorizado de realidade virtual. E aqui temos uma vista aérea da recriação de um dos meus projetos que foi utilizado no filme. Tem um ar tão espetacular! E também havia muitas pessoas com Asperger e com autismo, a trabalhar ali no set de filmagem. (Risos) Mas uma das coisas que realmente me preocupa, é qual é a versão mais novas daquelas pessoas. Eles não vão parar a Silicon Valley, que é onde eles pertecem. (Risos) (Aplausos)

Bem, uma das coisas que aprendi quando era nova, porque como não era muito sociável, foi que tinha de vender o meu trabalho e não a mim mesma. E a forma como vendi trabalhos na área da pecuária bem, eu mostrei os meus desenhos, mostrei imagens das coisas. Outra coisa que me ajudou em criança foi, bem, nos anos 50 ensinavam-nos a ter maneiras. Ensinavam-nos que não podemos tirar a mercadoria das prateleiras da loja e deixá-la espalhada por todo o lado.

Bem, quando os crianças chegam ao terceiro ou quarto ano, já se nota que este miúdo vai ser um pensador visual, porque desenha perspectivas. Bem, eu quero enfatizar que nem todos os miúdos autistas vão ser pensadores visuais. Bem, eu fiz este TAC há uns bons anos e costumava fazer piadas por eu ter um cabo gigantesco de ligação à internet profundamente incorporado no meu cortex visual. Aqui temos a ressonância magnética. E o meu cabo gigantesco de ligação à internet tem o dobro do tamanho comparado com o de controle. As linhas vermelhas são minhas e as linhas azuis são de uma pessoa com o mesmo sexo e idade que serve de controle. E podem ver, eu tenho uma linha gigantesca e a linha do controle que está aqui, a azul geralmente tem uma linha bem pequena.

E algumas pesquisas estão agora a demonstrar que as pessoas no espectro geralmente pensam com o córtex visual primário. Bem, o que se passa, é que o pensador visual tem um cérebro único. Estão a ver, o cérebro autista tem tendência a ser um cérebro especializado. Excelente numa coisa, muito mau noutra coisa qualquer. A coisa em que eu era muito má era em álgebra. E nunca me permitiram estudar geometria ou trigonometria. Foi um erro gigantesco. Tenho encontrado muitos miúdos que não precisam de estudar álgebra, precisam de ir diretamente para a geometria e trigonometria.

Bem, outro gênero de cérebro é do pensador por padrões. Mais abstratos. São estes os vossos engenheiros, os vossos programadores de computadores. Aqui temos um padrão de pensamento. Está ali um louva-a-deus que é feito de uma única folha de papel, sem uso de fita cola, e sem cortes. E como fundo temos o padrão que serve para o fazer. Estes são os tipos diferentes de pensamento, os pensadores visuais foto realísticos, como eu. Pensadores por padrões, músicos e matemáticos. Alguns destes têm muitas vezes problemas em ler. Vocês podem encontrar este tipo de problema em crianças que sofrem de disléxia. Podem ver estas formas diferentes de pensar. E depois há a mente verbal. Estes sabem fatos sobre todos os assuntos.

Ora, outra coisas são os problemas sensoriais. Eu estava muito preocupada por ter de usar este aparelho na minha cara. E vim para cá uma hora mais cedo para que eu pusessem habituar-me com ele. A produção dobrou-o para não me bater no queixo. A parte sensorial é um problema. Algumas crianças ficam incomodadas com luzes fluorescentes. Outros têm problemas relacionados com a sensibilidade ao som. Percebem, há sempre variantes.

Bem, pensar visualmente deu-me uma perspectiva do cérebro dos animais. Porque, pensem nisto. Um animal é um pensador baseado nos sentidos não é verbal. Pensa em imagens. Pensa em sons. Pensa em cheiros. Pensem em quanta informação existe na boca de incêndio local. Ele sabe quem esteve lá, quando esteve lá, se é um amigo ou inimigo, se é alguém com quem ele pode acasalar. Há uma tonelada de informação naquela boca de incêndio. É uma informação muito detalhada. E observar todo este tipo de detalhes deu-me bastante perspectiva sobre os animais.

Bem, a mente animal, bem como a minha mente armazena a informação baseada nos sentidos em categorias. Homem a cavalo, e homem a pé, vemos isso como duas coisas totalmente diferentes. Se tiverem um cavalo que foi maltratado pelo cavaleiro. Eles vão ter um comportamento normal com o veterinário e com o ferreiro, mas ele nunca vos deixará montá-lo. E se virmos outro cavalo, outro que tenha sido maltratado pelo ferreiro ele será terrível para tarefas no chão, com o veterinário, mas vai deixar o cavaleiro montá-lo. O gado age da mesma forma, Homem a cavalo, homem a pé, são duas coisas completamente diferentes. Sabem, é uma imagem diferente. Bem, eu quero que vocês pensem no quão específico isto é.

Agora, esta capacidade de armazenar informação por categorias, encontro muita gente que não é muito boa a fazê-lo. Quando estou a tentar resolver problemas de equipamentos, ou problemas com qualquer coisa numa fábrica, parece que eles não conseguem descobrir, “Será que a formação profissional que dou está errada?” Ou “passa-se alguma coisa de errado com o equipamento?” Noutras palavras, arquivam o problema de equipamento, no mesmo sítio dos problemas com as pessoas. Encontro muita gente que tem dificuldade em categorizar corretamente. Bem, imaginemos que eu descubro que é um problema de equipamento. É um problema pequeno, alguma coisa simples que posso arranjar? Ou o problema está no design inteiro do sistema? As pessoas têm muita dificuldade em descobrir isso.

Tomemos, por exemplo uma coisa como resolver problemas para tornar os aviões mais seguros. Sim, eu sou passageira com muitas horas de voo. Eu viajo muito, e muito de avião, e se eu trabalhasse na FAA (Federal Aviation Administration), qual seria a coisa a que faria muita observação direta? Seria às caudas dos aviões. Sabem, cinco dos acidentes de avião nos últimos 20 anos, aconteceram porque ou cauda saltou completamente, ou porque o trem de aterragem se partiu dentro da cauda de uma forma qualquer. O problema está nas caudas, pura e simplesmente. E quando os pilotos andam à volta do avião, pois adivinhem? Eles não conseguem ver o que se passa dentro da cauda do avião. Sabem, agora que penso nisto tudo, estou a lembrar-me de muita quantidade de informação específica. É específico. Então, estão a ver, eu penso ao contrário do normal. Primeiro pego nas peças pequenas, e depois junto-as todas como se fossem um puzzle.

Ora, imaginemos um cavalo que tem um medo mortal de vaqueiros que usam chapéus pretos. Foi maltratado por alguém que usava um chapéu preto de vaqueiro. Se forem chapéus brancos, não há problema nenhum. Ora, o que se passa é que no futuro o mundo vai precisar de todos estes cérebros diferentes a trabalhar juntos. Temos de trabalhar no desenvolvimento de todos estes tipos de pensadores. E uma coisa que me põem completamente louca, quando viajo pelo mundo e faço conferências sobre autismo é que encontro muitos miúdos geeks muito inteligentes. E eles não são muito sociáveis. E ninguém trabalha para desenvolver os seus interesses em coisas como a ciência.

E isto leva-me a falar do meu professor de ciências. O meu professor de ciências é deliciosamente ilustrado no filme. Eu era uma estudante meio tonta. E quando fui para a secundária eu não queria ligava nada aos estudos. Até ter aulas de ciências com o Professor Carlock. No filme a personagem dele é o Dr. Carlock. E ele desafiou-me para tentar compreender o funcionamento de uma sala de ilusão de óptica. E vocês têm de fazer isto pelos vossos filhos, mostrar-lhes coisas interessantes. Sabem, uma das coisas que eu pensei que talvez o TED devesse fazer era dizer a todas as escolas que há grandes conferências no TED e que há uma quantidade enorme de informação na internet, para motivar estes miúdos. Porque eu encontro estes miúdos inteligentes e meio geeks, e os professores do midwest, e de outras partes do país, aquelas zonas afastadas das zonas tecnológicas, eles não sabem o que fazer com estes miúdos! E estão a dirigi-los para caminhos errados.

A questão é que vocês podem moldar o cérebro de forma a que a mente seja mais pensativa e cognitiva. Ou podem molda-lo de forma a ser mais sociável. E o que as pesquisas têm demonstrado no autismo, é que podem existir mais formas de ligação aqui dentro, na verdadeira mente brilhante, e que perdemos alguns circuitos sociais em troca. É uma espécie de troca entre o pensar e o ser social. E às vezes chegámos ao ponto em que a troca é tão severa que vamos encontrar uma pessoa que não é verbal. No cérebro normal humano a linguagem ofusca o pensamento visual que partilhamos com os animais.

Este é o trabalho do Dr. Bruce Miller. Ele estudou doentes com Alzheimer que sofriam de demência do lobo temporal frontal. E a demência devorou a parte linguística do cérebro e esta obra de arte foi criada por alguém que costumava instalar aparelhagens em carros. Bem, o Van Gogh não devia perceber muito de física. Mas isto é muito interessante e já foram feitos estudos que provam que este gênero de padrão em espiral neste quadro segue um modelo estatístico de turbulência. O que nos leva uma teoria muito interessante de que talvez estes padrões matemáticos estejam armazenados no nosso próprio cérebro.

E as coisas todas do Wolfram (Stephen) que eu anotei notas que me lembrei de escrever para depois as pôr em palavras que pudesse usar porque eu penso que tem de continuar nas minhas conferências sobre autismo. Temos de mostrar a estes miúdos coisas interessantes. Foram-lhes retiradas as aulas de mecânica e aulas de educação visual, e aulas de arte. Quer dizer, a disciplina em que eu era melhor na escola era arte!

Temos de pensar em todos estes tipos diferentes de pensadores. E temos mesmo de trabalhar com estes gêneros de mentes porque nós vamos precisar absolutamente deste gênero de pessoas no futuro. E falemos de empregos. Ok, o meu professor de ciência fez com que eu estudasse porque eu era meio tonta e não queria estudar. Mas sabem que mais? Eu estava a ganhar experiência profissional. Tenho conhecido muitas criancas a quem não ensinaram as coisas básicas tais como ser pontual. Eu aprendi isso quando tinha oito anos. Sabem, como ter maneiras à mesa nas festas de domingo da avó. Eu aprendi isso quanto era muito, muito nova. E quando fiz 13 anos arranjei trabalho numa modista a costurar roupa. Fiz estágios durante a faculdade. Eu construía coisas. E também tive de aprender a fazer trabalhos.

Sabem, quando era pequena, tudo o que eu queria fazer era desenhar cavalos. A minha mãe disse-me “bem, vamos desenhar outra coisa qualquer”. Eles têm de aprender a fazer outras coisas. Por exemplo, uma criança que tenha uma fixação com Legos. Ensinem-no a construir com outro tipo de materiais. O que se passa no cérebro autista é que tem tendência a fixar-se. Uma criança que adore carros de corrida, ensinem-lhe matemática usando os carros. Deixem-no descobrir em quanto tempo é que um carro de corrida percorre uma certa distância. Noutras palavras, usem essa fixação de forma a motivar a criança, é uma das coisas que nós precisamos de fazer. Eu fico muito aborrecida quando os professores, especialmente nas zonas desta parte do país, eles não sabem o que fazer com estas crianças inteligentes. Isso põem-me louca!

O que é que os pensadores visuais podem fazer quando forem adultos? Podem trabalhar em design gráfico, em todo o gênero de coisas com computadores, fotografia, design industrial. Os pensadores por padrões, esses serão aqueles que no futuro serão os vossos matemáticos, os vossos engenheiros de sistemas, os vossos programadores de computador, todos esses tipos de trabalho. E depois têm os pensadores das palavras. Eles tornam-se grandes jornalistas. E também costumam ser muito bons atores de teatro. Porque uma das coisas sobre ser autista é, eu tive de aprender as competências sociais como se aprende um papel no teatro. É como se, temos mesmo de aprender a fazê-lo.

E precisamos de trabalhar com estes estudantes. E isto leva-nos aos mentores. Sabem, o meu professor de ciências não era um professor “credenciado”. Ele era um cientista espacial da NASA. Bem, agora em alguns estados estamos a ver que se o professor for licenciado em biologia ou em química ele chega a uma escola e pode ensinar biologia ou química. Nós precisamos de fazer isso. Porque o que eu tenho visto é que os bons professores, para muitos destas crianças, estão colocados apenas nas universidades. Precisamos de pegar esses excelentes professores e trazê-los para as escolas secundárias.

Outra coisa que pode ter muitos, muitos bons resultados há muita gente que já se pode ter reformado de trabalhos nas indústrias de software e eles podem ensinar a vossa criança. E não interessa se o que ele lhes ensina é antiquado porque o que ele está a fazer é apenas acender a chama. Ele está a motivar aquela criança! E quando uma criança se sente motivada, elea vai aprender todas as coisas mais recentes. Os mentores são essenciais. Não me canso de dizer isto o que o meu professor de ciências fez por mim. E temos de ser mentores deles e contratá-los.

E se lhes oferecerem estágios nas vossas empresas, o que se passa numa mente autista aspergiana, é que vocês têm de lhes dar tarefas específicas. Não digam só “desenhem novo software”. Vocês têm de lhes dar informações muito mais específicas. “Bem, nós precisamos de um software para um telefone e tem de fazer uma função específica e só pode utilizar uma certa quantidade de memória”. É este o gênero de especificidade que precisamos.

Bem, este é o final da minha conversa. Quero agradecer a todos por terem vindo. Foi muito bom estar aqui.

(Aplausos)

Ah, tem uma pergunta para mim? Ok. (Aplausos)

(Chris Anderson) Muito obrigado por ter feito isto. Sabe, uma vez escreveu, e passo a citar, “Se por algum passo de magia, o autismo fosse erradicado da face da Terra, neste momento o homem ainda estaria em frente de uma fogueira à entrada de uma caverna.”

(Temple Grandin) Então, mas quem é que pensam que fez as primeiras lanças de pedra? O tipo com Asperger. E se vocês se vissem livres de todos os fatores genéticos do autismo o Silicon Valleu deixava de existir, e a crise energética nunca seria resolvida. (Aplausos)

(CA) Então, eu queria fazer-lhe mais umas perguntas. Mas se achar que alguma é inapropriada fica à vontade para dizer “próxima questão” Mas se estiver aqui alguém que tem um filho autista ou que conhece uma criança autista e que não consegue comunicar com eles, que conselho é que tem para lhes dar?

(TG) Bem, em primeiro lugar, temos de ter em conta a idade. Se tiverem uma criança de dois, três ou quatro anos que não fala, sem interação social, Eu tenho de insistir nisto não fiquem à espera, vão precisar pelo menos de 20 horas semanais de educação um a um. Sabem, o que se passa, é que o autismo tem vários graus. Metade das pessoas dentro do espectro nunca vão aprender a falar e esses nunca irão conseguir trabalhar no Silicon Valley, não seria uma coisa razoável para eles.

Mas depois há as crianças inteligentes e meio geeks com um toque leve de autismo e são esses que vocês têm de motivar pondo-os a fazer coisas interessantes. Eu aprendi a interagir socialmente por interesses partilhados. Eu montava a cavalo com outras crianças. Eu fiz modelos de foguetões com outras crianças, participei em laboratórios de electrônica com outras crianças e nos anos 60 fazíamos colagens com espelhos nas membranas de borracha das colunas de som, para fazer espectáculos de luzes. E nós considerávamos isso o máximo!

(CA) É uma coisa irrealista para os pais desejarem ou pensarem que aquela criança os ama, como a maioria faz e pode, ou é só um desejo.

(TG) Deixem-me dizer-vos uma coisa, aquela criança será leal. E se a vossa casa um dia estiver em chamas eles vão tirar-vos lá de dentro.

(CA) Wow. Então, quando perguntamos à maior parte das pessoas qual é a coisa que os apaixona mais, eles geralmente respondem “Os meus filhos”, ou “o meu amante”. O que é que a apaixona mais?

(TG) Eu sou apaixonada pelas coisas que faço porque vão tornar o mundo num lugar melhor. E quando ouço a mãe de uma criança autista dizer, “O meu filho foi para a faculdade graças ao seu livro ou por causa de uma das suas conferências”. Isso faz-me feliz.

Sabem, os matadouros, eu trabalhei em vários nos anos 80, eram lugares absolutamente terríveis. Eu desenvolvi uma tabela de desempenho simples para os matadouros onde se podem controlar os resultados, a quantidade de gado abatido, quantos tiveram de levar choques elétricos, quantos animais mugiram até lhes saltar a cabeça. E é muito, muito simples. Têm de observar diretamente coisas muito simples. E resultou muito bem. Fiquei muito satisfeita por notar em coisas que marcam realmente a diferença no mundo real. Precisamos de muito mais disto e muito menos de coisas abstratas. (Aplausos)

(CA) Quando estávamos a falar ao telefone, uma das coisas que disse e que me surpreendeu foi uma coisa que disse que era apaixonada por centrais de servidores. Fale-nos sobre isso.

(TG) Bem, a razão porque fiquei tão entusiasmada quando li sobre eles é por conterem conhecimento. São bibliotecas. E o conhecimento para mim é uma coisa que é extremamente valiosa. Bem, talvez porque, há 10 anos a nossa biblioteca sofreu uma inundação.E isto aconteceu antes da explosão da internet. E eu fiquei muito aborrecida porque os livros estragaram-se todos, porque o conhecimento foi destruído. E as centrais de servidores ou centrais de dados são grandes bibliotecas de conhecimento.

(CA) Temple, posso só dizer-lhe que foi excelente tê-la aqui no TED.

(TG) Ora, muito obrigada. Muito obrigada. (Aplausos)

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Um ótimo material de informação a respeito de Altas Habilidades  é a cartilha Um Olhar para Altas habilidades: construindo caminhos. Nela podemos saber :

– quais são as características de pessoas com altas habilidades;

– quem pode fazer a identificação;

– o que fazer com alunos com altas habilidades;

-o que é aceleração e enriquecimento de estudos.

É possível baixar a cartilha gratuitamente já que a iniciativa é do Governo do Estado de São Paulo.

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