Arquivo de março, 2011

 

O Parecer CNE/CEB Nº 11/2010 publicado no D.O.U no dia 9/12/2010 e a Resolução CNE/CEB Nº 07/2010 de 14 de dezembro de 2010 recomendam enfaticamente que os três primeiros anos do Ensino Fundamental seja organizado em um único ciclo pedagógico, mesmo para as escolas que praticam o sistema seriado, o que significa dizer que nesses anos iniciais do Ensino Fundamental não haverá retenção dos alunos.

A este respeito diz o Parecer CNE/CEB Nº 11/2010 :

“ … A proposta de organização dos três primeiros anos do Ensino Fundamental em um único ciclo exige mudanças no currículo para melhor trabalhar com a diversidade dos alunos e permitir que eles progridam na aprendizagem. Ela também questiona a concepção linear de aprendizagem que tem levado à fragmentação do currículo e ao estabelecimento de sequências rígidas de conhecimentos, as quais, durante muito tempo, foram evocadas para justificar a reprovação nas diferentes séries. A promoção dos alunos deve vincular-se às suas aprendizagens; não se trata, portanto, de promoção automática. Para garantir a aprendizagem, as escolas deverão construir estratégias pedagógicas para recuperar os alunos que apresentarem dificuldades no seu processo de construção do conhecimento.

Entre as iniciativas de redes que adotaram ciclos, muitas propostas terminaram por incorporar algumas das formulações mais avançadas do ideário contemporâneo da educação, com vistas a garantir o sucesso dos alunos na aprendizagem, combater a exclusão e assegurar que todos tenham, efetivamente, direito a uma educação de qualidade. Movimentos de renovação pedagógica têm-se esforçado por trabalhar com concepções que buscam a integração das abordagens do currículo e uma relação mais dialógica entre as vivências dos alunos e o conhecimento sistematizado.

Os ciclos assim concebidos concorrem, juntamente com outros dispositivos da escola calcados na sua gestão democrática, para superar a concepção de docência solitária do professor que se relaciona exclusivamente com a sua turma, substituindo-a pela docência solidária, que considera o conjunto de professores de um ciclo responsável pelos alunos daquele ciclo, embora não eliminem o professor de referência que mantém um contato mais prolongado com a classe. Aposta-se, assim, que o esforço conjunto dos professores, apoiado por outras instâncias dos sistemas escolares, contribua para criar uma escola menos seletiva e capaz de proporcionar a cada um e a todos o atendimento mais adequado a que têm direito.

Para evitar que as crianças de 6 (seis) anos se tornem reféns prematuros da cultura da repetência e que não seja indevidamente interrompida a continuidade dos processos educativos levando à baixa autoestima do aluno e, sobretudo, para assegurar todas as crianças uma educação de qualidade, recomenda-se enfaticamente que os sistemas de ensino adotem nas suas redes de escolas a organização em ciclo dos três primeiros anos do Ensino Fundamental, abrangendo crianças de 6 (seis), 7 (sete) e 8 (oito) anos de idade e instituindo um bloco destinado à alfabetização.

Mesmo quando o sistema de ensino ou a escola, no uso de sua autonomia, fizerem opção pelo regime seriado, é necessário considerar os três anos iniciais do Ensino Fundamental como um bloco pedagógico ou um ciclo sequencial não passível de interrupção, voltado para ampliar a todos os alunos as oportunidades de sistematização e aprofundamento das aprendizagens básicas, imprescindíveis para o prosseguimento dos estudos.

Os três anos iniciais do Ensino Fundamental devem assegurar:

a) a alfabetização e o letramento;

b) o desenvolvimento das diversas formas de expressão, incluindo o aprendizado da Língua Portuguesa, a Literatura, a Música e demais artes, a Educação Física, assim como o aprendizado da Matemática, de Ciências, de História e de Geografia;

c) a continuidade da aprendizagem, tendo em conta a complexidade do processo de alfabetização e os prejuízos que a repetência pode causar no Ensino Fundamental como um todo, e, particularmente, na passagem do primeiro para o segundo ano de escolaridade e deste para o terceiro.

Ainda que já dito em termos mais gerais, vale enfatizar que no início do Ensino

Fundamental, atendendo às especificidades do desenvolvimento infantil, a avaliação deverá basear-se, sobretudo, em procedimentos de observação e registro das atividades dos alunos e portfólios de seus trabalhos, seguidos de acompanhamento contínuo e de revisão das abordagens adotadas, sempre que necessário…”

De modo que em 2011 as escolas deverão se preparar para :

- rever o Projeto Pedagógico no sentido de adequá-lo as novas exigências legais, isto é, elaborar a proposta de ensino (prevendo os momentos de recuperação contínua e paralela) dos três primeiros anos de tal forma que atendam o princípio da continuidade visando abolir a ruptura que há entre os anos prevista no regime seriado;

- alterar o Regimento Escolar no sentido de abolir a retenção nos 1º, 2º e 3º anos do Ensino Fundamental;

- pensar em contar com um professor que inicie com os alunos no 1º ano do Ensino Fundamental e os acompanhe até o 3º ano, ao invés de trocar de professor em cada ano. Esse procedimento garantirá melhor a continuidade do trabalho com aquela turma;

- material didático modificado que atenda o ciclo pedagógico e não mais séries estanques.

Os profissionais de educação terão um bom trabalho em 2011 para preparar as escolas para o próximo ano letivo já adequado as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de 9 anos.

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27
mar

A escola não durará para sempre

por Sônia R. Aranha às 17:18 em: Educação

 

Abaixo disponibilizo um vídeo que está circulando no Youtube que diz respeito a uma entrevista com um garoto , parece ser australiano, de quinze anos que ao apanhar na escola revida (depois de anos de resignação) e após o episódio ser disponibilizado no Youtube vira herói para muitos garotos que como ele sofrem de bullying escolar.

A cena deste garoto apanhando sem nenhum motivo seguida de seu revide é impressionante, mas mais ainda é a sua declaração sobre: o sofrimento, o isolamento social, o pensamento de suicídio para sair da situação e , sobretudo, o seu conselho para outros jovens que sofrem bullying “ a escola não durará para sempre”.

Esta frase é de arrepiar aqueles que são educadores como eu, porque a escola , para esse garoto e outros inúmeros espalhados pelo mundo, é um tormento, o pior momento de suas vidas , uma prisão, um filme de terror.

Tudo bem que no início e meados do século XX a escola foi um calvário , mas um menino do século XXI falar isso é demais, não?

O que nós profissionais da educação estamos fazendo nas escolas? Para quê tantas pesquisas educacionais se não são aplicadas no cotidiano escolar ?

Infelizmente esses nossos jovens de todo e qualquer canto de nosso planeta estão acuados, sozinhos , negligenciados , sem apoio.

No Brasil há inúmeros casos de bullying e todos os tipos: se o jovem ou criança são gordos sofrem, se são muito magros sofrem, se a orientação sexual não é a heterossexual sofrem, se são negros sofrem, se são muito pobres sofrem também, se os pais votam em um determinado candidato sofrem… e a escola se esconde como um avestruz … até que pais resolvam tomar uma atitude na justiça ou um caso com final dramático é vazado para a impressa , daí a escola toma uma atitude.

A escola deve, enquanto uma instituição social, ser pro – ativa promovendo campanhas, debates, projetos que dizem respeito a alteridade envolvendo toda a comunidade escolar.

Trata-se da escola não tolerar em nenhuma hipótese qualquer tipo de evento de bullying , como também qualquer comentário preconceituoso (político, raça, gênero, sexual , etc…) por qualquer profissional que nela trabalhe.

É lamentável que em pleno século XXI tenhamos conseguido surpreendentes  avanços tecnológicos sem conseguir , no entanto, evitar declaração tão verdadeira e sofrida deste jovem : ” ainda bem que a escola, não durará para sempre em sua vida.”

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