Arquivo de julho, 2013

 

A Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013, que altera a LDB n. 9394/96, diz que as crianças com 4 anos devem ser matriculadas na Educação Infantil.

Com isso, a Educação Infantil passa a fazer parte da Educação Básica e, em função disso, terá que se organizar de uma outra forma:

- frequência - não era uma exigência, mas agora é . A criança deverá frequentar 60% do total de horas .

De modo que a escola de Educação Infantil terá que sistematizar o controle de frequência a partir de agora.

calendário escolar – A carga horária mínima de 800 horas e no mínimo 200 dias letivos, como já ocorre no ensino fundamental e médio.

Período – Para turno parcial 4 horas no mínimo e 7 h para período integral.

Aqui cuidado com os arranjos que algumas escolas fazem de pacotes de número menor de horas/dia para crianças a partir de 4 anos.

-Avaliação – A criança será avaliada, mas a recomendação é a da não retenção. As avaliações deverão ocorrer mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental.

Documentação – a Lei n.12.796/2013 solicita a expedição de documentação que permita atestar os processos de aprendizagem e desenvolvimento da criança.

Portanto, as exigências aumentam para a educação infantil e os prontuários dos alunos deverão ser melhor sistematizados.

Como as escolas de Educação Infantil são supervisionadas pelas Secretarias de Educação dos Municípios, cada secretaria certamente saberá orientar as diretoras pedagógicas e suas secretárias para que atendam estas exigências a contento.

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Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências.  

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações:

?Art. 3o …………………………………………………………………

………………………………………………………………………………….

XII – consideração com a diversidade étnico-racial.? (NR)

?Art. 4o ………………………………………………………………..

I – educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada da seguinte forma:

a) pré-escola;

b) ensino fundamental;

c) ensino médio;

II – educação infantil gratuita às crianças de até 5 (cinco) anos de idade;

III – atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, transversal a todos os níveis, etapas e modalidades, preferencialmente na rede regular de ensino;

IV – acesso público e gratuito aos ensinos fundamental e médio para todos os que não os concluíram na idade própria;

………………………………………………………………………………….

VIII – atendimento ao educando, em todas as etapas da educação básica, por meio de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde;

…………………………………………………………………………? (NR)

?Art. 5o O acesso à educação básica obrigatória é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo.

§ 1o O poder público, na esfera de sua competência federativa, deverá:

I – recensear anualmente as crianças e adolescentes em idade escolar, bem como os jovens e adultos que não concluíram a educação básica;

…………………………………………………………………………? (NR)

?Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade.? (NR)

?Art. 26. Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.

………………………………………………………………………..? (NR)

?Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.? (NR)

?Art. 30. ………………………………………………………………

………………………………………………………………………………….

II – pré-escolas, para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade.? (NR)

?Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo com as seguintes regras comuns:

I – avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental;

II – carga horária mínima anual de 800 (oitocentas) horas, distribuída por um mínimo de 200 (duzentos) dias de trabalho educacional;

III – atendimento à criança de, no mínimo, 4 (quatro) horas diárias para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral;

IV – controle de frequência pela instituição de educação pré-escolar, exigida a frequência mínima de 60% (sessenta por cento) do total de horas;

V – expedição de documentação que permita atestar os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança.? (NR)

?Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.

………………………………………………………………………..? (NR)

?Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação:

………………………………………………………………………..? (NR)

?Art. 60. ……………………………………………………………..

Parágrafo único. O poder público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.? (NR)

?Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio na modalidade normal.

………………………………………………………………………………….

§ 4o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios adotarão mecanismos facilitadores de acesso e permanência em cursos de formação de docentes em nível superior para atuar na educação básica pública.

§ 5o A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios incentivarão a formação de profissionais do magistério para atuar na educação básica pública mediante programa institucional de bolsa de iniciação à docência a estudantes matriculados em cursos de licenciatura, de graduação plena, nas instituições de educação superior.

§ 6o O Ministério da Educação poderá estabelecer nota mínima em exame nacional aplicado aos concluintes do ensino médio como pré-requisito para o ingresso em cursos de graduação para formação de docentes, ouvido o Conselho Nacional de Educação – CNE.

§ 7o (VETADO).? (NR)

?Art. 62-A. A formação dos profissionais a que se refere o inciso III do art. 61 far-se-á por meio de cursos de conteúdo técnico-pedagógico, em nível médio ou superior, incluindo habilitações tecnológicas.

Parágrafo único. Garantir-se-á formação continuada para os profissionais a que se refere o caput, no local de trabalho ou em instituições de educação básica e superior, incluindo cursos de educação profissional, cursos superiores de graduação plena ou tecnológicos e de pós-graduação.? ?Art. 67. ………………………………………………………………

………………………………………………………………………………….

§ 3o A União prestará assistência técnica aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios na elaboração de concursos públicos para provimento de cargos dos profissionais da educação.? (NR)

?Art. 87. ……………………………………………………………..

………………………………………………………………………………….

§ 2o (Revogado).

§ 3o …………………………………………………………………….

I – (revogado);

………………………………………………………………………………….

§ 4o (Revogado).

………………………………………………………………………..? (NR)

?Art. 87-A. (VETADO).?

Art. 2o Revogam-se o § 2o, o inciso I do § 3o e o § 4o do art. 87 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

Art. 3o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Ver tópico

Brasília, 4 de abril de 2013; 192o da Independência e 125o da República.

DILMA ROUSSEFF

Aloizio Mercadante

Este texto não substitui o publicado no DOU de 5.4.2013

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bear

Agora não tem jeito.

Obrigatoriamente os pais de crianças com 4 anos ou a completar até a data-corte (ler aqui a este respeito) deverão matriculá-las na Educação Infantil.

A Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013, que altera a LDB n. 9394/96 ,em seu artigo 4º diz que:

“educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade,organizada da seguinte forma: a) pré-escola;b) ensino fundamental; c) ensino médio;”

No artigo 6º ” É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade”.?

Se até então a Educação Infantil era uma opção dos pais, algo mais flexível, sem exigências de frequência, a partir da Lei n.12.796 não mais.

Então, atenção pais de crianças de 4 anos ou a completar 4 anos em 2014 (daí depende do Estado e da data-corte leia aqui), caso não façam isso estarão sujeitos a multas segundo o artigo 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a prisão segundo o artigo 246 do Código Penal.

Lei Estadual n.12.796/2013

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23
jul

A luta dos professores de Oaxaca

por Sônia R. Aranha às 19:48 em: Educação

Em 2006 os professores de Oaxaca, o Estado mais pobre do México, resolveram entrar em greve, não só pela melhoria salarial, mas sobretudo, pela melhoria de condições de ensino para as crianças que não tinham calçados para ir para escola, comida, material escolar, transporte.

Esta luta ,retratada no documentário Un poquito de tanta verdad (2006), desencadeou uma tremenda mobilização social e uma marcha de professores visando a queda do governado do Estado e melhores condições de vida para o povo de descendência nativa.

Impressionante a força dos professores a confrontar com o poder da classe dominante mexicana e seus meios de comunicação que sempre estão a serviço da classe dominante e do capital internacional e contra o povo.

Vale a pena assistir para que nos lembremos a quem servimos  e a força que possuímos enquanto professores conscientes do nobre papel social que desempenhamos.

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O IBDA – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Arquitetura, movido pelos seus objetivos de contribuir com a formação contínua de sua área de atuação, uniu forças com o CentrodEstudos para introduzir, no setor da construção civil, um ambiente de aprendizagem virtual.

Trata-se de oferecer aos arquitetos, engenheiros civis, design de interiores, dentre outros profissionais da construção civil, cursos livres e a distância que criam oportunidades para enfrentar os novos desafios apresentados pela crise ambiental, crise econômica e o advento das novas tecnologias de informação e comunicação.

logo_ibda

O ambiente virtual de aprendizagem CentrodEstudos é constituído de interfaces amigáveis que abrigam aulas, tópicos de estudo e avaliações apoiadas em uma metodologia de ensino que alia o saber clássico e as novas tecnologias, levando em consideração o modelo andragógico (ensino de adultos) ao compreender o participante do curso enquanto agente ativo da construção de seu próprio conhecimento.

O acordo estabelecido entre o IBDA e o CentrodEstudos prevê a criação de cursos cujas temáticas envolvem vários aspectos dos ambientes construídos, tais como: acessibilidade, arquitetura verde, eficiência energética, marketing para profissionais do setor, dentre outros.

Conheça os cursos do IBDA-CentrodEstudos, na área de arquitetura e construção civil:

Arquitetura Acessível x Barreiras Arquitetônicas e Culturais
Eficiência Energética em Edificações-Simuladores
Muros de Arrimo em Solos Reforçados – Noções Básicas
Terra Crua – Especificações para projetar com blocos e painéis monolíticos

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Sir Ken Robinson sublinha 3 princípios cruciais para que a mente humana floresça — e como a atual cultura da educação trabalha contra isso. Em uma conversa engraçada e incitante, ele nos conta como sair do vale da morte educacional que enfrentamos agora, e como nutrir nossas gerações mais jovens com um clima de possibilidade.

Abaixo assista a sua palestra no TED:

Transcrição da palestra:

Eu me mudei para a América há 12 anos com minha esposa Terry e nossos dois filhos. Na verdade, nós de fato nos mudamos para Los Angeles — (Risos) pensando que estávamos nos mudando para a América, mas de qualquer forma, é uma viagem curta de Los Angeles para a América.

Cheguei aqui há 12 anos, e quando eu cheguei, fui informado sobre várias coisas tipo, “americanos não entendem ironia.” Já se deparou com esta ideia? Não é verdadeira. Eu viajei toda a extensão deste país e não encontrei provas de que os americanos não entendem ironia. É um desses mitos culturais, do tipo, “britânicos são reservados.” Eu não sei por que as pessoas pensam isso. Nós invadimos todos os países que encontramos. (Risos) Mas não é verdade que americanos não entendam ironia. Mas quero apenas que vocês saibam que isso é o que as pessoas estão falando de vocês pelas costas. Sabem, quando você deixa salas-de-estar na Europa, as pessoas dizem, felizmente, ninguém foi irônico na sua presença.

Mas eu sabia que americanos entendiam ironia quando me deparei com a legislação Nenhuma Criança Deixada para Trás. Porque quem quer que tenha pensado neste título entende ironia. não é, porque — (Risos)(Aplausos) — porque está deixando milhões de crianças para trás. Agora posso ver que não é um nome muito atraente para legislação: Milhões de Crianças Deixadas para Trás. Compreendo isso. Qual é o plano? Bem, nós propomos deixar milhões de crianças para trás, e eis aqui como vai funcionar.

E está funcionando lindamente. Em algumas partes do país, 60% das crianças abandonam o segundo grau. Em comunidades de Nativos Americanos, são 80% das crianças. Se nós usarmos a metade desse número, uma estimativa seria que criaria um ganho líquido para a economia dos EUA por mais de 10 anos de cerca de um trillão de dólares. Do ponto de vista econômico, esta é uma boa matemática, não é, devemos fazer isso? Na verdade custa muito caro para limpar os danos da crise do abandono.

Mas a crise de abandono é apenas a ponta do iceberg. O que isso não conta são todas as crianças que estão na escola mas desengajadas dela, que não gostam dela, que não recebem nenhum benefício real dela.

E a razão não é que não se esteja gastando dinheiro suficiente. A América gasta mais dinheiro em educação do que a maioria dos países. Os tamanhos das turmas são menores do que em muitos países. E há centenas de iniciativas todos os anos para tentar melhorar a educação. O problema é, está tudo indo na direção errada. Há três princípios no qual a vida humana floresce. e eles são contraditos pela cultura da educação na qual a maioria dos professores tem de trabalhar e a maioria dos estudantes tem de enfrentar.

O primeiro é que os seres humanos são naturalmente diferentes e diversos.

Posso lhes perguntar, quantos de vocês tem seus próprios filhos? OK. Ou netos. Dois filhos ou mais? Certo. E o restante de vocês viram essas crianças. (Risos) Pessoas pequenas perambulando por aí. Vou fazer uma aposta, e estou seguro que vou ganhar essa aposta. Se você tem dois filhos ou mais, aposto que eles são completamente diferentes um do outro. Não são? Não são? (Aplausos) Você nunca iria confundí-los, iria? Tipo, “qual deles você é? Relembre-me. Sua mãe e eu vamos introduzir um sistema de codificação de cores, assim não ficaremos confusos.”

Educação sob o Nenhuma Criança Deixada para Trás é baseado não na diversidade, mas na conformidade. O que as escolas encorajam a fazer é descobrir o que crianças podem fazer através de um espectro estreito de realização. Um dos efeitos do Nenhuma Criança é Deixada para Trás tem sido estreitar o foco das chamadas disciplinas de tronco. Elas são muito importantes. Não estou aqui para argumentar contra a ciência e matemática. Pelo contrário, elas são necessárias, mas não são suficientes. Uma educação real tem de dar peso igual para as artes, humanidades, educação física. Uma enorme quantidade de crianças, desculpa, obrigado – (Aplausos) Uma estimativa na América atualmente é que algo em torno de 10% das crianças, indo por esse caminho, estão sendo diagnosticadas com várias transtornos sob um amplo título de distúrbio de déficit de atenção. DDA. Não estou dizendo que não exista tal coisa. Eu apenas não acredito que haja uma epidemia como esta. Se colocar crianças sentadas, horas seguidas, fazendo trabalhos de baixa complexidade, não se surpreenda se elas começarem a ficar inquietas, sabiam? (Risos)(Aplausos) Crianças não estão, na maior parte das vezes, sofrendo de transtornos psicológicos. Elas estão sofrendo de criancice. (Risos) E eu sei disto porque eu passei o início da minha vida sendo criança. E passei pela coisa toda. Crianças se desenvolvem melhor com um curriculum mais amplo que celebre seus vários talentos, não apenas uma pequena parcela deles. E a propósito, as artes não são importantes apenas porque melhoram as notas em matemática. Elas são importantes porque falam a partes do ser da criança que de outra forma seriam intocáveis.

Segundo, obrigado — (Aplausos)

O segundo princípio que leva uma vida a desabrochar é a curiosidade. Se conseguir acender a fagulha da curiosidade em uma criança ela aprenderá sem auxílio extra, muito frequentemente. Crianças são aprendizes naturais. É realmente uma conquista colocar essa habilidade para fora, ou reprimí-la. A curiosidade é o motor da conquista. A razão pela qual eu digo isso é porque um dos efeitos da cultura atual daqui, se posso dizer isso, tem sido des-profissionalizar professores. Não há sistema no mundo ou qualquer escola no país que seja melhor do que os professores. Os professores são o sangue que traz vida ao sucesso das escolas. Mas o magistério é uma profissão criativa. O magistério, adequadamente concebido, não é um sistema de entrega. Sabem, você não está lá apenas para passar adiante a informação recebida. Grandes professores fazem isso, mas o que grandes professores também orientam, estimulam, provocam, engajam. Vejam, no final, a educação é sobre aprendizado. Se não há aprendizado acontecendo, não há educação acontecendo, E as pessoas podem passar um tempo enorme discutindo educação sem nunca discutir o aprendizado. O ponto principal da educação é fazer as pessoas aprenderem.

Um amigo meu, um velho amigo — na verdade muito velho, já faleceu. (Risos) Tão velho quanto possível, eu receio. Mas ele foi um cara maravilhoso, filósofo maravilhoso. Ele costumava falar sobre a diferença entre tarefa e a realização dos sentidos dos verbos. Sabem, você pode estar engajado na realização de algo mas não necessariamente realizando isso. como na dieta. É um exemplo muito bom, Lá está ele. Está fazendo dieta. Está perdendo algum peso? Não está. Magistério é uma palavra como essa. Você pode dizer, “Lá está a Deborah, ela está na sala 34, ela está ensinando.” Mas se ninguém estiver aprendendo alguma coisa, ela pode estar engajada na tarefa de ensinar mas não necessariamente conseguindo isso.

O papel de um professor é facilitar o aprendizado. É isso. E parte do problmena é, acho eu, que a cultura dominante da educação tem colocado esforço não no ensinar e aprender, mas no testar. Testar é importante. Testes padronizados tem seu espaço. Mas eles não deveriam ser a cultura dominante da educação. Eles deveriam ser um diagnóstico. Eles deveriam auxiliar. (Aplausos) Se eu for a um exame médico, Eu quero alguns testes padrões. Eu os faço. Eu quero saber qual é o meu nível de colesterol comparado ao de outras pessoas na escala padrão. Eu não quero ser informado sobre uma escala que meu médico inventou no carro.

“Seu colesterol é o que eu chamo de Nível Laranja.”

“Sério? Isso é bom?” “Nós não sabemos.”

Mas tudo isso deveria embasar o ensinamento. Não deveria obstruí-lo. o que na verdade frequentemente faz. Então no lugar da curiosidade, o que nós temos é a cultura da conformidade. Nossas crianças e professores são encorajados a seguir algorítimos de rotina em vez de incitar o poder da imaginação e da curiosidade. E o terceiro princípio é esse: que a vida humana é inerentemente criativa. É por isso que todos nós temos curriculuns diferentes. Nós criamos nossas vidas, e nós podemos recriá-las a medida que passamos por elas. É a moeda corrente de ser um ser humano. É por isso que a cultura humana é tão interessante, diversa e dinâmica. Quero dizer, outros animais podem bem ter imaginação e criatividade, mas não está tão em evidência, está, quanto a nossa? Isto é, você pode ter um cachorro. E seu cachorro pode ficar deprimido. Sabem, ele não ouve Radiohead, ouve? (Risos) E se senta e fica olhando para fora da janela com uma garrafa de Jack Daniels. (Risos)

E você diz, “Você gostaria de dar uma caminhada?”

Ele diz, “Não, estou bem. Você vai. Eu espero. Mas tire fotos.”

Todos nós criamos nossas próprias vidas através desse processo incansável de imaginar alternativas e possibilidades, e um dos papéis da educação é despertar e desenvolver esses poderes de criatividade. Em vez disso, o que nós temos é uma cultura de padronização.

Não tem de ser dessa maneira. Realmente não tem. A Finlândia geralmente lidera em matemática, ciências e leitura. Agora, nós só sabemos que é isso que eles fazem bem porque isso é tudo que está sendo testado atualmente. Esse é um dos problemas do teste. Eles não levam em consideração outras coisas que são tão importantes quanto. A questão sobre trabalho na Finlândia é este: eles não são obsessivos sobre essas disciplinas. Eles têm uma abordagem bem ampla para a educaçäo que inclui humanidades, educação física, e as artes.

Segundo, não há padronização de testes na Finlândia. quero dizer, há um pouco, mas não é isso que faz as pessoas se levantarem pela manhã. Não é isso que as mantém em suas escrivaninhas.

E terceira coisa, e eu estive em uma reunião recentemente com algumas pessoas da Finlândia, finlandeses na verdade, e alguém do sistema americano estava dizendo para as pessoas da Finlândia, “O que vocês fazem a respeito da taxa de abandono na Finlândia?”

E todos eles pareciam um pouco confusos e disseram “Bem, nós não temos uma. Por que você abandonaria? Se as pessoas estão com problemas, nos aproximamos rapidamente e as ajudamos e as apoiamos.”

As pessoas sempre dizem, “Bem, você sabe, você não pode comparar a Finlândia à América.”

Não. Eu acho que há uma população de cerca de cinco milhões na Finlândia. Mas você pode compará-la um um estado na América. Muitos estados na Amércia tem menos pessoas do que isso. Quero dizer. Eu estive em alguns estados na América e eu era a única pessoa lá. (Risos) Verdade. Verdade. Pediram-me para apagar a luz quando saísse. (Risos)

Mas o que todos os sistemas de alto-desempenho no mundo fazem é o que não é óbvio atualmente, infelizmente, entre os sistemas na América — Quero dizer, como um todo. Um é esse: Eles individualizam o ensino e a aprendizagem. Eles reconhecem que há estudantes que estão aprendendo e o sistema tem que engajá-los, suas curiosidades, suas individualidades, e suas criatividades. É como você os leva a aprender.

O segundo é que eles atribuem um status muito alto para a profissão de professor. Eles reconhecem que você não consegue melhorar a educação se não tiver ótimas pessoas para ensinar e se não continuar a dar-lhes apoio constante e desenvolvimento profissional. Investimento no desenvolvimento profissional não é caro. É um investimento, e todos os outros países que estão obtendo sucesso sabem disso, quer seja a Austrália, Canadá, Coréia do Sul, Cingapura, Hong Kong ou Shangai. Eles sabem disso.

E o terceiro é, eles delegam responsabilidade para a escola para que o trabalho seja feito. Vejam, há uma grande diferença aqui entre entrar em um modo de comando e controle em educação — É isso o que acontece em alguns sistemas. governos centrais decidem ou governos estaduais decidem eles sabem mais e eles lhes dirão o que fazer. O problema é que a educação não vai as salas de comitês de nossos prédios legislativos. Ela acontece nas salas de aula e escolas, e as pessoas que a fazem acontecer são os professores e os alunos, e se você remover seus critérios, ela pára de funcionar. Você tem que devolvê-la às pessoas. (Aplausos)

Há um trabalho maravilhos acontecendo neste país. Mas devo dizer, está acontecendo apesar da cultura dominante da educação, não por causa dela. É como pessoas estivessem navegando com o vento contrário o tempo todo. E a razão eu acho que é esta: que muitas das atuais políticas estão baseadas em concepções mecanicistas de educação. É como se a educação fosse um processo industrial que pode ser melhorado apenas por ter melhores dados, e em algum lugar, eu acho, no fundo da consciência de alguns políticos está a ideia de que se nós ajustarmos bem o suficiente, se apenas acertarmos, tudo evoluirá perfeitamente no futuro. Não irá, nunca aconteceu isso.

O ponto é que a educação não é um sistema mecânico. É um sistema humano. É sobre pessoas, pessoas que tanto querem aprender ou que não querem aprender. Cada estudante que abandona a escola tem uma razão para isso que está enraizada em sua própria biografia. Eles podem achar chato. Podem achar irrelevante. Podem achar que está em desacordo com a vida que eles vivem fora da escola. Há tendências, mas as estórias são sempre únicas. Estive recentemente em uma reunião em Los Angeles — são chamados de programas alternativos de educação. Estes programas são elaborados para trazer crianças de volta a educação. Há alguns características comuns. Eles são muito personalizados. Eles tem forte apoio dos professores, conexões próximas com a comunidade e um curriculum amplo e diversificado, e frequentemente os programas envolvem estudantes fora da escola assim como dentro da escola. E eles trabalham. O que é interessante para mim, essas são chamadas “educação alternativa.” Sabiam? E todas as provas do mundo todo são, se todos nós tivéssemos feito isso, não haveria necessidade de alternativa. (Aplausos)

Então acredito que nós temos que abraçar uma metáfora diferente. Nós temos que reconhecer que esse é um sistema humano, e há condições sob as quais as pessoas prosperam, e condições sob as quais elas não prosperam. Nós somos afinal de contas criaturas orgânicas, e a cultura da escola é absolutamente essencial. Cultura é um termo orgânico, não é?

Não muito longe de onde eu moro há um lugar chamado Vale da Morte. Vale da Morte é o lugar mais quente e seco na América, e nada cresce lá. Nada cresce lá porque não chove. Daí, Vale da Morte. No inverno de 2004, choveu no Vale da Morte. 17cm de chuva caíram por um período muito curto. E no verão de 2005, houve um fenômeno. Todo os solo do Vale da Morte estava carpetado com flores por um período. Isso prova que o Vale da Morte não está morto. Está dormindo. Logo abaixo da superfície existem estas sementes de possibilidade esperando pelas condições certas para brotarem, e com sistemas orgânicos, se as condições forem propícias a vida é inevitável. Acontece o tempo todo. Você pega uma área, uma escola, um distrito, você modifica as condições, dá às pessoas um sentido de possibilidade diferente, um conjunto de expectativas diferentes, uma ampla gama de oportunidades, você estima e valoriza o relacionamento entre professores e aprendizes, você oferece às pessoas o critério para serem criativas e para inovarem no que fazem, e escolas que uma vez foram privadas desabrocharão para a vida.

Grandes líderes sabem disso. O papel verdadeiro da liderança na educação — e acredito ser verdadeiro na esfera nacional, na esfera estadual, e na esfera escolar– não é e não deve ser comandar e controlar. O papel verdadeiro da liderança é controlar o clima, criando um clima de possibilidade. E se você fizer isso, as pessoas se erguerão e alcançarão coisas que você sequer havia previsto e não poderia ter imaginado.

A uma citação maravilhosa de Benhamin Franklin. “Há três tipos de pessoas no mundo: Aquelas que são imóveis, pessoas que não se movem, não querem fazê-lo, e farão qualquer coisa a esse respeito. Há pessoas que são móveis, pessoas que veem a necessidade de mudança e estão preparadas para ouví-la. E há pessoas que se movem, pessoas que fazem as coisas acontecerem.” E se nós pudermos encorajar mais pessoas, esse será o movimento. E se o movimento for forte o suficiente, será, no melhor sentido da palavra, uma revolução. E é isso que nós precisamos.

Muito obrigado. (Aplausos) Muito obrigado. (Aplausos)

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Por SECOM

Educadores de escolas no campo e quilombolas receberão formação continuada e recursos pedagógicos

Professores de todo o país que lecionam em escolas no campo e quilombolas receberão, a partir deste ano, formação continuada e recursos didáticos e pedagógicos para desenvolver as atividades docentes. As ações para esses educadores estão descritas na Portaria nº 579, de 3 de julho de 2013 do Ministério da Educação (MEC), que cria a Escola da Terra.

Os recursos para a formação dos professores provirão do MEC, mas a execução das atividades caberá a estados, Distrito Federal, municípios e instituições públicas de educação superior. Para que os docentes tenham acesso aos cursos, os gestores das secretarias de educação, além das instituições públicas, devem aderir à Escola da Terra.

A quantidade de recursos a serem investidos pelo governo federal nas ações vai depender das adesões. A liberação das verbas, segundo a portaria, será feita sem necessidade de convênio, acordo ou contrato.

Todos os educadores e tutores passarão por curso de aperfeiçoamento, com carga horária mínima de 180 horas. A formação compreende um período de frequência no curso, denominado tempo-universidade, e outro para as atividades realizadas em serviço (escola-comunidade), acompanhado por tutores. A qualificação dos docentes será de responsabilidade das instituições públicas de educação superior que aderirem à Escola da Terra.

A produção e a oferta do material didático e pedagógico – jogos, mapas, recursos para alfabetização, letramento e matemática – ficarão a cargo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que também garantirá a remuneração, por meio de bolsas, do coordenador estadual e do tutor responsáveis pelo acompanhamento e orientação dos educadores durante a formação.

Projeto-piloto

Em 2013, sete universidades federais foram selecionadas para participar de projeto-piloto da Escola da Terra, em quatro das cinco regiões do país.

De acordo com Antônio Lídio Zambom, coordenador-geral de políticas de educação no campo da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC, o projeto distribuirá 7,5 mil vagas.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) terá 1,5 mil. As da Bahia (UFBA), do Pará (UFPA), de Pernambuco (UFPE), do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Minas Gerais (UFMG) e do Maranhão (UFMA), mil vagas cada uma.

Para que a formação tenha início, segundo Antônio Lídio, é fundamental que as secretarias de educação providenciem a adesão.  Os recursos para o projeto-piloto constam do orçamento deste ano. Para todas as unidades federativas, os cursos estão previstos para 2014. Dados da Secadi indicam que há cerca de 50 mil escolas multisseriadas e quilombolas distribuídas em todo o território nacional. O número de professores que precisam de formação será informado ao MEC pelos gestores das escolas nos estados, municípios e Distrito Federal. A Escola da Terra é uma das ações do Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo) do MEC.

A regulamentação, a ser publicada, da Portaria nº 579/2013 tratará dos prazos de adesão, valor das bolsas e transferência de recursos.

2_quadro

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04
jul

Extraído do site: http://templegrandin.com/

Autismo e problemas sensoriais muitas vezes caminham lado a lado. É comum para as pessoas com autismo ter problemas sensoriais que afetam seu comportamento e suas percepções. No entanto, aqueles com distúrbios do processamento sensorial não são necessariamente afetados pelo autismo.

Entrevista com a Dra. Temple Grandin que é autista:

Por que é importante considerar terapias sensoriais?

Para alguns indivíduos com autismo, terapias sensoriais são muito benéficas. O autismo é altamente variável e uma terapia sensorial que funciona bem para uma criança pode não ter nenhum efeito sobre a outra. Algumas das terapias sensoriais mais comuns são: o uso de pressão profunda para acalmar, balançar, as atividades de trabalho pesado e lentos e o método de escovação. Terapias sensoriais realizadas por um terapeuta ocupacional pode ajudar algumas crianças a se tornarem mais calmas, mais atentas e pode ajudar no desenvolvimento da fala.


Como você avalia qual é a terapia sensorial mais recomendável para uma criança?

Crianças que buscam pressão profunda rolando em cobertores ou que ficam sob os colchões são os mais susceptíveis de beneficiar de pressão profunda. Em crianças pequenas, a pressão profunda pode ser facilmente aplicado rolando uma criança em esteiras pesadas ??ou ficar em cadeiras do saco de feijão. Em muitos indivíduos, a máquina de aperta ou de outros dispositivos que se aplicam pressão são calmantes. Pressão profunda é mais eficaz quando é aplicada por 20 minutos e, em seguida, removido por 20 minutos. Crianças que gostam de balançar pode se beneficiar dele. Algumas crianças podem ser capazes de falar mais facilmente, enquanto eles estão a balançar lentamente ou sentado em equilíbrio em uma esfera de exercício. Coletes Ponderadas ajudam algumas crianças e não funcionam para outras.


O que significa uma dieta sensorial ?

Uma dieta sensorial significa simplesmente que, em determinados intervalos, uma criança pode precisar de uma pausa para acalmar o sistema nervoso . Problemas sensoriais estão em um continuum de leve a grave. As crianças com mais problemas sensoriais graves terão intervalos mais frequentes para acalmar um sistema nervoso mais excitado. Durante estas pausas, a criança pode se envolver em atividades sensoriais que são calmantes. Muitas vezes, é melhor ter as quebras em horários programados para evitar acidentalmente gratificar uma criança por fazer  uma birra. Se a criança fica com paradas sensoriais depois que ele / ela se comporta mal, ele / ela pode se comportar mal para obter mais pausas.



Quais são as terapias sensoriais mais comuns?

  • Pressão profunda como rolar em tapetes, colete ponderada, máquina de aperto ou cobertor ponderada para ajudar a dormir.
  • Lento balançando de 10 a 12 vezes por minuto para acalmar
  • Escovar a pele com escovas macias para acalmar (Método Wilbarger)
  • Lentes Irlen e papel em tons pastel para ajudar com a leitura. Lentes coloridas pálidas ajudar um subconjunto de crianças com autismo ou dislexia com a leitura.  Muitas vezes, rosa pálido, azul claro ou óculos de sol    são úteis  . Tente imprimir material de leitura sobre os diferentes papéis pastéis como verde claro, azul claro, bege cinza, lavanda e amarelo claro. A criança deve escolher o papel que funciona melhor para eles. As crianças que respondem bem a lentes coloridas e papel colorido, muitas vezes não pode tolerar 50 – ou 60-ciclo luzes fluorescentes. Se possível, mantenha a criança longe das luzes fluorescentes. Eles podem ver o brilho das luzes fluorescentes e eles fazem o quarto tremer como uma luz estroboscópica.
  • Atividades de mascar – Algumas crianças respondem bem ao ter coisas para mastigar. Atividades de mastigação irá acalmá-los. Eles precisam de estimulação oral.
  • Bolas e outros itens para segurar em sua mão  . Isso ajuda a algumas crianças se sentar ainda.
  • Treinamento Auditivo – Há uma série de CDs e dispositivos para treinamento auditivo. A criança escuta a música que foi modificada eletronicamente. Para algumas crianças, o treinamento auditivo pode ajudar a reduzir a sensibilidade ao som e melhorar a capacidade de ouvir sons consonantais duros. Alguns programas de treinamento auditivo são muito caros e os resultados são altamente variáveis ??e pode não valer a pena o custo. Tente métodos mais simples primeiro, como falando devagar com a criança para ajudá-lo a ouvir sons consonantais duros. Cantar é útil para algumas crianças e que pode ser capaz de aprender a cantar palavras antes que eles possam aprender a falar deles.

Quais são os objetivos da terapia sensorial?

Para ajudar a reduzir as birras, colapsos e hiperatividade, aumentar a permanência nas  tarefas e reduzir o comportamento auto-prejudicial.


Quanto tempo começa  a melhora?

Muitas vezes, as melhorias ocorrerão dentro de algumas semanas. Quando uma terapia sensorial funciona, haverá menos colapsos, birras e comportamentos mais calmos. A criança será capaz de permanecer na tarefa por longos períodos de tempo.

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A Dra. Temple Grandin ,uma norte-americana de sucesso e professora de zootecnia da Universidade Estadual do Colorado, é autista e sua vida foi retratada recentemente em filme protagonizado pela atriz Claire Danes.

O filme Temple Grandin é muito bacana porque mostra um modo diferente de ver o mundo: por imagens conectadas. Assista o trailler do filme aqui . Vale a pena conferir!

Este modo de ver o mundo fez com que a Dra.Temple Grandin projetasse um equipamento de mobilidade e movimentação do gado utilizado por várias empresas norte-americanas.

Deixo que a própria Dra. Temple Grandin fale sobre o autismo , palestra proferida no TED. Animador e vibrante saber que é possível vencer o autismo.

Temple Grandin:

O mundo necessita de todos os tipos de mentes

Penso que vou começar por falar um pouco sobre o que é autismo, exatamente. Autismo abrange um espectro muito amplo que vai do muito severo, no qual a criança permanece não verbal, até aos mais brilhantes cientistas e engenheiros. Na verdade sinto-me em casa aqui porque há muitos genes do autismo nesta sala.

É um espectro abrangente de características. Quando um “nerd” se revela ser um Asperger, que não é nada mais do que um grau leve de autismo? Quero dizer, o Einstein, o Mozart e o Tesla (Nikola), seriam todos provavelmente diagnosticados como sendo do espectro autista hoje em dia. E uma das coisas que realmente me vai preocupar é tornar estas crianças naqueles que vão inventar as coisas ligadas às energias do futuro.

E agora quero falar com vocês sobre as diferentes formas de pensar. Vocês tem que se afastar da linguagem verbal. Eu penso em imagens. Eu não penso em linguagem. Então, o que acontece numa mente autista é que se foca nos detalhes. Ok, este é um teste no qual vocês têm de descobrir as letras grandes, ou descobrir as letras pequenas. E o pensamento autista descobre as letras pequenas mais rapidamente.

O que acontece é que o cérebro normal ignora os detalhes. Bem, se vocês estiverem a construir uma ponte, os detalhes são muito importantes porque a ponte pode cair se vocês ignorarem os detalhes E uma das minhas maiores preocupações com as práticas estabelecidas hoje em dia é que as coisas estão a ficar demasiado abstratas. As pessoas estão deixando de colocar as mãos à obra. Preocupa-me que muitas escolas tenham retirado as disciplinas práticas porque artes e disciplinas do gênero essas eram as disciplinas em que eu era excelente.

Ok, no meu trabalho com o gado eu reparei em certos pormenores que a maior parte das pessoas não nota e que fazem o gado entrar em pânico. Como, por exemplo, esta bandeira a flutuar ao vento, exatamente em frente às instalações do veterinário. O gado estava no pátio de alimentação quase a destruir as instalações veterinárias por completo e tudo o que eles precisavam de fazer era mudar a bandeira de lugar. Movimentos rápidos, contraste. No início dos anos 70, eu desloquei-me às cabines de contenção ver o que é que o gado via. As pessoas pensavam que era uma loucura. Um casaco pendurado numa cerca assustava-os. Assustavam-se com as sombras, com uma mangueira que estivesse no chão.

Na verdade eu adorei o filme, a maneira como eles duplicaram os meus proje tos todos. É o meu lado “geek”. Os meus desenhos também desempenharam um papel no filme. Já agora, chama-se Temple Grandin, não Pensando em Imagens.

Então, como é pensar em imagens? É literalmente ver filmes na nossa cabeça. O meu cérebro funciona como o Google para Imagens. Bem, quando eu era uma criança não sabia que a minha forma de pensar era diferente. Eu pensava que toda a gente pensava em imagens. E quando escrevi o meu livro, Pensando em Imagens, comecei a perguntar às pessoas como é que elas pensam. E fiquei muito chocada por descobrir que o meu pensamento a minha forma de pensar é muito diferente. Por exemplo, se disser “Pensem numa torre de igreja” a maior parte tem uma imagem mais ou menos generalizadas de uma torre. Bem, se calhar nesta sala isto não se aplica, mas é verdade em muitos outros lugares. Eu só vejo imagens específicas. Elas aparecem na minha memória, como se esta fosse o Google para Imagens. E no filme, fizeram uma cena excelente onde a palavra “sapato” é dita, e um monte de sapatos dos anos 50 e 60 começam a aparecer na minha imaginação.

Ok, esta é a igreja da minha infância. É específico. Aqui estão mais umas, em Fort Collins. Ok, que tal umas igrejas famosas? E elas continuam a aparecer, mais ou menos assim. Muito rapidamente, como o Google para Imagens. E aparecem uma de cada vez E eu fico a pensar, ok, podemos ver se neva ou se vai trovejar e eu posso editar essas imagens e fazer um vídeo delas.

Ora bem, o pensamento visual é um bem essencial no meu trabalho em desenhar instalações para o manejo de gado. E tenho trabalhado arduamente em melhorar a forma como o gado é tratado nos matadouros. Não vos vou mostrar aqui nenhuns slides de matadouros horríveis. Tenho essas coisas no Youtube, se quiserem ver. Mas, uma das coisas que consegui fazer no meu trabalho de design foi a de literalmente fazer um teste de funcionamento a uma peça de equipamento no meu cérebro, como se fosse um sistema computorizado de realidade virtual. E aqui temos uma vista aérea da recriação de um dos meus projetos que foi utilizado no filme. Tem um ar tão espetacular! E também havia muitas pessoas com Asperger e com autismo, a trabalhar ali no set de filmagem. (Risos) Mas uma das coisas que realmente me preocupa, é qual é a versão mais novas daquelas pessoas. Eles não vão parar a Silicon Valley, que é onde eles pertecem. (Risos) (Aplausos)

Bem, uma das coisas que aprendi quando era nova, porque como não era muito sociável, foi que tinha de vender o meu trabalho e não a mim mesma. E a forma como vendi trabalhos na área da pecuária bem, eu mostrei os meus desenhos, mostrei imagens das coisas. Outra coisa que me ajudou em criança foi, bem, nos anos 50 ensinavam-nos a ter maneiras. Ensinavam-nos que não podemos tirar a mercadoria das prateleiras da loja e deixá-la espalhada por todo o lado.

Bem, quando os crianças chegam ao terceiro ou quarto ano, já se nota que este miúdo vai ser um pensador visual, porque desenha perspectivas. Bem, eu quero enfatizar que nem todos os miúdos autistas vão ser pensadores visuais. Bem, eu fiz este TAC há uns bons anos e costumava fazer piadas por eu ter um cabo gigantesco de ligação à internet profundamente incorporado no meu cortex visual. Aqui temos a ressonância magnética. E o meu cabo gigantesco de ligação à internet tem o dobro do tamanho comparado com o de controle. As linhas vermelhas são minhas e as linhas azuis são de uma pessoa com o mesmo sexo e idade que serve de controle. E podem ver, eu tenho uma linha gigantesca e a linha do controle que está aqui, a azul geralmente tem uma linha bem pequena.

E algumas pesquisas estão agora a demonstrar que as pessoas no espectro geralmente pensam com o córtex visual primário. Bem, o que se passa, é que o pensador visual tem um cérebro único. Estão a ver, o cérebro autista tem tendência a ser um cérebro especializado. Excelente numa coisa, muito mau noutra coisa qualquer. A coisa em que eu era muito má era em álgebra. E nunca me permitiram estudar geometria ou trigonometria. Foi um erro gigantesco. Tenho encontrado muitos miúdos que não precisam de estudar álgebra, precisam de ir diretamente para a geometria e trigonometria.

Bem, outro gênero de cérebro é do pensador por padrões. Mais abstratos. São estes os vossos engenheiros, os vossos programadores de computadores. Aqui temos um padrão de pensamento. Está ali um louva-a-deus que é feito de uma única folha de papel, sem uso de fita cola, e sem cortes. E como fundo temos o padrão que serve para o fazer. Estes são os tipos diferentes de pensamento, os pensadores visuais foto realísticos, como eu. Pensadores por padrões, músicos e matemáticos. Alguns destes têm muitas vezes problemas em ler. Vocês podem encontrar este tipo de problema em crianças que sofrem de disléxia. Podem ver estas formas diferentes de pensar. E depois há a mente verbal. Estes sabem fatos sobre todos os assuntos.

Ora, outra coisas são os problemas sensoriais. Eu estava muito preocupada por ter de usar este aparelho na minha cara. E vim para cá uma hora mais cedo para que eu pusessem habituar-me com ele. A produção dobrou-o para não me bater no queixo. A parte sensorial é um problema. Algumas crianças ficam incomodadas com luzes fluorescentes. Outros têm problemas relacionados com a sensibilidade ao som. Percebem, há sempre variantes.

Bem, pensar visualmente deu-me uma perspectiva do cérebro dos animais. Porque, pensem nisto. Um animal é um pensador baseado nos sentidos não é verbal. Pensa em imagens. Pensa em sons. Pensa em cheiros. Pensem em quanta informação existe na boca de incêndio local. Ele sabe quem esteve lá, quando esteve lá, se é um amigo ou inimigo, se é alguém com quem ele pode acasalar. Há uma tonelada de informação naquela boca de incêndio. É uma informação muito detalhada. E observar todo este tipo de detalhes deu-me bastante perspectiva sobre os animais.

Bem, a mente animal, bem como a minha mente armazena a informação baseada nos sentidos em categorias. Homem a cavalo, e homem a pé, vemos isso como duas coisas totalmente diferentes. Se tiverem um cavalo que foi maltratado pelo cavaleiro. Eles vão ter um comportamento normal com o veterinário e com o ferreiro, mas ele nunca vos deixará montá-lo. E se virmos outro cavalo, outro que tenha sido maltratado pelo ferreiro ele será terrível para tarefas no chão, com o veterinário, mas vai deixar o cavaleiro montá-lo. O gado age da mesma forma, Homem a cavalo, homem a pé, são duas coisas completamente diferentes. Sabem, é uma imagem diferente. Bem, eu quero que vocês pensem no quão específico isto é.

Agora, esta capacidade de armazenar informação por categorias, encontro muita gente que não é muito boa a fazê-lo. Quando estou a tentar resolver problemas de equipamentos, ou problemas com qualquer coisa numa fábrica, parece que eles não conseguem descobrir, “Será que a formação profissional que dou está errada?” Ou “passa-se alguma coisa de errado com o equipamento?” Noutras palavras, arquivam o problema de equipamento, no mesmo sítio dos problemas com as pessoas. Encontro muita gente que tem dificuldade em categorizar corretamente. Bem, imaginemos que eu descubro que é um problema de equipamento. É um problema pequeno, alguma coisa simples que posso arranjar? Ou o problema está no design inteiro do sistema? As pessoas têm muita dificuldade em descobrir isso.

Tomemos, por exemplo uma coisa como resolver problemas para tornar os aviões mais seguros. Sim, eu sou passageira com muitas horas de voo. Eu viajo muito, e muito de avião, e se eu trabalhasse na FAA (Federal Aviation Administration), qual seria a coisa a que faria muita observação direta? Seria às caudas dos aviões. Sabem, cinco dos acidentes de avião nos últimos 20 anos, aconteceram porque ou cauda saltou completamente, ou porque o trem de aterragem se partiu dentro da cauda de uma forma qualquer. O problema está nas caudas, pura e simplesmente. E quando os pilotos andam à volta do avião, pois adivinhem? Eles não conseguem ver o que se passa dentro da cauda do avião. Sabem, agora que penso nisto tudo, estou a lembrar-me de muita quantidade de informação específica. É específico. Então, estão a ver, eu penso ao contrário do normal. Primeiro pego nas peças pequenas, e depois junto-as todas como se fossem um puzzle.

Ora, imaginemos um cavalo que tem um medo mortal de vaqueiros que usam chapéus pretos. Foi maltratado por alguém que usava um chapéu preto de vaqueiro. Se forem chapéus brancos, não há problema nenhum. Ora, o que se passa é que no futuro o mundo vai precisar de todos estes cérebros diferentes a trabalhar juntos. Temos de trabalhar no desenvolvimento de todos estes tipos de pensadores. E uma coisa que me põem completamente louca, quando viajo pelo mundo e faço conferências sobre autismo é que encontro muitos miúdos geeks muito inteligentes. E eles não são muito sociáveis. E ninguém trabalha para desenvolver os seus interesses em coisas como a ciência.

E isto leva-me a falar do meu professor de ciências. O meu professor de ciências é deliciosamente ilustrado no filme. Eu era uma estudante meio tonta. E quando fui para a secundária eu não queria ligava nada aos estudos. Até ter aulas de ciências com o Professor Carlock. No filme a personagem dele é o Dr. Carlock. E ele desafiou-me para tentar compreender o funcionamento de uma sala de ilusão de óptica. E vocês têm de fazer isto pelos vossos filhos, mostrar-lhes coisas interessantes. Sabem, uma das coisas que eu pensei que talvez o TED devesse fazer era dizer a todas as escolas que há grandes conferências no TED e que há uma quantidade enorme de informação na internet, para motivar estes miúdos. Porque eu encontro estes miúdos inteligentes e meio geeks, e os professores do midwest, e de outras partes do país, aquelas zonas afastadas das zonas tecnológicas, eles não sabem o que fazer com estes miúdos! E estão a dirigi-los para caminhos errados.

A questão é que vocês podem moldar o cérebro de forma a que a mente seja mais pensativa e cognitiva. Ou podem molda-lo de forma a ser mais sociável. E o que as pesquisas têm demonstrado no autismo, é que podem existir mais formas de ligação aqui dentro, na verdadeira mente brilhante, e que perdemos alguns circuitos sociais em troca. É uma espécie de troca entre o pensar e o ser social. E às vezes chegámos ao ponto em que a troca é tão severa que vamos encontrar uma pessoa que não é verbal. No cérebro normal humano a linguagem ofusca o pensamento visual que partilhamos com os animais.

Este é o trabalho do Dr. Bruce Miller. Ele estudou doentes com Alzheimer que sofriam de demência do lobo temporal frontal. E a demência devorou a parte linguística do cérebro e esta obra de arte foi criada por alguém que costumava instalar aparelhagens em carros. Bem, o Van Gogh não devia perceber muito de física. Mas isto é muito interessante e já foram feitos estudos que provam que este gênero de padrão em espiral neste quadro segue um modelo estatístico de turbulência. O que nos leva uma teoria muito interessante de que talvez estes padrões matemáticos estejam armazenados no nosso próprio cérebro.

E as coisas todas do Wolfram (Stephen) que eu anotei notas que me lembrei de escrever para depois as pôr em palavras que pudesse usar porque eu penso que tem de continuar nas minhas conferências sobre autismo. Temos de mostrar a estes miúdos coisas interessantes. Foram-lhes retiradas as aulas de mecânica e aulas de educação visual, e aulas de arte. Quer dizer, a disciplina em que eu era melhor na escola era arte!

Temos de pensar em todos estes tipos diferentes de pensadores. E temos mesmo de trabalhar com estes gêneros de mentes porque nós vamos precisar absolutamente deste gênero de pessoas no futuro. E falemos de empregos. Ok, o meu professor de ciência fez com que eu estudasse porque eu era meio tonta e não queria estudar. Mas sabem que mais? Eu estava a ganhar experiência profissional. Tenho conhecido muitas criancas a quem não ensinaram as coisas básicas tais como ser pontual. Eu aprendi isso quando tinha oito anos. Sabem, como ter maneiras à mesa nas festas de domingo da avó. Eu aprendi isso quanto era muito, muito nova. E quando fiz 13 anos arranjei trabalho numa modista a costurar roupa. Fiz estágios durante a faculdade. Eu construía coisas. E também tive de aprender a fazer trabalhos.

Sabem, quando era pequena, tudo o que eu queria fazer era desenhar cavalos. A minha mãe disse-me “bem, vamos desenhar outra coisa qualquer”. Eles têm de aprender a fazer outras coisas. Por exemplo, uma criança que tenha uma fixação com Legos. Ensinem-no a construir com outro tipo de materiais. O que se passa no cérebro autista é que tem tendência a fixar-se. Uma criança que adore carros de corrida, ensinem-lhe matemática usando os carros. Deixem-no descobrir em quanto tempo é que um carro de corrida percorre uma certa distância. Noutras palavras, usem essa fixação de forma a motivar a criança, é uma das coisas que nós precisamos de fazer. Eu fico muito aborrecida quando os professores, especialmente nas zonas desta parte do país, eles não sabem o que fazer com estas crianças inteligentes. Isso põem-me louca!

O que é que os pensadores visuais podem fazer quando forem adultos? Podem trabalhar em design gráfico, em todo o gênero de coisas com computadores, fotografia, design industrial. Os pensadores por padrões, esses serão aqueles que no futuro serão os vossos matemáticos, os vossos engenheiros de sistemas, os vossos programadores de computador, todos esses tipos de trabalho. E depois têm os pensadores das palavras. Eles tornam-se grandes jornalistas. E também costumam ser muito bons atores de teatro. Porque uma das coisas sobre ser autista é, eu tive de aprender as competências sociais como se aprende um papel no teatro. É como se, temos mesmo de aprender a fazê-lo.

E precisamos de trabalhar com estes estudantes. E isto leva-nos aos mentores. Sabem, o meu professor de ciências não era um professor “credenciado”. Ele era um cientista espacial da NASA. Bem, agora em alguns estados estamos a ver que se o professor for licenciado em biologia ou em química ele chega a uma escola e pode ensinar biologia ou química. Nós precisamos de fazer isso. Porque o que eu tenho visto é que os bons professores, para muitos destas crianças, estão colocados apenas nas universidades. Precisamos de pegar esses excelentes professores e trazê-los para as escolas secundárias.

Outra coisa que pode ter muitos, muitos bons resultados há muita gente que já se pode ter reformado de trabalhos nas indústrias de software e eles podem ensinar a vossa criança. E não interessa se o que ele lhes ensina é antiquado porque o que ele está a fazer é apenas acender a chama. Ele está a motivar aquela criança! E quando uma criança se sente motivada, elea vai aprender todas as coisas mais recentes. Os mentores são essenciais. Não me canso de dizer isto o que o meu professor de ciências fez por mim. E temos de ser mentores deles e contratá-los.

E se lhes oferecerem estágios nas vossas empresas, o que se passa numa mente autista aspergiana, é que vocês têm de lhes dar tarefas específicas. Não digam só “desenhem novo software”. Vocês têm de lhes dar informações muito mais específicas. “Bem, nós precisamos de um software para um telefone e tem de fazer uma função específica e só pode utilizar uma certa quantidade de memória”. É este o gênero de especificidade que precisamos.

Bem, este é o final da minha conversa. Quero agradecer a todos por terem vindo. Foi muito bom estar aqui.

(Aplausos)

Ah, tem uma pergunta para mim? Ok. (Aplausos)

(Chris Anderson) Muito obrigado por ter feito isto. Sabe, uma vez escreveu, e passo a citar, “Se por algum passo de magia, o autismo fosse erradicado da face da Terra, neste momento o homem ainda estaria em frente de uma fogueira à entrada de uma caverna.”

(Temple Grandin) Então, mas quem é que pensam que fez as primeiras lanças de pedra? O tipo com Asperger. E se vocês se vissem livres de todos os fatores genéticos do autismo o Silicon Valleu deixava de existir, e a crise energética nunca seria resolvida. (Aplausos)

(CA) Então, eu queria fazer-lhe mais umas perguntas. Mas se achar que alguma é inapropriada fica à vontade para dizer “próxima questão” Mas se estiver aqui alguém que tem um filho autista ou que conhece uma criança autista e que não consegue comunicar com eles, que conselho é que tem para lhes dar?

(TG) Bem, em primeiro lugar, temos de ter em conta a idade. Se tiverem uma criança de dois, três ou quatro anos que não fala, sem interação social, Eu tenho de insistir nisto não fiquem à espera, vão precisar pelo menos de 20 horas semanais de educação um a um. Sabem, o que se passa, é que o autismo tem vários graus. Metade das pessoas dentro do espectro nunca vão aprender a falar e esses nunca irão conseguir trabalhar no Silicon Valley, não seria uma coisa razoável para eles.

Mas depois há as crianças inteligentes e meio geeks com um toque leve de autismo e são esses que vocês têm de motivar pondo-os a fazer coisas interessantes. Eu aprendi a interagir socialmente por interesses partilhados. Eu montava a cavalo com outras crianças. Eu fiz modelos de foguetões com outras crianças, participei em laboratórios de electrônica com outras crianças e nos anos 60 fazíamos colagens com espelhos nas membranas de borracha das colunas de som, para fazer espectáculos de luzes. E nós considerávamos isso o máximo!

(CA) É uma coisa irrealista para os pais desejarem ou pensarem que aquela criança os ama, como a maioria faz e pode, ou é só um desejo.

(TG) Deixem-me dizer-vos uma coisa, aquela criança será leal. E se a vossa casa um dia estiver em chamas eles vão tirar-vos lá de dentro.

(CA) Wow. Então, quando perguntamos à maior parte das pessoas qual é a coisa que os apaixona mais, eles geralmente respondem “Os meus filhos”, ou “o meu amante”. O que é que a apaixona mais?

(TG) Eu sou apaixonada pelas coisas que faço porque vão tornar o mundo num lugar melhor. E quando ouço a mãe de uma criança autista dizer, “O meu filho foi para a faculdade graças ao seu livro ou por causa de uma das suas conferências”. Isso faz-me feliz.

Sabem, os matadouros, eu trabalhei em vários nos anos 80, eram lugares absolutamente terríveis. Eu desenvolvi uma tabela de desempenho simples para os matadouros onde se podem controlar os resultados, a quantidade de gado abatido, quantos tiveram de levar choques elétricos, quantos animais mugiram até lhes saltar a cabeça. E é muito, muito simples. Têm de observar diretamente coisas muito simples. E resultou muito bem. Fiquei muito satisfeita por notar em coisas que marcam realmente a diferença no mundo real. Precisamos de muito mais disto e muito menos de coisas abstratas. (Aplausos)

(CA) Quando estávamos a falar ao telefone, uma das coisas que disse e que me surpreendeu foi uma coisa que disse que era apaixonada por centrais de servidores. Fale-nos sobre isso.

(TG) Bem, a razão porque fiquei tão entusiasmada quando li sobre eles é por conterem conhecimento. São bibliotecas. E o conhecimento para mim é uma coisa que é extremamente valiosa. Bem, talvez porque, há 10 anos a nossa biblioteca sofreu uma inundação.E isto aconteceu antes da explosão da internet. E eu fiquei muito aborrecida porque os livros estragaram-se todos, porque o conhecimento foi destruído. E as centrais de servidores ou centrais de dados são grandes bibliotecas de conhecimento.

(CA) Temple, posso só dizer-lhe que foi excelente tê-la aqui no TED.

(TG) Ora, muito obrigada. Muito obrigada. (Aplausos)

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Por SECOM

São 1.570 vagas para professores das redes públicas de educação básica

Professores de matemática das redes públicas de educação básica, com curso de graduação, podem concorrer a 1.570 vagas do programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat), oferecido pelo governo federal. A quarta edição do exame recebe inscrições até 5 de julho, pela internet. As provas serão aplicadas em 31 de agosto próximo, e o curso começa em março de 2014.

 De acordo com o presidente do conselho gestor do Profmat, Marcelo Viana, o mestrado, com duração de 24 meses, prevê três períodos letivos por ano. Um de quatro meses, seguido de intervalo, e outro de mais quatro meses, além de um intensivo nas férias de verão. O formato, explica o coordenador, visa facilitar a vida dos educadores, uma vez que 80% dos mestrandos combinam o exercício da atividade docente com a pós-graduação.

 Na seleção deste ano, participam 59 instituições de educação superior federais e estaduais das cinco regiões do país que integram a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Viana explica que 80% das vagas são reservadas a professores das redes públicas e 20% a educadores das redes particulares, recém-formados e licenciados de outras áreas do conhecimento. Professores em exercício no sistema público da educação básica podem pedir bolsa de estudos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação. A bolsa de mestrado para formação no Brasil é de R$ 1,5 mil por mês.

Exame - Ao fazer a inscrição, o candidato a vaga deve informar dados pessoais, da formação acadêmica e da atuação profissional e selecionar a instituição de educação superior e o polo nos quais pretende realizar o exame e fazer o mestrado. Conforme o edital, a prova, presencial, será aplicada no polo em que o candidato fizer a inscrição. Ela consta de 40 questões de múltipla escolha e avalia o domínio de conhecimentos numéricos, geométricos, de estatística e probabilidade, algébricos e algébrico-geométricos. O edital detalha o conteúdo a ser cobrado, as instituições de educação superior e os polos.

Como o mestrado profissional é totalmente gratuito, o educador assume o compromisso de continuar na rede pública na qual trabalha por cinco anos após a certificação.

A ficha de inscrição, o edital e o calendário do exame estão disponíveis na página do Profmat na internet.

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