Arquivo de outubro, 2010

 

É sabido que o trabalho escolar esgota. O esgotamento se dá porque é preciso atender inúmeras demandas e isso acaba atingindo em cheio o emocional e o físico do professorado. Portanto, é imperativo que os gestores escolares promovam em suas escolas momentos de paradas reflexivas e de motivação para que o trabalho possa fluir com melhor qualidade.

Abaixo transcrevo um texto da psicóloga Juliana T. Lemos e uma pequena parte de um trabalho realizado com professores na EMEF Oziel Alves Pereira:

Descrevo abaixo algumas das frases mais ouvidas no consultório:

“Estou aprisionado na rotina.

Não tenho vida própria. Estou esgotado, simplesmente exausto.

Sinto-me frustrado e desanimado.

Talvez eu não seja bom o suficiente.

Não faço nenhuma diferença.

Me sinto só.

Não posso mudar as coisas.”

 Muitas pessoas sentem-se assim no trabalho ou em casa, pessoas que buscam sucesso na nova realidade. A dor é pessoal e profunda. Você se identifica com algum destes comentários?

O propósito de nosso trabalho conduzirá, você e outros colaboradores de sua escola, da dor e frustração, à verdadeira realização, relevância e contribuição no novo panorama de nossos dias, não apenas no trabalho, mas na vida. O desenvolvimento de nosso projeto tem a finalidade de levar os participantes a encontrarem sua voz interior.

O primeiro passo é entender o problema que causa a dor. Grande parte do problema reside em um comportamento, que procede de um paradigma, uma visão incompleta ou falha que mina o sentimento de valor das pessoas e inibe seus talentos e potenciais. Será preciso romper com os antigos padrões de pensamentos e comportamentos. As pessoas escolhem um de dois caminhos, a maior parte delas escolhe o caminho mais amplo, bastante percorrido, rumo a mediocridade; o outro caminho conduz a grandeza e ao significado. O leque de possibilidades existentes em cada um destes caminhos é tão vasto quanto a diversidade de dons e personalidades encontradas na família humana.

Mas o contraste entre dois destinos é tão forte quanto o que existe entre a noite e o dia. O caminho em direção a grandeza faz com que as pessoas descubram a própria voz e inspirem outras a encontrar a delas.

 Bem no fundo de cada um de nós há o anseio de viver uma vida de grandeza e contribuição, de ser realmente importante e de fazer verdadeira diferença. Podemos duvidar de nós mesmos e da nossa capacidade de fazê-lo, mas todos nós temos o potencial dentro de si. É o direito nato da família humana. Nunca é tarde demais, não importa quanto tempo tenhamos seguido o caminho da mediocridade, sempre podemos escolher trocar a trajetória.

 Uma vez escolhido seguir o caminho menos percorrido, o percurso é o seguinte:

1. Descobrir sua voz interior, compreendendo sua verdadeira natureza, o que chamo de três maravilhosos presentes ou dons de nascença e desenvolver integralmente o tipo de inteligência ligado a cada uma das 4 partes de sua natureza.

2. Expressar sua voz interior cultivando as mais elevadas manifestações destes tipos de inteligência humana: visão, disciplina, paixão consciência.

Uma nova realidade, um novo desafio exigem uma nova resposta, um novo hábito. Sabendo-se que este se encontra na interseção do conhecimento, habilidade e vontade.

Assista um momento do Desenvolvimento Motivacional:

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15
out

Dia do Professor

por Sônia R. Aranha às 21:36 em: Educação, Escola Pública

Hoje, 15 de outubro, dia do professor, lembro-me de vários professores que passaram e marcaram a minha vida, mas principalmente lembro-me de minha combativa mãe, já falecida, Anna Cândida, professora, por toda a vida, da rede pública de ensino estadual.

Minha mãe foi acima de tudo uma alfabetizadora, daquelas antigas que contavam com um livro de capa dura no qual registravam todos os procedimentos das aulas enriquecidos de ilustrações. Livros que seriam avaliados pelo supervisor de ensino, portanto, eram como jóias de tão bem elaborados.

Vi minha mãe ir às ruas lutando pela democracia brasileira, a vi sentir os  ares de melhorias no Governo Montoro e ficar estupefada com a desastrosa gestão educacional de Mário Covas, iniciando naquele momento um ciclo de pauperização do ensino público paulista. Disso sobrou, para os herdeiros de minha mãe, um direito  a ganhos que haviam sido retirados ,  transformado em precatório  que até hoje o Governo Estadual teima em não pagar. 

                                     

Os professores que iniciaram a carreira na década de 50 foram guerreiros de primeira. Com eles aprendi a amar a educação formal, a buscar novas práticas pedagógicas, a sonhar com a possibilidade de uma educação emancipadora. Lembro-me que o Paulo Freire fez uma reunião pedagógica na escola que minha mãe lecionava em Campinas, o E.E Profª Neli Helena Assis de Andrade, e ela, compreendendo que aquele era um momento único, me levou para também participar da reunião. Danada esta minha mãe, com isso fisgou-me para para sempre na defesa do ensino e da aprendizagem.

Hoje é dia 15 de outubro.

Minha sincera homenagem a todos os professores que, como os de outrora, lutam cotidianamente pela qualidade de ensino de nossas escolas.

E em especial à minha mãe que nas eleições de 2006, mesmo  liberta da obrigatoriedade do voto  e  com dificuldade de locomoção, não deixou de cumprir seu último dever cívico, sempre  a favor  da  justiça social/econômica/cultural para todos os brasileiros.

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Estamos iniciando um 2º turno das eleições de 2010 e neste momento para a alternância de cargo na Presidência da República.

Esta eleição tem um perfil distinto das demais porque conta com uma participação do cidadão comum, isto é, aquele que não é militante, mas que está interagindo de forma ativa no debate público, porque conta com a internet e com suas diferentes ferramentas : e-mail, twitter, blogs de política, orkut , youtube. Desse modo, o cidadão comum, recebe, transmite e produz informação, dialogando com os seus pares e com seus opositores.

Esse fato novo na campanha eleitoral possui vantagens e desvantagens: as vantagens são muitas porque a informação não fica mais circunscrita à mídia tradicional – jornais, rádio e televisões – e o comportamento do eleitor deixa de ser passivo e passa a ser ativo, mesmo para os não filiados a partidos políticos. Se as vantagens são muitas, as desvantagens também o são: boatos e crimes contra a honra (difamação, injúria e calúnia ), o bulliyng, tão disseminados entre os jovens, disparam como pavio de pólvora, cujo único objetivo parece ser a explosão de ódio, fanatismo e preconceitos.

Tenho lido e ouvido que crianças das escolas particulares de diferentes Estados da União estão sendo vítimas de bulliyng eleitoral, isto é, ao declararem o voto de seus pais são perseguidas , ridicularizadas levando , em alguns casos, até sopapos dos colegas cujos pais votam em candidato contrário.

O que a escola deve fazer diante de tal situação?

Em primeiro lugar uma instituição de ensino deve prezar pela imparcialidade. Uma professora ou escola que declara o seu voto discursando a favor ou contra um determinado candidato, sem se preocupar com a ética, com a legislação vigente e de mãos dadas com a análise preconceituosa, rasteira, sem fundamento sociológico/político, não contribui com a formação de cidadãos de uma República democrática, porque está apenas cooptando cabeças.

Os objetivos da Escola é estar a serviço das necessidades e características de desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, independentemente de sexo, raça, situação sócio-econômica e cultural, credo religioso e político e quaisquer preconceitos ou discriminações e baseada nos princípios de liberdade e ideais de solidariedade, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do aluno, seu preparo para o exercício da cidadania e sua formação para trabalho.” (Extraído de um Regimento Escolar)

O extrato acima consta de inúmeros Regimentos Escolares que dei vistas e penso que a maioria das escolas estão de acordo com ele. Isso posto, devemos então promover na escola momentos de discussão com nossos alunos para que a vivência democrática seja construída:

– explanar o que é democracia;

– explanar o respeito às opções das pessoas e a diferenças de ideias;

– discutir o significado das eleições em um país republicano;

– debater em grupos o programa de governo dos candidatos de forma igualitária ;

– simulação das eleições.

Mas se mesmo assim ocorrer o bulliyng eleitoral, não se pode ignorá-lo. A escola deve conversar com os pais dos alunos agressores com uma postura firme em defesa da democracia e contra qualquer tipo de discriminação.

É importante também a escola esclarecer tanto para pais como para alunos o que significa crime contra honra calúnia (imputar falsamente a alguém algo definido como crime, Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa), difamação (imputar a alguém fato ofensivo à sua reputação, Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa) e injúria (ofender a dignidade ou o decoro de alguém, Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa) comumente utilizado no bulliyng . Não dá para sair por aí falando o que quer , ofendendo , difamando seja pela internet ou fora dela , porque é crime previsto no Código Penal.

Em época de eleição, segundo o Ministério Público Eleitoral, é crime divulgar mentiras sobre candidatos ou partidos para influenciar o eleitor . Além disso, atribuir a uma pessoa crime que a pessoa não cometeu, é crime de quem acusa. Em caso de candidatos às eleições, é agravante, porque a ofensa não é apenas pessoal, mas perturbação à ordem democrática, sujeitando os criminosos a penalidades como formação de quadrilha, alarmismo, etc.

Outro alerta importante: o crime contra honra quando dirigido ao Presidente da República é previsto na lei n.7170 de 14/12/1983, Lei de Segurança Nacional , que em seu artigo diz

 “Art. 26 – Caluniar ou difamar o Presidente da República, o do Senado Federal, o da Câmara dos Deputados ou o do Supremo Tribunal Federal, imputando-lhes fato definido como crime ou fato ofensivo à reputação Pena: reclusão, de 1 a 4 anos. “

O jurista Magalhães Noronha diz que “por sua qualidade, pelas elevadas funções que exerce o Presidente, pode dizer-se que a ofensa a ele irrogada não deixa de refletir em todos os cidadãos”. Isso significa que qualquer cidadão pode se sentir ofendido em sua honra quando a ofensa for dirigida ao Presidente da República, representante máximo da nação, e processar aquele que cometeu a ofensa.

O papel da escola é respeitar a legislação brasileira de um Estado Democrático de Direito e ensinar aos seus alunos o mesmo. Não só: deve ensinar, sobretudo, qual é o caminho democrático para se alterar uma lei, razão da importância da eleição dos membros do Poder Legislativo.

 Introduzir em seu conteúdo programático o estudo da legislação iniciando pelo Regimento Escolar (mais próximo do aluno), após o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e seguida o da Constituição Federal, visando contribuir com a formação de uma geração cidadã, respeitosa para com o outro, ética e conhecedora de seus direitos e deveres.

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