Arquivo de agosto, 2010

28
ago

Ideb e os Municípios

por Sônia R. Aranha às 4:27 em: Educação, Política Educacional

É muito interessante observar o Ideb  (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de 2009 dos municípios e encontrar muitos bons exemplos de políticas educacionais que estão atingindo os objetivos de qualidade e aqueles que ainda estão longe disso.  Fiquemos com dois exemplos:

Campinas e Jundiaí

Ao analisar os números de Campinas percebemos que os esforços não estão surtindo o resultado esperado, pelo menos para a minha expectativa enquanto educadora e cidadã. Vejamos:

O total do IDEB das escolas públicas municipais de Campinas:

     Ano de 2007       Ano de 2009
4a série/5o ano          4,7             4,7
8a série/9o ano           4,1            4,5

Em uma escala de 0 a 10, obter 4,7 é de fato inadmissível para um município que é um pólo universitário e científico. Realmente inaceitável. Se analisarmos cada escola é possível notar que apenas uma na 4ª série/5º ano superou a nota 6 que é a meta estabelecida como padrão pelo MEC para ser conquistada até 2020 e nenhuma escola na 8ª série/9º ano atingiu essa meta.

Além disso, não houve nenhuma mudança no índice da 4ª série/5º ano de 2007 para 2009.

O mesmo não se observa em Jundiaí .

          Ano de 2007          Ano de 2009
4a série/5o ano             5,3            5,8
8a série/9o ano             4,1            4,7

 Nas duas finalizações de etapas de ensino observa-se avanço significativo, mesmo quando se trata de um baixo índice como o verificado na 8ª série/9º ano.

O que faz uma rede de ensino municipal sair de sua zona de conforto e reagir aos inevitáveis dados oriundos da pesquisa do Ideb?

Segundo a pesquisa Caminhos do Direito de Aprender , realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) , cujo objetivo foi o de saber quais foram os motivos para que houvesse avanço no Ideb de 2005 para 2007 em 26 municípios. Os fatores do sucesso foram:

 1) Política Educacional: para os municípios pesquisados o fator decisivo foi o compromisso e o envolvimento do prefeito e dos dirigentes educacionais no processo de mudança no Ideb de 2005 para 2007. Nessas redes, as equipes técnicas das secretarias de Educação voltaram suas ações para apoiar as escolas e garantir melhor aprendizagem para todos – e cada um de seus alunos. Esses esforços foram identificados tanto em municípios com mais de 100 mil habitantes quanto nos de menos de 10 mil habitantes.

O caráter catalisador da gestão municipal manifestou-se de três formas:

Pela capacidade do gestor de integrar as práticas e mobilizar os diversos atores comprometidos com a melhoria da aprendizagem.

Pelo foco colocado no planejamento e acompanhamento de tais ações e práticas, de modo a orquestrá-las com um objetivo comum.

Pela gestão democrática, que leva ao envolvimento de todos os segmentos da sociedade nesse processo de planejamento e monitoramento.

 2) Formação de Professores : outro fator de sucesso  foi a promoção de cursos de formação contínua ou inicial. Dos 26 municípios pesquisados, 23 citaram a formação continuada como fator importante para o avanço dos resultados do Ideb. 

3) Práticas Pedagógicas: nos municípios pesquisados, as práticas pedagógicas também apareceram com destaque para explicar os avanços do Ideb. As estratégias que, segundo os entrevistados, mais impactaram nos resultados foram:

  • Atendimento às necessidades específicas dos alunos, com atividades de reforço ou complementares ao turno regular;
  • Priorização de atividades relacionadas à leitura e à escrita;
  • Diversificação das práticas para estimular a aprendizagem;
  • Monitoramento das ações e dos resultados, por meio de um acompanhamento contínuo do desempenho dos alunos.

4) Ambiente de Aprendizagem: a importância de se ter condições de trabalho satisfatórias e um ambiente adequado para viabilizar um projeto de educação de qualidade, embora esse não seja um fator que, isoladamente, garanta isso.

  • Ambiente colaborativo: a existência de troca e apoio mútuo;
  • Perfil dos profissionais: sua motivação, seu compromisso e sua responsabilidade.

Enfim, há exemplos de superação que deverão balizar as políticas educacionais de todos os municípios pelo simples fato de que nossos alunos têm o direito de aprender.

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Um aluno da Faculdade de Química da Unesp em Araraquara, Manoel Guerreiro, criou um game para um simulado de química “baseado no antigo jogo de indiano Pachisi, no qual o objetivo principal é chegar até o final do tabuleiro respondendo corretamente as questões de química que aparecerão pelo percurso”.

A iniciativa é bastante importante porque demonstra que há, por parte desta nova geração, preocupação com o material didático disponível nas escolas de Educação Básica que em geral é composto por livros didáticos.

O game Ludo Químico é de fácil manuseio: basta realizar o download de forma gratuita e iniciar jogando um dado, cujo resultado levará o pião a se mover pelo tabuleiro. Se o pião parar em um barril de produtos químicos radioativos uma janela é aberta apresentando, para o participante do jogo, uma questão de química de múltipla escolha. Se acertar, o participante segue o caminho, se errar volta um passo para trás. Quem atingir o final do tabuleiro e tiver mais pontos ganha o jogo.

A metodologia pedagógica que sustenta o game é tradicional, a mesma que orienta a maioria de exames vestibulares, no entanto, o suporte contribui para iniciarmos uma conversa sobre a construção de materiais didáticos de acordo com o século XXI.

Os professores de química do Ensino Médio já podem contar com este game para motivar os estudos dos alunos. Para isso, o gestor escolar pode baixar o game nos computadores do laboratório de informática de forma gratuita e disponibilizá-los na aula de química.

Assista a entrevista com o Manoel Guerreiro concedida para a Record News em janeiro/2010 e depois entre no www.ludoquimico.com.br é baixe o seu game.

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Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Pereira Nunes, o Censo 2010 mostrará um país envelhecido e com um número menor de taxa  de natalidade

“Vamos ter muitos brasileiros com mais de 100 anos. Vamos perceber uma sociedade com o número de crianças que estão nascendo diminuindo. Continuam a haver nascimentos, mas as taxas são cada vez menores. E tão importante quanto ter redução do número de crianças que nascem é a redução da mortalidade infantil”, explicou ele.

O que isso significa para as escolas particulares de grandes centros urbanos?  Menor demanda. Se a população infantil diminui e cresce o número de escolas particulares haverá um acirramento grande na concorrência entre as escolas e uma diminuição no número de matrículas.

Os gestores escolares precisam aprender a enxergar longe. Qual política deve ser adotada nos próximos dez , quinze  anos diante de dados tão relevantes?  Temos vistos várias escolas de tradição fechar suas portas. O que fazer diante do inevitável ? Porque não haverá crianças em número suficiente para todas as escolas (particulares, municipais e estaduais). Quais outros serviços a escola pode e deve começar a pensar para preencher este espaço que ficará vazio?

 Imagine:

 Ano de 2010, uma escola em uma cidade de médio porte do Estado de São Paulo , localizada em um centro velho, conta com  60 alunos no curso Infantil .  Considerando que a taxa de natalidade diminui ano a ano e que a população de jovens casais moram em condomínios na periferia das cidades , os centros antigos são habitados por pessoas idosas , portanto, a tendência para esta escola hipotética é enfrentar, nos próximos anos, uma demanda declinante no número de matrículas até infelizmente o seu fechamento em menos de 7 anos se os gestores não pensarem em alternativas que vão além das pedagógicas.  

É uma realidade que os gestores escolares não poderão fugir.

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